Questão 6 - UNESPAR 2023
Texto para a questão.
Palavras, expressões e tecnologias que odeio!
Por Mouzar Benedito – Revista Fórum
[1] De vez em quando pego raiva de algumas palavras ou expressões, que me ferem os
ouvidos ou a consciência. A moda dos gerúndios está passando (ói ele aí), ou "vai
estar passando", para ser mais de acordo com a fala desse pessoal do telemarketing
e de atendimentos telefônicos em geral.
[5] Um pessoal da área de treinamento de pessoal era especialista em criar certas
expressões muito bestas. Houve uma época em que não se podia dizer que "o fulano
falou‖ ... Usar o verbo falar nessas circunstâncias era chamar esse pessoal pra briga.
Tinha que ser "o fulano verbalizou". E tem muitas outras mais, mas fiquemos nas
coisas dos dias de hoje, umas entre as muitas que eu nem registrei, pois foram
[10] "canceladas" (ói outra modernidade aí) da minha memória.
E falando em vender, tenho uma ojeriza pela palavra atacarejo. O conceito até que
não é ruim: estabelecimentos que vendem por atacado e no varejo, teoricamente por
preços melhores. A palavra atacarejo me incomoda, acho feia, e comecei a pegar
raiva dela depois de ver que seguranças de uma loja dessas entregaram para serem
[15] assassinados sob tortura, em Salvador, dois homens que furtaram uns bifes. A loja,
como em todos os casos semelhantes, afirmou que não aprova isso etc. e tal, mas
uma adolescente de 15 anos já tinha sido torturada antes por seus seguranças, e
denunciada, por ter furtado alguma coisa.
Continuo falando de coisas relacionadas ao dinheiro... Esta ouço sempre se
[20] relacionando a "influenciadores digitais" ("influencers", como preferem os que
lamentam não serem gringos).
Mas o que eu queria falar dos "influenciadores" é que eles "monetizam" o que fazem,
quer dizer, transformam em dinheiro cada fala ou sugestão que apresentam. Vivem
disso, utilizam suas aparições e falas como fonte de rendimento, e admiro que pagam
[25] por isso. Ah... Mas de vez em quando alguém perde essa fonte de renda, e para isso
já existe o verbo "desmonetizar".
E tem uma coisa mais: na hora de monetizar (ou em outras circunstâncias) eles têm
que "precificar" as coisas. Precificar! Isso me lembra, não sei porquê, aquelas
pessoas que dizem que todo mundo tem um preço. Horrível.
[30] Agora um verbo dos tempos de Covid. Eu poderia dizer que peguei a maldita duas
vezes, mas digo que ela me pegou duas vezes. Mas ouço dizer é que o "fulano
positivou". Errado? Não sei. Mas acho feio.
Ia parar por aqui, mas me lembrei de um modismo que não tem nada a ver com o uso
da linguagem, palavras ou expressões que a gente pode achar feias ou
[35] desagradáveis. É acharem que todo mundo tem a obrigação de ter computadores e
celulares programados com tudo quanto é aplicativo.
Velho ranheta! Ultrapassado! Acho que não falam, mas pensam isso. E eu fico aqui
resmungando sobre isso tudo, contra certas modernidades da linguagem e, pior
ainda, da tecnologia que julgam ser de uso obrigatório.
Adaptado do original disponível em: https://revistaforum.com.br/opiniao/2022/8/2/palavras-expressestecnologias-que-odeio-por-mouzar-benedito-121085.html - Acesso em: 03 ago. 2022
Das passagens abaixo, assinale aquela que se enquadra no fenômeno do "gerundismo", considerado impertinente e, até mesmo, indesejável, sobretudo pelos gramáticos normativistas, e que se encontra referido no texto como "a moda dos gerúndios" (linha 2):
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