Questão 7 - UNIFENAS Tarde 2025/2
Leia o extrato de um artigo publicado na revista Nature em 19/03/25
Há muito que os cientistas sabem que os neutrófilos fazem guerra química libertando toxinas para matar os microrganismos invasores. Mas o novo trabalho, publicado hoje na Nature, revela “um papel adicional para os neutrófilos que não tínhamos verificado”. Os resultados mostram que os neutrófilos ajudam na cicatrização de feridas, e não são apenas guerreiros imunitários, acrescenta.
Para investigar se os neutrófilos têm outro truque na manga, os investigadores examinaram amostras de pele, pulmões e intestino de ratos, órgãos que têm contato com o ambiente externo e são revestidos com camadas protetoras para ajudar a afastar agentes patogênicos e substâncias estranhas. Os pesquisadores descobriram que uma elevada percentagem de neutrófilos nestes tecidos produz colágeno e outras proteínas que são importantes para a formação da “matriz extracelular”, uma estrutura que envolve as células e dá estrutura aos tecidos.
Para testar se essas células desempenham um papel na manutenção da estrutura da pele, os investigadores criaram ratos com níveis anormalmente baixos de neutrófilos, uma condição conhecida como neutropenia. A equipe descobriu que estes ratos tinham fibras de colágeno mais finas na pele do que os ratos com níveis normais de neutrófilos e que a sua pele era mais frágil. “A consequência foi que a pele se tornou uma barreira muito menor, que é o que deveria ser”, afirmam os cientistas.
Em seguida, analisaram o papel dos neutrófilos produtores de colágeno na cicatrização de feridas. Picaram a pele das orelhas dos ratos com uma agulha e monitorizaram a evolução das feridas ao longo de nove dias. Observaram uma onda inicial de neutrófilos que chegaram à ferida, limparam os detritos e morreram em 24 horas.
No segundo dia após a lesão, uma segunda leva de neutrófilos tinha aparecido na ferida, e estes podiam produzir colágeno, formando anéis visíveis de matriz extracelular à volta dos locais de punção. Um anel pode medir até um milímetro de diâmetro. É “como uma espécie de atadura rápida de neutrófilos, que não permite a entrada de micróbios”, diz o cientista responsável.
No terceiro dia, os investigadores aplicaram Staphylococcus aureus, uma bactéria potencialmente perigosa, nas feridas e mediram a sua propagação. Nos ratos com níveis normais de neutrófilos e anéis de colágeno intatos, a bactéria permaneceu perto da superfície da ferida e não penetrou no tecido subjacente. Mas, nos ratos com neutropenia, a bactéria espalhou-se mais profundamente na carne e formou mais colônias.
As descobertas abrem novos caminhos para a compreensão das condições de saúde que resultam da neutropenia. As pessoas com neutropenia podem ter “feridas orais recorrentes, úlceras e atraso na cicatrização de feridas na pele”, os quais têm sido atribuídos a problemas com a regulação imunitária, que é realizada pelos neutrófilos, dizem os cientistas. Mas os últimos trabalhos mostram outra forma, para além da regulação inflamatória, por meio da qual níveis insuficientes de neutrófilos podem contribuir para uma má cicatrização das feridas.
Traduzido de https://www.nature.com/articles/d41586-025-00796-8. Acesso em 20/03/25
Com base no texto e em outros conhecimentos sobre o assunto, é correto concluir que a (o)
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