Questão 1 - Feevale Medicina 2021/1
A questão referem-se ao texto a seguir.
Ampliar uma ideia ou libertar-se do senso comum? Rizomas podem ajudar
Nos anos 1980, os antropólogos Gilles Deleuze e Félix Guattari propuseram-nos uma nova forma de ver
o mundo e compreendê-lo. Na coleção “Mil Platôs”, eles pegam emprestado da botânica o conceito de rizoma,
um modelo epistemológico que vem sendo adotado nas últimas décadas por acadêmicos e estudiosos que,
desde então, o consideram de um valor inestimável para explicar como as coisas podem ser ao mesmo tempo
[5] diferentes e entrelaçadas.
Mas o que é um rizoma? E por que eles inventaram um conceito filosófico tão estranho?
Um dos motivos é justamente para que possamos apreciar a singularidade de cada coisa, bem como a
miríade de conexões de cada coisa com outras coisas. Nosso mundo é repleto de singularidades. Essa
compreensão de um mundo interconectado de singularidades, por sua vez, pode mudar a forma como
[10] discutimos nossas ideias e agimos no nosso cotidiano.
Rizoma pode ser explicado como a extensão do caule que une sucessivos brotos, podendo ser bem
extenso e semelhante a um arame ou bem curto, quase invisível. Dele partem o caule, pseudobulbos e raízes.
A grama é um exemplo de planta rizomática, assim como o bambu e a cana de açúcar. A bananeira também
tem rizomas, responsáveis por sua eficiente reprodução por “clonagem”.
[15] Na interpretação da filosofia, o rizoma difere do caule da raiz ou da estrutura em forma de árvore. Uma
raiz tem um centro e vai fundo, aprofunda-se. Um rizoma, ao contrário, é uma estrutura em crescimento em
largura e sem centro semântico.
Um modelo arborescente trabalha com conexões verticais e lineares, enquanto um rizoma trabalha com
conexões planares e transespécies. Árvores nascem de sementes, e estas transmitem a mesma composição
[20] genética a muitas outras árvores. Por sua vez, árvores são platônicas, na medida em que existe uma ideia e
várias instanciações. “O platonismo nos assegura que existe uma ordem cósmica com uma instanciação
perfeita de cada coisa. Muitas vezes pensamos que há apenas uma ideia de algum assunto. Nesse caso, o
senso comum é arborescente”, reflete Nicholas Tampio, professor de ciência política na Fordham University,
em Nova Iorque.
[25] Compreendendo que temos de parar de buscar consenso de como as coisas deveriam ser e valorizar a
diversidade de ideias, Deleuze e Guattari propuseram que pensemos em termos de rizomas, que não
possuem sementes ou troncos; em vez disso, lançam caules e reproduzem-se quando uma parte se quebra
e cresce novamente, cada um ligeiramente diferente de seu antecessor. Por isso, o rizoma é antigenealógico,
materializa-se em outra dimensão – transformadora e subjetiva, que é fundamentalmente não axial, não linear
[30] e não obedece a nenhuma estrutura ou modelo gerador.
[...]
O rizoma não se fecha sobre si, é aberto para experimentações, é sempre ultrapassado por outras linhas
de intensidade que o atravessam. “Como um mapa que se espalha em todas as direções, se abre e se fecha,
pulsa, constrói e desconstrói. Cresce onde há espaço, floresce onde encontra possibilidades, cria seu
[35] ambiente”. Trata-se de ciência? Isso importa? São apenas agenciamentos, linhas movendo-se em várias
direções, escapando pelos cantos, o desejo segue direções, esparrama-se, faz e desfaz alianças. Chame do
que quiser, então: “riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio”
(DELEUZE; GUATTARI, 2000, p. 04).
(Adaptado de: PORTO, Lilia. Ampliar uma ideia ou libertar-se do senso comum? Rizomas podem ajudar. O futuro das coisas, 2020. Disponível em: https://ofuturodascoisas.com/ampliar-ideia-rizomas-podem-ajudar/. Acesso em: 01 de nov. de 2020).
Da leitura do texto, é correto inferir que
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