Questão 3 - UPE SSA 2ª Fase - 1º Dia 2024
Por um mar navegam as mesmas palavras
O que podemos ter em comum com a África? Em especial com Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, cinco dentre mais de cinquenta países de tão vasto e diversificado continente?
A África permanece desconhecida entre nós, ainda que todos os dias algo venha nos lembrar dos laços que a ela nos unem. Laços que, no caso desses cinco países, passam especialmente pela língua oficial, que é a mesma e tão diversa, expandida em um oceano: o português.
No entanto, esses países — que foram colônias lusitanas até os anos 1970 — desenvolveram uma relação com a língua portuguesa diferente da nossa. Ali, nem todos os habitantes são falantes do português. Há muitas outras línguas correndo por seus territórios: só em Angola são muitas, como o quimbundo e o quicongo; em Moçambique, o número também é exorbitante, e inclui o macua e o xichangana; Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe falam variações do crioulo, entre outras línguas. Nessa babel, o português tem um papel importantíssimo: reforçar a unidade nacional a cada um desses países e permitir que eles possam estreitar contato com outras nações lusófonas. A língua portuguesa é o idioma presente nos documentos oficiais, o ensinado nas escolas e o usado por muitos escritores na literatura.
Esta antologia traz contos, em língua portuguesa, de uma África historicamente recente. Quem estiver habituado a encontrar, apenas nos noticiários, as terras e os povos africanos reduzidos à violência e à miséria vai se surpreender. É verdade que esses problemas fazem parte de sua história e principalmente de seu presente, mas não são os únicos fatos a serem destacados. As literaturas africanas são chaves para penetrar os muitos mundos que o continente guarda, desvendando alguns de seus mistérios pelas palavras. [...]
O português em que esses contos são escritos tem a força de uma língua que conhecemos bem. É a língua cotidiana que ali está, mas que, em cada um dos países, encontra diferentes formas de se realizar. Há mistura com os idiomas locais, palavras novas, há expressões que pedem maior atenção, há, principalmente, um modo diferente de falar da vida que se transforma e pede novas linguagens. Também isso podemos aprender com a leitura desses contos: se similaridades podem nos aproximar, diferenças não precisam nos afastar. O encontro será mais sólido se o conhecimento ajudar a combater os preconceitos e outros fantasmas. E a literatura é um bom caminho.
CHAVES, Rita. Por um mar navegam as mesmas palavras. In: CHAVES, Rita (org.). Contos africanos dos países de língua portuguesa. São Paulo: Ática, 2009. p. 10. (Série Para gostar de ler, n. 44). Adaptado.
De fato, “a língua cotidiana [...] encontra diferentes formas de se realizar”. Nas alternativas a seguir, os trechos em negrito estão transcritos sem alterações; após uma barra de separação, o mesmo trecho aparece com alguma(s) alteração(ções) grifada(s) . Assinale a alternativa em que a alteração proposta é admitida pela norma de referência e não altera os sentidos originais do texto.
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