Questão 4 - UPF Inverno 2024
A questão referem-se ao texto “A sociedade do cansaço”
Texto
A sociedade do cansaço
Exigências excessivas foram naturalizadas na sociedade atual
(Por Mauro Sérgio Santos da Silva, 04 de abril de 2023)
O filósofo sul-coreano Byung Chul Han define o tempo presente como a sociedade do cansaço ou do desempenho. Tal
sociedade caracteriza-se, na esteira do pensador, por um ininterrupto imperativo pela produtividade, pelo resultado, pelo
excesso de positividade e pela velocidade da comunicação e da transmissão de informações, bem como por suas
respectivas consequências.
[5] Não é preciso muito esforço para perceber que tem se tornado cada vez mais comum o sentimento generalizado de cansaço,
fadiga, indisposição e exaustão associado à sensação de dívida, de que é preciso fazer sempre mais, de que nunca é o
suficiente e a percepção de impotência diante da vida. Mas por que isso tem ocorrido? Byung Chul Han, no livro “A Sociedade
do Cansaço”, apresenta uma hipótese muito sugestiva.
Conforme o pensador, vivemos em uma sociedade na qual as exigências excessivas foram “naturalizadas”: no trabalho, na
[10] vida familiar, nos relacionamentos, nas redes sociais, entre outros espaços; e o próprio indivíduo é forçado a se cobrar por
performances de excelência em todas as esferas de sua vida. Há metas a serem batidas e objetivos a serem alcançados
que não permitem aos sujeitos a pausa, o tempo livre, o descanso, o ócio, muito menos a falha ou fracasso.
Tudo o que ocorre em qualquer parte do globo é transmitido de forma síncrona “em tempo real” ou quase imediatamente e
os indivíduos se percebem também obrigados a estarem informados acerca de tudo, o que, obviamente, é impossível; por
[15] isso o sentimento de frustração em cadeia.
Na sociedade do desempenho, os sujeitos são compelidos a realizar várias tarefas concomitantemente. A imperiosa ideia
de que é inaceitável a perda de tempo nos leva a fazer tudo enquanto fazemos qualquer outra coisa: ouvimos músicas,
assistimos a palestras, fazemos cursos à distância e peregrinamos pelas redes sociais enquanto dirigimos, realizamos
atividades físicas ou o que o valha. A atenção do indivíduo se fragmenta, e a superficialidade do pensamento se espraia.
[20] Não há tempo para profundidades e reflexões consistentes. Atendemos a demandas do trabalho em nosso tempo livre,
assistimos à TV enquanto nos exercitamos, falamos ao celular enquanto dirigimos, trocamos mensagens enquanto
estudamos, visitamos perfis virtuais durante as refeições, fazemos compras e divagamos pela internet ao mesmo tempo em
que estudamos e trabalhamos; damos aquela olhadela no celular a cada semáforo ou cruzamento (...).
O fundamento teórico desta sociedade aporta-se à disseminação de uma excessiva positividade que é tóxica e deletéria. É
[25] preciso estar sempre bem em todos os aspectos. Ainda que no caos, os indivíduos necessitam estar sorrindo, dispostos,
disponíveis, bonitos, fisicamente fortes e mentalmente vigorosos; o que naturalmente leva ao esgotamento. Em nosso tempo,
está vastamente disseminada a cruel e igualmente equivocada concepção de que todos os projetos e desejos dos indivíduos
dependem unicamente de seus próprios esforços e que, portanto, seus insucessos seriam responsabilidade exclusivamente
deles. Esta ideologia é difundida pelas teorias de autoajuda, do empreendedorismo, da meritocracia e da teologia da
[35] prosperidade. “Você pode. Você consegue”; “Se você se esforçar, você vencerá”. “Basta acreditar (em Deus)”. Portanto, “se
você não venceu é porque não acreditou ou se esforçou o suficiente”.
Mas na vida real as coisas não funcionam bem assim. Nossa trajetória existencial é muito complexa e diversa. As tristezas,
as enfermidades, o erro, as adversidades e os imprevistos são componentes dessa aventura a que denominamos “existência
humana”. Negar esses componentes é, isso, sim, desumano.
(Disponível em: https://www.otempo.com.br/opiniao/artigos/a-sociedade-do-cansaco-1.2842981 / Adaptado. Acesso em 10 abr. 2024)
No que refere aos conectivos destacados, identifique a alternativa correta.
I. Em "O filósofo sul-coreano Byung Chul Han define o tempo presente como a sociedade do cansaço (...)" (linha 1), o termo sublinhado é uma conjunção e introduz uma ideia de modo.
II. Em “Tal sociedade caracteriza-se, na esteira do pensador, por um ininterrupto imperativo pela produtividade (...)” (linhas 1 e 2), o termo sublinhado é um pronome demonstrativo e retoma anaforicamente a expressão “sociedade do cansaço” (linha 1).
III. Em “(...) bem como por suas respectivas consequências.” (linhas 3 e 4), a expressão sublinhada é uma conjunção aditiva, razão pela qual pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, pela conjunção “e”.
IV. Em “Mas por que isso tem ocorrido?” (linha 7), o termo sublinhado designa uma restrição, eis que representa um contexto de dúvida.
V. Em “(...) é impossível; por isso o sentimento de frustração em cadeia.” (linhas 14 e 15), a expressão sublinhada é uma conjunção explicativa, uma vez que antecede o verbo “acontecer”, elíptico na frase.
VI. Em “Ainda que no caos, os indivíduos necessitam estar sorrindo (...)” (linha 25), a expressão sublinhada é uma conjunção concessiva, uma vez que inserida no contexto de que, embora haja um obstáculo, esse não impede a realização do que foi anunciado na oração principal. Assim, ainda que estejam no caos, as pessoas apresentam-se sorrindo.
Está correto o que se afirma apenas em:
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