Questão 1 - UFT Manhã 2022/2
Leia o texto a seguir para responder a questão.
Texto
Lutas, conquistas e desafios das Mulheres na Ciência
De 1907 a 1910, a física austríaca Lise Meitner realizou suas primeiras experiências sobre radiação no porão do Instituto de Química de Berlim. Doutora em Física Nuclear, ela e outras mulheres eram proibidas de acessar os laboratórios, salas de estudos e auditórios do Instituto, espaços que eram reservados apenas para pesquisadores homens. As pesquisas iniciadas no laboratório improvisado no porão foram fundamentais para que, alguns anos depois, Lise pudesse decifrar a "experiência do século”, explicando que o núcleo do átomo podia ser seccionado e liberar enormes quantidades de energia. Mas foi seu colega Otto Hahn – que estudava no andar superior – que recebeu o Prêmio Nobel de Química pela experiência de fissão que ela iniciara e explicara.
Mais de cem anos se passaram e, hoje, graças à luta de movimentos feministas e ao esforço de cientistas como Lise Meitner, as mulheres estão nos laboratórios, nas salas de aula e nas bibliotecas de grande parte das universidades e centros de pesquisa. No Brasil, desde a primeira década do século 21, elas são maioria em todos os níveis de ensino e entre os bolsistas de iniciação científica, mestrado e pós-doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Porém, conforme a carreira avança, as disparidades começam a aparecer. Mulheres são minoria quando se trata dos critérios de institucionalização como pesquisadoras, chegando a 46% dos docentes universitários, 42% dos líderes de grupos de pesquisa e apenas 25% dos bolsistas Sênior de Produtividade em Pesquisa (PQ), a mais alta categoria de apoio do CNPq a cientistas do país.
As causas para a presença ainda pequena no topo da carreira científica no Brasil são as mesmas que impedem o crescimento profissional das mulheres em outras áreas. “Seguramente, esta disparidade é decorrente do papel que a mulher ainda precisa assumir em nossa sociedade hodierna: o papel de guardiã e cuidadora do âmbito privado. É a mulher que fica responsável, muitas vezes integralmente, pelos afazeres e cuidados destinados à manutenção laboral e mesmo afetiva da esfera doméstica. Isso significa que, se a mulher desejar ter uma carreira profissional, precisará arranjar tempo e disposição extra para isso”, explica a professora do curso de Filosofia, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Idete Teles dos Santos. Essa cobrança e expectativa desiguais das tarefas domésticas entre homens e mulheres, somadas às exigências de alta produtividade e competitividade do campo científico, tornam-se um desafio para as mulheres pesquisadoras. “Seria fundamental acabar com essa exigência da mulher polivalente e, ao mesmo tempo, oferecer condições iguais à mulher para o mundo público, do trabalho e da ciência”, completa a docente.
O esforço para tornar os ambientes de pesquisa mais igualitários não objetiva somente a melhora da situação da mulher. Já há pesquisas que mostram, por exemplo, que as empresas que têm um ambiente mais igualitário, tanto em termos de gênero quanto em termos étnicos, têm melhores resultados em termos de inovação e lucro. Para Idete Teles dos Santos, no âmbito da pesquisa científica não é diferente. “Pessoas diferentes têm saberes, perspectivas, universos, mundos diferentes; e a interação entre essas pessoas promove o confronto de ideias, promove a mudança, o novo”.
Fonte: Vida Universitária. Universidade Federal da Integração Latino-Americana. 08 março 2019. Disponível em: https://portal.unila.edu.br/noticias/mulheres-na-ciencia. Acesso em: 7 março 2022. (adaptado).
De acordo com o Texto, assinale a alternativa CORRETA sobre as mulheres no meio científico.
![[Marketing] Primeira Questao](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6e09902a8e108d73cce3c7b9272eb1de_simulado_home_treineiro_desk.png)