Questão 46 - Campo Real Medicina 2024/1
O excerto a seguir, retirado da narrativa “Conversa de bois”, de Guimarães Rosa, é referência para a questão abaixo.
Que já houve um tempo em que eles conversavam, entre si e com os homens, é certo e indiscutível, pois que bem comprovado nos livros das fadas carochas. Mas, hoje-em-dia, agora, agorinha mesmo, aqui, aí, ali e em toda a parte, poderão os bichos falar e serem entendidos, por você, por mim, por todo o mundo, por qualquer um filho de Deus?!
– Falam, sim senhor, falam!... – afirma o Manuel Timborna, das Porteirinhas, – filho do Timborna velho, pegador de passarinhos, e pai dessa infinidade de Timborninhas barrigudos, que arrastam as calças compridas e simulam todos os mesmo tamanho, a mesma idade e o mesmo bom-parecer; – Manuel Timborna, que, em vez de caçar serviço para fazer, vive falando invenções só lá dele mesmo, coisas que as outras pessoas não sabem e nem querem escutar.
– Pode ser que seja, Timborna. Isso não é de hoje:... “Visa sub obscurum noctis pecudesque locutae. Infandum!...” Mas, e os bois?
Os bois também?...
– Ora, ora!... Esses é que são os mais!... Boi fala o tempo todo. Eu até posso contar um caso acontecido que se deu.
– Só se eu tiver licença de recontar diferente, enfeitado e acrescentado ponto e pouco...
– Feito! Eu acho que assim até fica mais merecido, que não seja.
E começou o caso, na encruzilhada da Ibiúva, logo após a cava do Mata-Quatro (...).
ROSA, J. Guimarães. Sagarana. Rio de Janeiro: Editora nova Fronteira, s. d., p. 303-304.
Com base no excerto acima e na leitura integral da narrativa, é correto afirmar que a história que chega ao leitor é resultado da:
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