Questão 46 - UDESC Inverno Manhã 2024/2
Texto
O vento que vinha trazendo a Lua
[1] Eu estava no apartamento de um amigo, no Posto 6, e quando cheguei à janela
vi a Lua: já havia nascido toda e subido um pouco sobre o horizonte marinho,
avermelhada. Meu amigo fora lá dentro buscar alguma coisa e eu ficara ali, sozinho,
naquela janela, presenciando a ascensão da Lua cheia.
[5] Havia certamente todos os ruídos da cidade lá embaixo, havia janelas acesas
de apartamentos. Mas a presença da Lua fazia uma espécie de silêncio superior de
majestade plácida; era como se Copacabana regressasse ao seu antigamente sem
casas, talvez apenas alguma cabana de índio humilde entre cajueiros e pitangueiras e
árvores de mangue, talvez nem cabana de índio nenhum, índio não iria morar ali sem
[10] ter perto água doce. Mas daria essa impressão de coisa antiga, esse mistério remoto.
Era um acontecimento silencioso e solene pairando da noitinha e no tempo, alguma
coisa que irmana o homem e o bicho, a árvore e a água a Lua...
Foi então que passou por mim a brisa da terra; e essa brisa que esbarrava em
tantos ângulos de cimento para chegar até mim ainda tinha, apesar de tudo, um vago
[15] cheiro de folhas, um murmúrio de grilos distantes, um segredo de terra anoitecendo.
E pensei em uma pessoa; e sonhei que poderíamos estar os dois juntos, vendo
a ascensão da Lua; deslembrados, inocentes, puros, na doçura da noitinha, como
bichos mansos vagamente surpreendidos e encantados perante o mistério e a beleza
eterna da Lua.
Dezembro, 1990.
Braga, Rubem. 100 crônicas escolhidas; seleção e prefácio Gustavo Henrique Tuma. 1ª. Ed. São Paulo: Globo editora, 2022, p. 47.
Analise as proposições referentes à crônica O vento vinha trazendo a Lua.
I. Na linha 6 há o conector mas. O uso desse conector é uma forma de estabelecer coesão ao texto, para que haja uma melhor conexão entre as informações. Nesse caso, o mas é usado para uma relação de causa e consequência com a frase anterior, ou seja, fala dos ruídos da cidade e depois do silêncio representado.
II. O pretérito mais-que-perfeito do indicativo é um tempo verbal empregado para indicar uma ação passada que ocorreu antes de outra, também no passado. Na frase, "Meu amigo fora lá dentro buscar alguma coisa e eu ficara, sozinho, naquela janela (linhas 3 e 4), os verbos em destaque se encontram no tempo mais-que-perfeito.
III. O contexto da crônica acima nos leva ao saudosismo, tendo em vista que há emoções envolvidas nos comentários do narrador, sendo a Lua o objeto que emana a beleza dos sentimentos.
IV. No trecho, "presenciando a ascensão da Lua cheia" (linha 4), a palavra em destaque significa que a Lua está se acendendo, mostrando sua luz, sua claridade que vem iluminar o ambiente descrito.
V. Em "havia janelas acesas de apartamentos" (linhas 5 e 6), o verbo haver, em destaque, está no singular porque é impessoal. Caso queira substituí-lo pelo verbo existir, esse deve ser escrito na forma plural, para concordar com os termos "janelas acesas".
Assinale a alternativa correta.
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