Questão 12 - UPE 3° Fase / 1° Dia SSA 2013
Tomando por base o trecho do poema “Morte e Vida Severina”, analise as afirmativas a seguir.
I. Vidas Secas narra, em capítulos independentes, o drama da família de Fabiano, que vive em terras alheias, numa luta desigual pela sobrevivência. E, por causa da dureza da vida, alguns chegam a se comportar, em determinados momentos, como animais, configurando um processo de zoomorfização, segundo se lê nos trechos a seguir: “Ele, a mulher e os filhos tinham-se habituado à camarinha escura, pareciam ratos”. (p.18) “Estava escondido no mato, como tatu. Duro, lerdo, como tatu” (p.25). Não só pelo comportamento mas também pelo desamparo em que são deixados, a falta de instrução reduz o ser humano a essa condição.
II. A obra de Clarice Lispector faz um trabalho com o fluxo de consciência e com a linguagem e, transitando pelo plano metafísico, faz indagações existenciais pelo inconsciente, pela autoanálise com projeções da filosofia existencialista. A escritora e o narrador, usando as personagens Macabéa e Olímpico, tecem críticas a respeito do ato de falar, expressar-se, escrever, ler, interpretar. Macabéa possui um vocabulário restrito, cultura por flashes, baseada na memorização acrítica. Olímpico não tem consciência crítica para interrogar o código linguístico e aproximar-se das palavras, sem conhecer o seu conceito.
III. A situação humorística e a inventividade de Guimarães Rosa o fazem criar um efeito estético único, alcançado com a própria linguagem que, permeada de neologismos, marcas discursivas do autor, põem em relevo um modo de produção que, aliado ao discurso intimista de Clarice Lispector, transcende a capacidade humana de compreender o mundo e a si mesmo de maneira convencional.
IV. Mario Quintana e Ferreira Gullar, poetas modernistas, conseguem, de modo muito peculiar ao tempo e ao espaço nos quais se forjam poetas, trazer para o leitor uma literatura pouco comprometida com rupturas e questionamentos. Tanto Quintana quanto Gullar procuram escrever textos que, embora bem feitos, não podem ser atrelados ideologicamente a qualquer uma das características defendidas pelos adeptos dos discursos de mudança.
V. Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, entre outros poetas modernistas, pertencem a uma época mais caracterizada pela singularidade ideológica e menos pela pluralidade ideológica. É importante entender que pluralidade e singularidade são dois conceitos que se diferenciam no tocante aos autores citados. Desse modo, esses três autores não produzem textos que possibilitam ao leitor uma espécie de polissemia, mas sim uma espécie de sentido exclusivo e único.
Está CORRETO o que se afirma em
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