Questão 8 - UERJ 2 Exame 2025
Por que o pensamento linear pode
ser um problema na sua vida
É assim que o problema geralmente começa: “Se Maria paga R$ 5 por 10 laranjas, quantas laranjas ela
recebe por R$ 50?”. Para encontrar a resposta para a pergunta, muitos de nós fomos condicionados a
usar o raciocínio linear para concluir que, pagando 10 vezes mais, Maria receberá 10 vezes mais laranjas
– ou seja, 100 delas.
[5] A palavra “linear” descreve uma relação especial entre duas variáveis – uma de entrada e uma de saída.
Se uma relação for linear, uma mudança em uma quantidade por um valor fixo sempre produzirá uma
mudança fixa no outro valor. Ou seja, a linearidade não permite que haja ofertas do tipo “leve três, pague
dois” na mesa.
No entanto, nem todas as relações lineares estão em proporção direta. Para converter de Celsius para
[10] Fahrenheit, você precisa multiplicar a temperatura em Celsius por 1,8 e adicionar 32. Dobrar o número
de entrada não dobra o de saída nesta relação, mas, por ser linear, uma mudança fixa na entrada sempre
corresponde a uma mudança fixa na saída. Essas relações podem ser representadas como linhas retas, e
é por isso que as chamamos de lineares.
Talvez eu tenha exagerado um pouco na explicação sobre essas relações lineares, até por a linearidade
[15] ser uma ideia tão familiar. Mas é aí que está o problema: estamos tão familiarizados com o conceito de
linearidade que impomos nossa referência de visão linear sobre o que observamos no mundo real.
No entanto, muitos sistemas não obedecem a essas relações lineares simples. Por exemplo, se eu deixar
dinheiro na minha conta bancária ou esquecer de pagar uma dívida, essa soma de dinheiro crescerá
de forma não-linear (crescerá exponencialmente) – juros em cima de juros. Quanto mais dinheiro eu
[20] tiver (ou dever), mais rápido ele crescerá. Como muitos de nós estamos sujeitos ao viés de linearidade,
subestimamos a rapidez com que essas somas de dinheiro crescerão, o que faz com que economizar para
o futuro pareça menos atraente e assumir dívidas pareça mais sedutor.
E parece que a melhor explicação para a nossa dependência excessiva da linearidade vem da sala de aula.
Pesquisas mostram que nossa propensão para assumir a linearidade surge muito antes de deixarmos a
[25] escola. Esses estudos apresentam aos alunos perguntas em que a linearidade não é a ferramenta certa
para resolver problemas para ver como respondem.
Os chamados problemas de pseudolinearidade podem assumir a seguinte forma: “Laura é uma velocista.
Se ela corre 100 m em 13 segundos, quanto tempo levará para correr 1 km?”. Não é possível chegar à
resposta correta a partir das informações dadas no problema. No entanto, a maioria dos alunos usa a
[30] solução linear, sem qualquer preocupação com a natureza irreal das suposições subjacentes. E a resposta
linear levaria Laura a quebrar o recorde mundial para uma corrida de 1 km. Não reconhecer que o mundo
real geralmente não é tão simples quanto um problema de matemática só gera mais complexidade.
Por termos a ideia de linearidade imbuída em nós tão cedo, e presente com tanta frequência, às vezes
esquecemos que outras relações podem existir. Vivemos em um mundo não linear, mas estamos tão
[35] acostumados a pensar em linhas retas que muitas vezes nem percebemos.
KIT YATES
Adaptado de bbc.com.
A reação química elementar de decomposição do dióxido de nitrogênio, representada a seguir, é um exemplo de modelo cinético não linear.
2 NO2 (g) → 2 NO (g) + O2 (g)
Observe no gráfico a variação da velocidade dessa reação em função da concentração de dióxido de nitrogênio:

Considerando os dados, a constante cinética da reação, em L /mol.s, corresponde a:
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