Questão 10 - USS (Univassouras) Medicina 2024/2
[1] A evolução tecnológica e a inovação dos recursos médicos tornaram crescentes e impulsionaram a busca
por procedimentos realizados pela Medicina no Brasil e, como consequência, o número de erros médicos
também aumentou. O erro médico advém de uma conduta inadequada, capaz de produzir dano à vida
ou agravo à saúde do seu paciente, por ação ou omissão do profissional médico, mediante imperícia,
[5] imprudência ou negligência. Essa situação tem se tornado cada vez mais comum nos cenários nacional e
internacional. No Brasil, não se tem uma dimensão exata do número de pessoas acometidas pelo erro médico,
como, também, não há pesquisas aprofundadas envolvendo a subjetividade e o sofrimento das vítimas
na literatura nacional. Pode-se observar, dentre outros aspectos, que vítimas de erro médico inicialmente
demoram para acreditar no que estão vivenciando, ficando perplexas e indignadas diante do erro médico
[10] do qual foram vítimas. Verificou-se que algumas souberam por outros profissionais da ocorrência do erro, e
nenhum dos médicos que cometeu o erro foi o responsável pelo suporte na condução da correção. Assumir
que errou foi pouco visto nos discursos e atitudes dos médicos envolvidos. Os sentimentos de ódio, raiva e
desespero tomam conta da vivência das vítimas. A rotina de vida se modifica, e as vítimas se tornam, muitas
vezes, dependentes e impossibilitadas de continuar com suas responsabilidades e afazeres. As narrativas das
[15] vítimas indicaram que cada indivíduo tem seu modo subjetivo de enfrentar e reagir ao erro, e o sofrimento
é um elemento peculiar a esse processo. O conceito de erro médico, formulado pelas vítimas, apresenta
uma conotação negativa e representa uma atuação profissional sem qualidade, retratando a realidade do
contexto sanitário que o país vive, sem respeito e consideração pelo paciente. Sobre o julgamento dos casos,
as vítimas destacaram a demora na deliberação do processo e sentiram-se surpresas quanto às brandas
[20] punições aplicadas aos médicos condenados. Com base nas reflexões, é possível apontar que o estigma
do erro médico tem uma forte ligação com juízos culturais e de valor impostos no país, o que dificulta a
sua aceitação tanto para a vítima quanto para o profissional. A relação médico e paciente tem se mostrado
desgastada, sem haver respeito e consideração à individualidade da pessoa como paciente, distanciando
o médico de uma prática humanizada e dos aspectos bioéticos. As narrativas permitem um pensar sobre o
[25] sofrimento psíquico das vítimas e ajudam a compreender melhor os aspectos emocionais, comportamentais
e sociais de uma vítima de erro médico no Brasil. A partir das análises, identificou-se a necessidade de um
olhar mais cauteloso e atento da Psicologia para o cuidado à saúde mental dos envolvidos no erro.
Adaptado de USP. Disponível em: /https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-12082015-153718/publico/mendonca_do.pdf. Acesso em 30 de maio de 2024.
O trecho em que a palavra “se” também pode aceitar a ideia de reflexividade da ação verbal é:
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