Questão 72 - UECE Específicas 2 Fase 1 Dia 2025/1
Rede cearense é a mais avançada das tecnologias da humanidade
[1] No momento em que o Ministério da
Educação debate o possível veto do aparelho
celular nas escolas, vejo aqui uma imagem
comovente de São Gonçalo do Amarante, na
[5] Região Metropolitana de Fortaleza. Dá pra sentir
até a brisa do mar no rosto daquelas pequenas
criaturas.
Deitados em redes coloridas, com livros
nas mãos, os meninos e meninas da creche pública
[10] municipal viajam nas histórias e estórias oferecidas
na cidade cearense. Uma iniciativa tão simples,
mas que pode significar uma experiência marcante
na vida desses miúdos.
O balanço das “fiangas” embala a leitura e
[15] as brincadeiras da Creche Viva Criança, tema de
reportagem de Theyse Viana aqui no Diário do
Nordeste. É uma resposta digna e prática que bate
todas as tentações das telas e outras bugigangas
modernas.
[20] Na aldeia dos Anacés, a mais avançada
das tecnologias para a meninada é o projeto Redes
do Saber. A invenção indígena brasileira, citada
por Pero Vaz de Caminha desde a invasão
portuguesa de 1500, segue mais lúdica e
[25] necessária do que nunca.
O gênio potiguar Câmara Cascudo, autor
do clássico “Rede de Dormir – Uma pesquisa
Etnográfica” (Global Editora) aplaudiria de pé essa
ideia do litoral do Ceará. A civilização nordestina, é
[30] bom que se diga, foi praticamente inventada no
balanço da “mãe veia”, como os mais antigos
chamavam suas redinhas.
O livro de Cascudo nos conta toda essa
longa história, com passagens curiosas sobre o
[35] olhar estrangeiro. Repare as impressões de Jean
Nieuhof, holandês que morou no Nordeste entre
1640 a 1649: “Os brasileiros não possuem grande
variedade de utensílios domésticos e seu maior
cuidado é com a rede a que dão o nome de Ini”,
[40] descreveu. “Quando vão dormir, amarram a rede a
duas traves de sua tenda, ou em duas árvores, ao
ar livre, a certa altura do chão, para evitar os
animais daninhos e as exalações pestíferas da
terra”.
[45] Para dormir, para descansar, tirar uma
sesta ou para o prazer da leitura, como a meninada
de São Gonçalo do Amarante, estão para inventar
um utensílio mais incrível e mais evoluído no
planeta. Não existe, a rede cearense é imbatível.
[50] Foi numa fianga que me tornei leitor. Um
leitor improvável no sítio das Cobras, no município
de Santana do Cariri, já nas proximidades de
Aratama. Um redário faz milagres.
Imagina se o doutor Sigmund Freud
[55] tivesse tido a sorte de conhecer esse utensílio com
a marca estilosa do Nordeste. O divã teria sido
trocado na hora. Em uma boa rede de Jaguaruana,
a gente confessa as mais distantes lembranças
encobridoras do fundo da alma.
SÁ, Xico. Rede cearense é a mais avançada das tecnologias da humanidade. Diário do Nordeste. Fortaleza, 26 de out. 2024. Adaptado.
Relacione corretamente os termos destacados nas passagens do texto com as respectivas classificações sintáticas, numerando os parênteses abaixo de acordo com a seguinte indicação:
1. objeto indireto;
2. adjunto adverbial;
3. sujeito;
4. objeto direto.
( ) “Deitados em redes coloridas, com livros nas mãos, os meninos e meninas da creche pública municipal viajam nas histórias e estórias oferecidas na cidade cearense.” (linhas 08-11)
( ) “A civilização nordestina, é bom que se diga, foi praticamente inventada no balanço da ‘mãe veia’, como os mais antigos chamavam suas redinhas.” (linhas 29-32)
( ) “Na aldeia dos Anacés, a mais avançada das tecnologias para a meninada é o projeto Redes do Saber.” (linhas 20-22)
( ) “O livro de Cascudo nos conta toda essa longa história, com passagens curiosas sobre o olhar estrangeiro.” (linhas 33-35)
A sequência correta, de cima para baixo, é:
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