Questão 8 - Feevale Medicina 2022/1
A questão referem-se ao texto a seguir.
Não é só um tambor, moço...
Que memórias guardam os museus? Quais identidades foram selecionadas para se
tornarem oficiais e ajudarem a contar sobre nossa terra, nossas histórias? Mas quais
histórias? Sempre haverá mais de uma versão do mesmo fato. Museus consagram,
oficializam, mas também apagam, silenciam. É esse apagamento realizado pelo projeto de
[5] museu do Estado, atribuído a Julio de Castilhos, e o silenciamento, promovido pelo
positivismo e levado a cabo por ele e por seus sucessores, que se busca reparar.
Antes, porém, é preciso contextualizar o projeto de museu que se instaura no Brasil na
chamada Era dos Museus, vigente entre 1890 e 1939, em que esses espaços de
institucionalização das identidades reúnem, preservam e difundem, como história oficial, os
[10] fatos regionais e seus heróis, dos quais se apresentam apenas as virtudes, omitem-se
atrocidades, crimes de guerra e todas as demais violências simbólicas. Museus fazem tais
heróis se tornarem imortais, assim como os monumentos e os nomes de rua.
No caso do Museu Julio de Castilhos, fundado em 1903, o acervo histórico só é
impulsionado a partir de 1925. Contudo, seguindo o que vinha sendo implementado por
[15] outros espaços de memória, como o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, conduzido,
a partir de sua criação, em 1922, por Gustavo Barroso, onde a história se fez branca,
europeizada, masculina e da elite, logo, excludente. Contou-se uma versão e conta-se ainda
uma versão cada vez que entra um objeto na coleção de um museu.
A musealização do tambor de sopapo como acervo do Museu Julio de Castilhos, ato
[20] contínuo ao reconhecimento do sopapo como patrimônio imaterial de Pelotas, constitui-se
em um gesto de reparação de 118 anos de silenciamento com relação à participação do
negro na história e no desenvolvimento do Rio Grande do Sul. O museu possui instrumentos
de tortura utilizados para castigar os escravizados e raras outras peças que testemunham a
vida pós-escravidão. Afora isso, registram-se as ausências e os silenciamentos, que se
[25] espera aplacar com um processo que se inicia com o ecoar do sopapo, esse tambor com
alma e transcendência, e que se pretende continuar com a captação de doações como
documentos e imagens dos clubes negros e possíveis acervos de griôs e mestres que vêm
travando uma batalha incansável para que a história reconheça o lugar de identidade e
memória oficial do povo negro deste Estado.
(Adaptado de: ARAÚJO, Beatriz. Não é só um tambor, moço... Jornal Zero Hora. Data de publicação: 14 ago. 2021. Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/noticia/2021/08/nao-e-so-um-tambor-mococks7kfzw8003h0193a4inei9r.html. Acesso em: 14 ago. 2021).
Marque a alternativa em que a presença da(s) vírgula(s) se dá pelo mesmo motivo do seu emprego no título do texto.
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