Questão 10 - UPE SSA 3ª Fase - 1° Dia 2023
Texto 14
A pobreza é invisível?
“Mas há milhões desses seres Que se disfarçam tão bem Que ninguém pergunta De onde essa gente vem” (Chico Buarque, 1984)
A música Brejo da Cruz, de Chico Buarque, composta em 1984, evidencia o quanto crianças, jovens, mulheres, homens, idosos empobrecidos são invisibilizados em nossa sociedade. Esse fenômeno da “invisibilidade da pobreza”, presente no curso histórico da humanidade e das sociedades, permanece pouco discutido, pouco problematizado.
Compreendo a pobreza como um fenômeno histórico e social, produzido historicamente, resultado de decisões políticas que impactam diretamente as formas de vida da população. Esse entendimento sobre a pobreza está para além do aspecto da renda, já que se constitui na violação de direitos, como o não acesso – ou acesso insuficiente – a serviços básicos, a negação de condições dignas de moradia, de participação política e social e a privação na alimentação.
Reflexo de uma sociedade marcada por um sistema econômico capitalista, cujo objetivo é a acumulação de bens por uma minoria e a expropriação e miséria de grande parte da população, a pobreza acontece como parte estrutural para a manutenção desse sistema, haja vista a forma desigual e injusta de distribuição da renda entre as classes sociais. A pobreza acontece nos limites do (sobre)viver e está nos diferentes espaços: nas ruas, nas praças, debaixo das pontes, nas periferias das cidades. Todavia, por mais que, diariamente, nos deparemos com essas imagens, a pobreza é naturalizada e, muitas vezes, os sujeitos são culpabilizados por sua condição social e, ainda, a pobreza não é problematizada nos noticiários, nas redes sociais, nos jornais.
Quem são esses seres, anunciados por Chico Buarque na canção? É preciso ressaltar, e em letras garrafais, que A POBREZA É UMA REALIDADE NA VIDA DE MILHÕES DE BRASILEIROS, que cotidianamente lutam para (sobre)viver, muitas vezes, sem condições adequadas de moradia, sem acesso a água tratada, sem saneamento básico ou o mínimo para fazer a refeição diária, vivendo em situação de fome e extrema miséria. Mas, mesmo assim, a pobreza é invisível!
Já tivemos governos progressistas, que engendraram políticas com a finalidade de minimizar as desigualdades sociais, de enfrentamento à pobreza e que levaram o Brasil a sair do mapa da fome. Contudo, na atual condição político-social em que vivemos, a pobreza vem se agravando, reflexo de políticas que desconsideram a pandemia, os problemas sociais, o que afeta a seguridade social, expropriando direitos sociais da população – antes garantidos constitucionalmente – resultando em mais desemprego, mais desigualdade e mais pobreza. São decisões políticas e econômicas que colocam à margem os mais empobrecidos.
Chico Buarque alerta-nos, poeticamente, sobre a realidade da pobreza no país, impele-nos a ver mais além, superando visões estereotipadas, e nos convoca a direcionar olhares para essa condição social, problematizando-a como resultado de ações governamentais, e não como responsabilidade dos sujeitos.
MATIAZZI, Shellen de Lima. A pobreza é invisível? Disponível em: http://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/a-pobrezae-invisivel. Acesso em: 17 jul. 2022. Adaptado.
Texto 15

Disponível em: https://m.facebook.com/canalumbrasil/photos/ a.1417981121561358/2940448425981279/ Acesso em: 01 ago. 2022
Uma leitura do Texto 15 articulada ao tema do Texto 14 permite que o leitor chegue às seguintes conclusões:
1) os super-heróis são os transeuntes que passam apressados.
2) indiferentes e invisíveis são identificados, também, poretnias.
3) a falta de empatia dos transeuntes parece deliberada, proposital.
4) o diálogo entre os personagens se dá sob o viés da ira, da revolta.
Estão CORRETAS, apenas:
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