Questão 2 - ESPM 2024/1
Leia o texto abaixo para a questão.
O país do absurdo
(...)
Algo é certo: esperança não tenho em relação ao futuro de um país que não somente é tão desigual, mas também primitivo, complexado, ignorante. Nestas condições, o resultado é tão fatal quanto inelutável. Fiquemos, no entanto, no curto espaço das nossas vidas. Desde o início, cometeu-se o pecado original ao seguir pelo caminho da conciliação: por aqui se destina simplesmente às desavenças entre as elites na hora de cortar o bolo do poder. Refiro-me à minoria rica a habitar a casa-grande, enquanto os pobres, maioria fluvial de comportas rompidas, haverão de se conformar com sua miséria de largo espectro. Daí sermos aferrados à Idade Média da casa-grande e da senzala, ainda e implacavelmente de pé.
Não é, certamente, responsabilidade da natureza a irrefreável decadência do país dono de outro destino. Culpados [são] seus governantes no galope do tempo sempre a favor da minoria gananciosa, com o contraponto esquálido da maioria faminta, frequentemente obrigada a viver ao relento pelas calçadas das metrópoles, ou debaixo de pontes e viadutos, intérprete involuntária de uma tragédia. (...)
O erro era a escolha da política conciliatória, primeira fonte das desgraças atuais. O País é vítima de si mesmo. Ao povo, em lugar de um Estado do Bem-Estar Social, deram-se as migalhas caídas da mesa dos poderosos, chamou-se Bolsa Família e serviu para enganar por algum tempo os beneficiários. Ao mesmo tempo, o governo não conseguia emergir de uma vetusta maneira de fazer política.
E, em nome do status quo, encarava como prova de máxima esperteza a eventual aliança com os inimigos. (...) Algo neste instante constrange mais do que outros fatos, pelo menos aos meus olhos: os índices de baixíssima escolaridade a nos colocar em situações de penúria intelectual muito além das aparências. Quanto à violência e ao ódio a caracterizarem este momento, não esqueçamos que os governos do Brasil nunca puniram a ferocidade da ditadura nos porões da tortura e, mesmo à luz do dia, onde quer que a oportunidade de sustar até a mais tênue tentativa de resistência. (...)
(Mino Carta, revista Carta Capital, 16/ago/2023)
Todas as passagens abaixo se referem diretamente, no contexto do artigo, à imensa camada desfavorecida da população, EXCETO uma.
Assinale-a:
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