Questão 10 - UPE 3° Fase / 1° Dia SSA 2014
Considere as informações a seguir sobre Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, analisando cada uma delas.
I. Em Com licença poética, de Adélia Prado: “Quando nasci um anjo esbelto, / desses que tocam trombeta, anunciou: / vai carregar bandeira. / Cargo muito pesado pra mulher, / esta espécie ainda envergonhada”, percebe‐se que a autora retoma, de forma parodística, os versos do Poema de sete faces, de Drummond: “Quando nasci, / um anjo torto/Desses que vivem na sombra / Disse: Vai Carlos! / ser “gauche” na vida.”, mas, em ambos os textos, os autores apresentam as contradições da vida; ela, sob o ângulo do anjo esbelto, parece disponível à reinvenção; ele, sob o ângulo do anjo torto, se apresenta de maneira menos suscetível às mudanças.
II. Assim como Drummond e Adélia Prado, o poeta Mario Quintana também tem seu anjo, que não é esbelto nem gauche; é um anjo brincalhão – “Em cima do meu telhado / Pirulin lulin lulin / Um anjo todo molhado / Soluça no seu flautim”, – que, embora chore, não traz consigo as contradições da vida. O anjo de Quintana é uma espécie de elemento lúdico que se interpõe entre a realidade e a fantasia, mas que não representa problemas, representa o próprio poeta em seus versos permeados de sutileza e musicalidade.
III. Em Morte e vida severina, João Cabral de Melo Neto revela a situação de penúria do retirante nordestino, como se vê em: “E se somos severinos / Iguais em tudo na vida, / Morremos de morte igual, / Mesma morte severina”(...). A mesma dificuldade de sobrevivência também é retratada por Graciliano Ramos em Vidas secas, na personagem de Fabiano, que já não tem mais perspectiva, (assim como Severino) “Olhou a caatinga amarela, que o poente avermelhava. Se a seca chegasse, não ficaria planta verde. Arrepiou‐se. Chegaria, naturalmente”.
IV. A terceira fase do Modernismo consiste na evolução da literatura brasileira com o regionalismo de Guimarães Rosa, que faz inovações na linguagem, com o uso de falares regionais e populares, que também servem para a criação de neologismos. Tais elementos representam o sertanejo universal, como o que se vê em: “E a casa matraqueou que nem panela de assar pipocas, escurecida à fumaça dos tiros, com os cabras saltando e miando de maracajás, e Nhô Augusto gritando qual um demônio preso e pulando como dez demônios soltos”.
V. Não só a narrativa de Guimarães mas também a de Clarice Lispector são exemplos de inovação na produção literária. Se ele universaliza o sertanejo, ela cria personagens que, possuindo uma visão simples, vive uma epifania, ou seja, um aprendizado para a vida. “Após fazer as compras voltava para casa, de bonde, quando um simples fato, um cego mascando chiclete”. Depois do episódio, o mundo recomeçava ao seu redor; Ana passa a refletir sobre a indiferença das pessoas, a falta de solidariedade, a ausência de piedade.
Estão CORRETAS
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