Questão 37 - Campo Real Medicina 2025
O texto a seguir é referência para a questão abaixo.
No panteão da arte renascentista, a Mona Lisa de Leonardo da Vinci é um ícone inigualável. Esse retrato de meio corpo é mais do que apenas uma obra-prima artística; ele incorpora o fascínio de uma era marcada por um florescimento cultural sem igual. No entanto, sob a superfície do sorriso indescritível da Mona Lisa está um debate que toca a própria essência da Renascença, sua política e o papel das mulheres na história.
A intriga da Mona Lisa, também conhecida como La Gioconda, não se deve apenas às técnicas revolucionárias de pintura de Leonardo. Mais de meio milênio desde que foi pintada pela primeira vez, a verdadeira identidade da Mona Lisa continua sendo um dos maiores mistérios da arte, intrigando tanto estudiosos quanto entusiastas.
A pintura tem sido tradicionalmente associada a Lisa Gherardini, a esposa do comerciante de seda florentino Francesco del Giocondo. Mas outra teoria convincente sugere uma pessoa diferente: Isabela de Nápoles.
Isabela de Nápoles nasceu na ilustre Casa de Aragão, em Nápoles, em 1470. Ela era uma princesa que estava profundamente entrelaçada na estrutura política e cultural do Renascimento.
Seu casamento em 1490 com Gian Galeazzo Sforza, duque de Milão, colocou Isabela no centro da política italiana. E esse papel foi complicado pelas ambições e maquinações de Ludovico Sforza (também chamado de Ludovico il Moro), tio de seu marido e usurpador do ducado milanês.
A teoria de que Isabela é a verdadeira Mona Lisa é apoiada por uma combinação de análises estilísticas, conexões históricas e reinterpretações da intenção de Leonardo como artista.
Em sua biografia de Leonardo, o autor Robert Payne aponta para estudos preliminares do artista que apresentam uma semelhança impressionante com Isabela por volta dos 20 anos de idade. Para Payne, Leonardo capturou Isabela em diferentes estágios da vida, inclusive durante a viuvez, como retratado na Mona Lisa.
O estudo de 1988 da artista americana Lillian F. Schwartz usou raios X para revelar um esboço inicial de uma mulher escondida sob a pintura de Leonardo. Ela propõe que o trabalho foi feito integrando características específicas do modelo inicial com as características do próprio Leonardo. Essa possibilidade é apoiada pelos historiadores da arte Jerzy Kulski e Maike Vogt-Luerssen.
De acordo com a análise detalhada de Vogt-Luerssen sobre a Mona Lisa, os símbolos da casa dos Sforza e a representação do traje de luto se alinham com as circunstâncias conhecidas da vida de Isabela.
Da mesma forma, Kulski destaca os desenhos heráldicos do retrato, que seriam atípicos para a esposa de um comerciante de seda. Ele também sugere que a pintura mostra Isabela de luto por seu falecido marido.
A expressão enigmática da Mona Lisa também captura o estado descrito por Isabela após 1500 de estar “sozinha no infortúnio”. Ao contrário de representar uma mulher rica e recém-casada, o retrato exala a aura de uma viúva virtuosa.
A teoria de que Isabela de Nápoles poderia ser a verdadeira Mona Lisa é uma profunda reavaliação do contexto da pintura, abrindo novos caminhos para a apreciação da obra.
Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/cultura/noticia/2024/05/quem-realmente-foi-mona-lisa-teoria-afirma-que-ela-pode-ter-sido-uma-rainha.ghtml. Adaptado
Considere o trecho a seguir:
Mais de meio milênio desde que foi pintada pela primeira vez, a verdadeira identidade da Mona Lisa continua sendo um dos maiores mistérios da arte, intrigando tanto estudiosos quanto entusiastas.
A expressão “tanto... quanto” é utilizada para:
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