Questão 58 - UECE 2ª Fase 1° Dia 2017/1
Texto
O GRITO
Um tranquilo riacho suburbano,
Uma choupana embaixo de um coqueiro,
Uma junta de bois e um carreteiro:
Eis o pano de fundo e, contra o pano,
Figurantes – cavalos e cavaleiros,
Ressaltando o motivo soberano,
A quem foi reservado o meio plano
Onde avulta solene e sobranceiro.
Complete-se a figura mentalmente
Com o grito famoso, postergando
Qualquer simbologia irreverente.
Nem se indague do artista, casto obreiro,
Fiel ao mecenato e ao seu comando,
Quem o povo, se os bois, se o carreteiro.
PAES, José Paulo. Poesia Completa. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. P.105.
Atente ao que se diz sobre as duas últimas estrofes do poema.
I. A terceira estrofe convida o leitor a completar o episódio famoso que todos guardam na memória: o grito (conhecido como “O Grito do Ipiranga”), desprezando ou evitando qualquer desrespeito.
II. A terceira estrofe é puramente crítica, de uma crítica sarcástica: critica-se a posição do artista beneficiado por um mecenas: se ele recebe dinheiro de alguém, é claro que fará a obra de acordo com os desejos desse alguém. Será que aconteceu algo assim com o quadro de Pedro Américo? O poeta refere-se ao artista como “casto obreiro”, ironizando o comportamento de quem recebe dinheiro de um mecenas.
III. O último verso do poema traz uma crítica social partindo do quadro que representa o Grito do Ipiranga: “Quem o povo, se os bois, se o carreteiro”. Afinal, diante da situação em que se encontra o carreteiro (um homem), surge a dúvida sobre a situação do indivíduo. Estará o homem em uma situação inferior à dos bois?
Está correto o que é dito em
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