Questão 10 - UFT Manhã 2025/1
Leia o fragmento de texto para responder a QUESTÃO.
A velha abriu a velha arca, presente de casamento dos seus antigos patrões da fazendola localizada além, ladeira abaixo, perto do boqueirão, onde, em solteira fora cozinheira, de fogão e de tacho, e onde criara a mãe de Dora até os dezesseis anos quando então a mocinha se casou com o caixeiro viajante. [...] Havia um embornalzinho cheio de trecos. [...] Uma gaita com os seus vários tubos palhetados. Uma caderneta cheia de garranchos que a avó de Dora desconhecia, e isso era coisa do finado pai de Dora. Havia ainda, um urinol esmaltado de branco, sobressalente, ainda novo em folha, enrolado num trapo.
A mãe de Dora, certa feita, explicara que o urinol fora presente do seu finado marido, morto por ter sido ofendido de cobra, o primeiro homem de sua vida, que a desposara ainda mocinha, o jovem e ruivo caixeiro viajante.
Era pretensão que o urinol fosse dado de presente para a pequena Dora, mas somente depois que a menina tivesse as primeiras regras.
A avó balançou a cabeça, arrancando esses pensamentos nostálgicos. Suspirou com um esgar. A expressão do seu rosto passou rapidamente pela dor nos peitos que compareceu para testemunhar o suspiro de resignação, de fatalidade.
Não havia mais nada na arca. Isso era tudo. E era tudo igual como sempre fora.
Até a arca, no canto do quarto, parecia compreender a rotina de todos os pertences que já passaram pelo seu interior. Até a arca parecia resignada em encobrir lembranças mofadas pelo tempo.
Fonte: ALVES. Lucelita Maria. O Canto da carpideira. Palmas: Universidade Federal do Tocantins/Coleção Tocantinense de Literatura/EDUFT, 2014, p. 83-84.
Leia o fragmento do romance e assinale a alternativa CORRETA que identifica o tipo de narrador.
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