Questão 81 - UnB - PAS 2023/2
No princípio, antes de ir para bordo, foi-lhe difícil esquecer o passado, a “mãe Sabina”, os costumes que aprendera nos cafezais... Muita vez chegava a sentir um vago desejo de abraçar os seus antigos companheiros do eito, mas logo essa lembrança esvaía-se como a fumaça longínqua e tênue das queimadas, e ele voltava à realidade, abrindo os olhos, num gozo infinito para o mar crivado de embarcações...
A disciplina militar, com todos os seus excessos, não se comparava ao penoso trabalho da fazenda, ao regímen terrível do tronco e do chicote. Havia muita diferença... Ali ao menos, na fortaleza, ele tinha sua maca, seu travesseiro, sua roupa limpa, e comia bem, a fartar, como qualquer pessoa, hoje boa carne cozida, amanhã suculenta feijoada, e, às sextas-feiras, um bacalhauzinho com pimenta e “sangue de Cristo”...
Para que vida melhor? Depois, a liberdade, minha gente, só a liberdade valia por tudo! Ali não se olhava a cor ou a raça do marinheiro: todos eram iguais, tinham as mesmas regalias — o mesmo serviço, a mesma folga. — “E quando a gente se faz estimar pelos superiores, quando não se tem inimigos, então é um viver abençoado esse: ninguém pensa no dia d’amanhã!”
Adolfo Caminha. O bom-crioulo.
Considerando os sentidos e aspectos linguísticos e textuais do fragmento precedente, extraído da obra O Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, julgue o item.
No último período do segundo parágrafo do fragmento de O Bom-Crioulo, as vírgulas empregadas no trecho “ele tinha sua maca, seu travesseiro, sua roupa limpa” e em “comia bem, a fartar, como qualquer pessoa”
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