Questão 10 - UFPI EAD 2022
Leia o Texto a seguir e responda a questão.
TEXTO
Por que o tema da saúde mental no trabalho ainda é um tabu?
[1] Na era da pandemia, a saúde mental de muitos de nós ficou prejudicada. Vários fatores importantes
de estresse surgiram rapidamente, um depois do outro, sem que conseguíssemos nos recuperar
completamente. Primeiro, um vírus mortal e uma convulsão econômica que gerou perda de trabalho e renda.
Depois, vieram o isolamento prolongado, o luto crescente, limitações de acesso a serviços de saúde mental
[5] e eventos sociopolíticos assustadores que trouxeram inúmeras pressões. Em toda parte, as pessoas
sofreram aumento dos níveis de medo e ansiedade.
Os efeitos são avassaladores. Em uma pesquisa realizada em sete países, publicada pelo Comitê
Internacional da Cruz Vermelha em outubro de 2020, 51% dos participantes afirmaram que a pandemia
prejudicou sua saúde mental. Números coletados pelo Escritório do Censo dos Estados Unidos e publicados
[10] em abril de 2021 demonstraram que o número de adultos com sintomas recentes de ansiedade ou distúrbios
depressivos aumentou de 36% em agosto de 2020 para 42% em fevereiro de 2021. Os pesquisadores ainda
estão compilando dados sobre os impactos à saúde mental causados pela pandemia, enquanto as
incertezas e as consequências da covid-19 continuam a afetar nossas vidas diárias.
Muitos empregadores reconheceram a gravidade da tendência e reagiram voluntariamente a essa
[15] questão. Algumas empresas aumentaram a oferta de benefícios relativos ao bem-estar psicológico e
ampliaram as opções de programas de assistência aos funcionários, oferecendo acesso a serviços gratuitos
de atendimento a condições de saúde mental e abuso de substâncias. Muitas empresas também
implementaram medidas preventivas, como aumento das férias ou treinamento dos funcionários. Para
alguns profissionais, as discussões sobre problemas de saúde mental tornaram-se mais comuns nos
[20] escritórios.
Entre os trabalhadores britânicos, 32% sentem-se mais confortáveis para falar sobre sua saúde
mental no ambiente de trabalho desde o início da pandemia, em comparação com 14% em meados de
2019, segundo a organização Mental Health First Aid England, com sede em Londres. Os Estados Unidos
vivem uma história similar. A Associação Norte-Americana de Psiquiatria concluiu que 51% dos
[25] trabalhadores se sentiam confortáveis para falar abertamente sobre saúde mental com seus supervisores ou
colegas de trabalho em abril de 2019. E esse índice aumentou para 65% em setembro de 2019, o que indica
progressos sem precedentes em uma época também sem precedentes, mas os problemas de saúde mental
permanecem estigmatizados em quase todas as esferas da vida.
Será que esse aumento do reconhecimento, apoio e abertura dos empregadores, combinado com a
[30] disposição dos profissionais para manifestar-se, realmente reduziu os julgamentos sobre as dificuldades de
saúde mental no ambiente de trabalho? Ou alguns preconceitos são arraigados demais para serem
desfeitos, mesmo depois de um trauma global coletivo como a covid-19?
Em muitos casos, as empresas reagiram rapidamente aos problemas de saúde mental dos
funcionários com relação à pandemia, introduzindo ou ampliando suas medidas de assistência. Dados de
[35] abril de 2020 indicam que, entre as empresas norte-americanas que já ofereciam programas de assistência
aos funcionários, 25% expandiram sua cobertura para incluir serviços como aconselhamento psicológico em
caso de luto e 57% ampliaram sua comunicação para garantir que os funcionários soubessem qual tipo de
suporte eles tinham à disposição.
Outras empresas introduziram diferentes tipos de apoio. Em 2021, mais empresas norte-americanas
[40] ofereceram licenças remuneradas adicionais (aumento de 55%), dias de saúde mental (aumento de 41%) e
treinamento sobre saúde mental para executivos ou funcionários (aumento de 33%) em comparação com
2019, segundo a organização sem fins lucrativos Mind Share Partners, que oferece treinamento e
estratégias de saúde mental para empresas globais.
Embora esses serviços sejam agora mais produtivos e cada vez mais solicitados pelos funcionários,
[45] ainda não está claro se os profissionais realmente os estão utilizando com frequência. Existem dados que
demonstram que pouco mais de 10% dos trabalhadores britânicos usaram seus programas de assistência
em 2021. É um salto de vários pontos percentuais sobre o ano anterior, mas insuficiente para atender à
parcela das pessoas que enfrentam problemas de saúde mental.
Especialistas indicam que é possível que a falta de adesão aos programas esteja relacionada ao
[50] medo de ser estigmatizado no trabalho, se os empregadores souberem quem está fazendo uso desses
benefícios. Os funcionários receiam que esses serviços não sejam totalmente confidenciais, segundo Kelly
Greenwood, fundadora e CEO (diretora-executiva) da Mind Share Partners, que tem sede nos Estados
Unidos.
Pesquisas demonstraram há muito tempo que os profissionais relutam em usar os serviços
[55] psicológicos oferecidos se acreditarem que esses serviços podem prejudicar futuras oportunidades de
carreira. "Muitos chefes e funcionários acreditam que sofrer problemas de saúde mental e ter desempenho
satisfatório no trabalho são coisas conflitantes ― ou seja, se você tiver problemas de saúde mental, não
pode ser bem sucedido", afirma Greenwood. E os retratos nos meios de comunicação que mostram
problemas de saúde mental incapacitando constantemente os profissionais também não ajudam.
[60] [...]
(CARNEGIE, Megan. Por que o tema da saúde mental no trabalho ainda é um tabu. BBC News Brasil, 29 ago. 2022 [com supressões e alterações]. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-62685199)
Considerando os elementos de forma, conteúdo e função percebidos no texto, é possível classificá-lo como:
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