Questão 35 - PAS - UFLA 1 Etapa 2 Dia 2020-2022
TEXTO 2
Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras
não era a beleza das frases, mas a doença delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto
esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
-Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me
disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença, pode muito
que você carregue para o resto da vida um certo gosto por
nadas. . .
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os
ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
agramática.
Fonte: In.:BARROS, Manuel de. O livro das ignorãças. 3aed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1993, p. 89.
Leia as proposições a seguir a respeito do texto 2:
I - O poeta identifica-se como um nativo da região, que tem contato direto com a realidade da língua e da terra e por isso tem legitimidade em sua criatividade e estilo de linguagem.
II - Padre Ezequiel desconsidera a diversidade linguística e critica a criatividade do poeta no uso de uma linguagem coloquial.
III - Padre Ezequiel é considerado como o primeiro professor de gramática do poeta, ou seja, alguém que legitimou o estilo de linguagem do autor que, por vezes, foge às regras gramaticais.
IV - O poeta já no início da adolescência se identificava como alguém diferente pelo gosto de estruturas incomuns.
V - Tanto o poeta quanto o seu preceptor concluem que não é preciso ter cuidado para produzir defeitos na frase.
Assinale a alternativa CORRETA:
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