Questão 3 - ACAFE Medicina - Inverno 2025/2
Texto 1
Quase 11 milhões de brasileiros apostam de modo a pôr em risco a saúde e as finanças
Estimativa resulta de levantamento que entrevistou 4.860 pessoas com mais de 14 anos em 349 municípios
Por Mariana Ceci da Revista Pesquisa FAPESP
[1] Atualmente, 10,9 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, o correspondente a 6,8% da população nessa faixa
etária, jogam de forma a criar para si próprios problemas emocionais, familiares, econômicos ou com o trabalho e são
classificados como jogadores de risco. O mais preocupante é que cerca de um em cada oito desses jogadores – o que
equivale a 1,4 milhão de pessoas ou 0,8% da população acima dos 14 anos – apresenta um padrão de apostas mais
[5] comprometedor, compatível com o diagnóstico do transtorno do jogo, uma enfermidade caracterizada pelo desejo
incontrolável de jogar mesmo diante de prejuízos.
Atualmente, a dependência do jogo é a terceira mais comum entre os brasileiros. Supera a da cocaína e do crack e
fica atrás apenas da do álcool e do tabaco. "Esse transtorno se manifesta quando a pessoa perde o controle sobre o hábito
de apostar, que passa a ocupar um papel central em sua vida e traz prejuízos significativos”, explica o psiquiatra Daniel
[10] Spritzer. “Isso inclui apostar mais do que se deveria ou poderia, perder dinheiro e voltar a apostar para tentar recuperá-lo
ou precisar aumentar cada vez mais os valores para sentir o mesmo prazer inicial”.
Há três grupos de apostadores que correm mais risco de desenvolver o transtorno do jogo: os adolescentes, as
pessoas de mais baixa renda e os adeptos das plataformas de apostas on-line. O jogo é proibido no Brasil para menores
de 18 anos. Mesmo assim, 4% dos apostadores identificados no estudo eram adolescentes. Embora seja um grupo
[15] pequeno, concentra uma das mais elevadas proporções de pessoas com risco de desenvolver transtorno do jogo: 55,4%.
“O cérebro dos adolescentes ainda está em desenvolvimento. Por isso, eles são mais influenciáveis pela publicidade, que
é ostensiva e voltada ao público jovem. A literatura médica indica que adolescentes correm um risco de 2 a 4 vezes maior
do que os adultos de desenvolver problemas com jogos de azar”, conta Spritzer.
Um dos fatores que tornam as plataformas digitais mais perigosas é a ilusão de controle que proporcionam aos
[20] apostadores. “No caso das bets, os jogadores acreditam que podem compreender e manipular os resultados de algo que,
na realidade, é aleatório”, explica a pesquisadora responsável pelo estudo Clarice Sandi Madruga. Essa racionalização,
segundo Madruga, assemelha-se à de usuários de drogas como cocaína e crack, que muitas vezes acreditam ter controle
sobre o próprio consumo e não se enxergam como parte do grupo de pessoas com problemas.
“O estudo deixa claro que o jogo é uma ferramenta poderosa para gerar transtornos, em uma proporção que já
[25] ultrapassou a de quase todas as drogas psicoativas. É fundamental implementar regulações mais rígidas para proteger os
mais vulneráveis”, enfatiza.
Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/quase-11-milhoes-de-brasileiros-apostam-de-modo-a-por-em-risco-a-saude-e-as-financas/.
Atualizado em 15 abr 2025. Acesso em: 5 de maio de 2025. Adaptado.
Selecione a alternativa CORRETA sobre o sentido do termo “isso” (linha 10), no Texto 1.
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