Questão 45 - Campo Real Medicina 2024/1
Considere a seguinte passagem retirada do romance Casa de pensão (1884), de Aluísio Azevedo.
E voltando-se [Coqueiro] confidencialmente para Amâncio:
– O Doutor, decerto, encontrará muita mulher perigosa, de quem deve fugir como o diabo da cruz; mas terá também ocasião de ver algumas raparigas bem educadas, honestas e inteligentes. Não as vá procurar na alta sociedade, não, que aí se escondem as piores! mas indague-as cá por baixo, na mediocracia, que as há de descobrir. E olhe, se quer aceitar um conselho de amigo, case-se! Não há melhor vidinha! Estou casado há três anos e ainda não tive um segundo de arrependimento!... Ao menos conserva-se a saúde, desenvolve-se o espírito e trabalha-se mais... O método, homem! o método é o segredo da existência!
E, puxando a cadeira para mais perto de Amâncio falou-lhe em voz baixa. Que no Rio de Janeiro era preciso ter um amigo sincero, não que “primasse nos menus”, mas que fosse capaz, que tivesse imputabilidade moral! – Amâncio estava defronte de duas estradas; uma que conduzia à verdadeira felicidade e outra que conduzia à desordem, ao vício e à completa desmoralização! Que se não deixasse levar pelos pândegos!... E olhava à esconsa os dois outros companheiros [Paiva e Simões]. Aquilo era gente sem nada a perder!... Amâncio, enfim, que aparecesse no domingo e teriam ocasião de falar mais de espaço. Não deixasse de ir: havia muito que dizer e conversar.
AZEVEDO, Aluísio. Casa de pensão. São Paulo: Editora Martins, 1968, p. 49-50
Com base no excerto e no desenvolvimento do enredo, os comentários de Coqueiro indicam que ele:
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