Questão 59 - PAS - UFLA 1 Etapa 2025-2027
Leia o fragmento, extraído da obra Boca do inferno, de Ana Miranda, para responder à questão
“Triste Bahia, oh quão dessemelhante estás, e estou, do nosso antigo estado”, recitou Gregório de Matos. Foi até a janela. Sentiu um perfume de rosas. Bebeu mais uma caneca de vinho. O barrilote estava quase no fim. “Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado, rica te vejo eu já, tu a mi abundante.” Na barra, navios mercantes estavam atracados. Pondo os olhos na sua cidade, Gregório de Matos reconhecia que os mercadores eram o primeiro móvel da ruína, que ardia pelas mercadorias inúteis e enganosas. “A ti tocou te a máquina mercante que em tua larga barra tem entrado; a mim foi-me trocando e tem trocado tanto negócio, e tanto negociante.” Ficou à janela, em silêncio.
MIRANDA, Ana. Boca do inferno. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 110.
O fragmento acima demonstra:
(I) o aspecto histórico do romance em questão, que revisita eventos e figuras públicas do século XVII para propor uma releitura desse período a partir da ficção.
(II) a estruturação do romance em questão por procedimentos de intertextualidade, como a citação e a paráfrase, fazendo dialogar o discurso poético de Gregório de Matos e o discurso ficcional de Ana Miranda.
(III) o viés satírico da poesia de Gregório de Matos ao criticar e denunciar as negociações mercantilistas do período colonial, acentuadamente desfavoráveis para o Brasil e Portugal e favoráveis para Inglaterra e França.
(IV) a exploração, pelo poeta, da tensão entre os ideais humanista e religioso, tão acentuada no período barroco.
Avalie as proposições acima quanto à sua veracidade (V) ou falsidade (F). Em seguida, assinale, abaixo, a alternativa que apresenta a correspondência CORRETA.
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