Questão 9 - UNESPAR 2024
Texto para a questão.
Cultura, Inteligência Artificial e poder: como os artistas estão se levantando contra a tecnologia da moda Por PABLO JIMÉNEZ ARANDIA
– Opera Mundi (Tradução de Pedro Marin)
[1] A relação entre a inteligência artificial (IA) e a cultura não é nova. Há anos, artistas de
todos os tipos vêm fazendo experiências com essa tecnologia para criar seus trabalhos.
Mas, assim como em outros campos, o surgimento da inteligência artificial generativa
- aquela capaz de criar conteúdo aparentemente original a partir de instruções básicas
[5] fornecidas pelo usuário – está provocando uma profunda controvérsia no mundo da arte.
Os sistemas generativos de imagem (Dall-e, Midjourney e Stable Diffusion são alguns dos
mais populares) e de texto (ChatGPT, Bard) possibilitam a criação de trabalhos altamente
verossímeis em apenas alguns segundos. Isso é possível graças à grande quantidade de
conteúdo com o qual foram treinados: esses aplicativos de software reproduzem os
[10] padrões que viram se repetir várias vezes durante o treinamento, sejam eles de imagens,
textos ou sons.
Nos últimos meses, ao mesmo tempo em que a popularidade e o número de usuários das
versões mais recentes do ChatGPT, Dall-e ou Midjourney aumentaram, também surgiram
as primeiras reclamações contra as empresas que criaram essas ferramentas.
[15] Em janeiro, Sarah Andersen, Kelly McKernan e Karla Ortiz, três artistas plásticas dos
Estados Unidos, foram ao tribunal em São Francisco para acusar várias empresas de
inteligência artificial de violar leis de propriedade intelectual, publicidade e concorrência
no estado da Califórnia. As artistas argumentam no processo que, com essa ação, buscam
impedir "a flagrante e enorme violação de seus direitos" ao ter seu trabalho usado para
[20] a construção desses softwares. E alertaram que seu próprio ofício, o de artistas, estava
em risco se essas práticas não fossem interrompidas.
Nos enormes bancos de dados a partir dos quais programas como o Stable Diffusioneo
Midjourney foram criados, há uma mistura de imagens licenciadas para uso público e
aquelas protegidas por direitos autorais. Por exemplo, para essas inteligências artificiais
[25] - capazes de criar imagens falsas de realismo chocante, como algumas que se
popularizaram, como as do Papa Francisco em um casaco branco ou Donald Trump sendo
preso antes de seu julgamento – foram usadas milhões de fotografias tiradas por
fotojornalistas de todo o planeta.
A popularidade conquistada em um curto espaço de tempo por essas inteligências
[30] artificiais ajudou as empresas do setor a obterem cada vez mais recursos de grandes
investidores. E, portanto, a aumentarem os lucros das empresas e de suas equipes de
gestão sem que uma parte fundamental desse sucesso, ou seja, os criadores da arte na
qual seus programas se baseiam, tenham recebido algo em troca.
Nos últimos meses, vem crescendo o consenso de que a inteligência artificial precisa ser
[35] regulamentada. E o mesmo acontece com as ferramentas generativas que já estão sendo
usadas por milhões de pessoas em todo o mundo.
O Parlamento Europeu propôs recentemente obrigar os fornecedores desse tipo de
software a tornar público "um registro suficientemente detalhado do uso de dados
protegidos por leis de direitos autorais", entre outras exigências. Nos próximos meses,
[40] uma nova regulamentação para essas tecnologias será aprovada no continente europeu
e deverá ser implementada por todos os estados-membros da União Europeia.
As propostas para evitar o uso negligente do trabalho de artistas muitas vezes anônimos
também estão vindo da própria profissão. A iniciativa “Arte es Ética” (Arte é Ética), por
exemplo, é promovida por coletivos de artistas da América Latina e da Espanha que
[45] advogam um controle muito mais rigoroso sobre a inteligência artificial generativa.
Seus membros exigem, entre outras medidas, que haja consentimento prévio e explícito
do autor para que uma obra seja usada no treinamento de softwares desse tipo. Exigem
também que as imagens produzidas por meio dessas ferramentas incluam por lei uma
marca d'água e uma assinatura digital com informações sobre a porcentagem de
[50] automação utilizada no processo de criação e o nome do usuário que a gerou, entre
outros dados. Eles também reivindicam que essas ferramentas de software cancelem
a função atualmente disponível de usar os nomes dos próprios artistas para replicar seu
estilo ou trabalho, caso esses criadores não tenham concordado em ser incluídos no banco
de dados de treinamento do programa.
[55] Nos próximos meses, certamente veremos mais propostas que busquem avançar em
direção a um uso responsável da IA no mundo da arte. O que está em jogo é a construção
de uma cultura mais justa e inclusiva com todos os atores envolvidos.
Fonte:https://operamundi.uol.com.br/opiniao/81792/cultura-ia-e-poder-como-os-artistas-estao-se-levantando-contra-atecnologiada-moda. Acesso em: 08/08/2023. (Adaptado).
Assinale a alternativa que define CORRETAMENTE a função, no texto, de ambos os termos indicados:
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