Questão 1 - URCA Dia 2° 2025/1
Ao considerarmos uma perspectiva histórica do ponto de vista europeu ocidental, o historiador brasileiro medievalista, Hilário Franco Júnior, considera que na Europa, "a Idade Média estava naquele que os especialistas chamam de Antigo Regime Demográfico, típico das sociedades agrárias, pré-industriais: alta taxa de natalidade e alta taxa de mortalidade. Em função disso, a conjugação de certos fatores (estiagens, enchentes, epidemias, etc.) por poucos anos seguidos alterava o quadro demográfico ao elevar ainda mais a mortalidade. Ou, pelo contrário, ausência de eventos daquele tipo rapidamente produzia um saldo populacional positivo [...] Toda a espécie humana, tem tendência natural a se multiplicar, desde que não haja obstáculos externos a isso. Ora, a história demográfica medieval é exatamente a história da presença e da remoção desses obstáculos. Nesse aspecto, a Primeira Idade Média foi um prolongamento da situação do Império Romano, cuja população conhecia um claro recuo desde o século II. Com a crescente desorganização do aparelho estatal romano, as importações de gêneros alimentícios que tinham por séculos permitido a existência de uma grande população urbana foram rareando. As cidades começaram a se esvaziar, cada região buscando produzir tudo aquilo de que necessitasse. Tal fenômeno paradoxalmente aumentou a insegurança, pois bastava uma má colheita para que a mortalidade naquele local rapidamente se elevasse, diante das dificuldades em se obter alimentos em outras regiões. Não por acaso, a hagiografia da época trata especialmente dos milagres alimentares: santo era sobretudo o homem que conseguisse alimentos para seus cidadãos."
(Franco Júnior, História, A Idade Média: o nascimento do ocidente. São Paulo: Editora Brasiliense, 1998, p. 25-26).
A partir da leitura do texto e referenciando-se em seus conhecimentos históricos sobre a demografia e expansão europeia na Idade Média, leia as afirmativas abaixo e marque a alternativa correspondente:
I. A alta mortalidade na Idade Média era um traço característico das sociedades agrárias pré-industriais, como a europeia, em que estiagens, enchentes e epidemias tornavam a população mais vulnerável.
II. A desorganização do Império Romano contribuiu para a insegurança alimentar nas regiões europeias, já que o declínio das importações dificultava a subsistência das populações urbanas.
III. A insegurança alimentar e o aumento da mortalidade contribuíram para a diminuição da expansão territorial romana durante toda a Idade Média, limitando a ocupação de novos territórios.
IV. A fome e a miséria recorrentes incentivaram as populações europeias a buscar alternativas de sobrevivência fora do continente, resultando em expedições exploratórias e processos coloniais em outros territórios distantes.
V. Na Alta Idade Média, a autossuficiência regional era insuficiente para garantir a sobrevivência em períodos de más colheitas, e os biógrafos da época registraram a necessidade de milagres alimentares para enfrentar tais crises.
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