Questão 3 - FACMAR 2024
Texto 1
QUALIDADE DE VIDA
ACÚMULO DE TAREFAS E DISTÚRBIOS DO SONO PREJUDICAM AS NOITES E A SAÚDE DE HABITANTES DE GRANDES CIDADES.
Você acorda com os repetitivos e incessantes disparos do despertador martelando em seu ouvido e pensa:
“Já? Não é possível”. Levanta a cabeça e vê com desgosto a claridade do dia entrando pela janela, mas alguns
minutinhos de sono extra não o atrasarão. Ativa então a função “soneca” do celular. Após dez minutos – que
mais pareceram dez segundos – o barulho recomeça, e está na hora de encarar mais um dia de trabalho com
[05] a sensação de não ter descansado o suficiente.
A qualidade do sono está diretamente ligada à qualidade de vida do ser humano. Enquanto dormimos,
nosso organismo realiza funções extremamente importantes: fortalecimento do sistema imunológico,
secreção e liberação de hormônios, consolidação da memória, entre outras. Porém, a falta de tempo de
descanso provocada pelo corrido cotidiano urbano, aliada aos inúmeros distúrbios noturnos que atingem
[10] boa parte da população, prejudica o desempenho dessas funções.]
A privação do sono atinge principalmente jovens e adultos. O excessivo acúmulo de tarefas torna habitual
trocar algumas horas na cama por um pouco mais de tempo para terminar os afazeres. Médicos recomendam
que se durma cerca de 8 horas por dia, e estudos recentes feitos na Europa, nos Estados Unidos e no Japão
mostraram, inclusive, que quem cumpre a agenda tem maior expectativa de vida. As consequências de um
[15] sono de má qualidade vão de estresse e ansiedade, a curto prazo, a complicações cardiovasculares após
alguns anos.
Os distúrbios do sono prejudicam a qualidade do descanso, muitas vezes já precária por ser em tempo
reduzido, causando ou acentuando problemas de saúde. A apneia é apenas um dos cerca de cem que
atingem moradores de grandes cidades. Ao lado principalmente da insônia, é dos mais comuns: afeta 33%
[20] da população paulistana adulta, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto do Sono da Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp).
A doença é caracterizada por eventos de pausas respiratórias durante a noite que duram mais de dez
segundos e que são consideradas anormais quando ocorrem mais de cinco vezes por hora de sono. O ronco
é um indicativo. “Quando dormimos, a musculatura da faringe relaxa e podem ocorrer obstruções na via
[25] aérea. É fisiológico isso”, explica Geraldo Lorenzi. A obesidade, portanto, contribui para essa obstrução, já
que o depósito de gordura na via aérea superior estreita a garganta.
No Laboratório do Sono do InCor, Lorenzi e sua equipe estudam a relação da apneia com riscos e complicações
cardiovasculares. “O sono é o momento de descanso, entre outras coisas, do sistema respiratório, do
cardiovascular e do cérebro. Nele, há diminuição da pressão arterial, da frequência cardíaca e da respiração”,
[30] comenta o pneumologista. Segundo ele, a apneia obstrutiva, uma vez presente, piora os efeitos de doenças
do sistema circulatório. “É uma relação causal meio misturada”, explica.
“Aproximadamente 70% dos apnéticos possuem hipertensão arterial, por exemplo, e 30% dos que têm
hipertensão arterial são também apnéticos”. Quando o distúrbio é tratado e atenuado, vê-se uma melhora
no quadro de hipertensão. Além disso, arteriosclerose, fibrilação arterial – tipo mais comum de arritmia
[35] cardíaca –, aumento do risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral), de infarto agudo do miocárdio e até de
diabetes estão associados à apneia obstrutiva.
A insônia também é muito comum. Pesquisas da Unifesp mostram que 40% dos paulistanos em geral
se queixam dela, sendo 15% deles diagnosticados como insones. A questão é que existem dois tipos: a
situacional – sentida por qualquer um em períodos de ansiedade e nervosismo, como antes de provas
[40] importantes – e a crônica, quando os problemas para dormir duram mais de um mês. “Nesse caso, a pessoa
tem que fazer um tratamento para ver qual é a causa e combatê-la”, explica Rubens Reimão. A falta de sono à
noite faz com que a pessoa fique agressiva e ansiosa durante o dia seguinte. A longo prazo, prejudica a saúde
por não deixar o corpo cumprir as funções que executa quando dorme, além de poder causar depressão.
Outros distúrbios são menos comuns, mas quando ocorrem também complicam a qualidade do sono:
[45] bruxismo – ranger e apertar com força excessiva os dentes durante a noite –, sonambulismo e síndrome das
pernas inquietas – necessidade irresistível de movimentar os membros inferiores por causa de um extremo
desconforto – são alguns deles.
Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), 40% da população mundial não dorme como
gostaria e sofre de algum distúrbio do sono. Poucos são os que se preocupam em resolver os problemas.
[50] Conforme declara Geraldo Lorenzi, “dormir é uma função essencial, tão importante quanto comer ou beber
água, mas parece que nossa sociedade, a sociedade da vigília, se esqueceu disso.”
Jornal da USP. Disponível em: https://biton.uspnet.usp.br/espaber/?materia=a-importancia-de-dormir-bem#:~:text=As%20consequ%C3%AAncias%20de%20 um%20sono,complica%C3%A7%C3%B5es%20cardiovasculares%20ap%C3%B3s%20alguns%20anos.&text=O%20primeiro%20passo%20para%20uma,ser%20 sintoma%20de%20algum%20dist%C3%BArbio. Acesso em 26 jan. 2024.
Observe: “Enquanto dormimos, nosso organismo realiza funções extremamente importantes: fortalecimento do sistema imunológico, secreção e liberação de hormônios, consolidação da memória, entre outras.” (l. 6-8)
Para manter a coerência acerca das funções do sistema imunológico, o enunciador usa o seguinte procedimento de coesão:
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