Questão 58 - São Leopoldo (Mandic) Medicina 2014
A abrangência de Esculápio
Ulisses Capozzoli – editor
A elevação da expectativa média de vida, conquista evidenciada pelo desenvolvimento da penicilina, foi obtida com a eliminação de um amplo conjunto de infecções que, antes disso, atormentaram por séculos a fio toda a humanidade. Um antibiótico natural – derivado de um fungo (Penicillium chrysogenum ou P. notatum), o “bolor do pão” -, a penicilina tornou-se disponível como medicamento a partir de 1941. Mas se popularizou no pósguerra e, quase imediatamente, foi seguida por um amplo espectro de outros medicamentos antibióticos. E eles praticamente dividiram a história da saúde humana em um antes e um depois. Mais rigorosamente falando, vários outros desenvolvimentos ligados diretamente à saúde, mas também à infraestrutura urbana e proteções no ambiente de trabalho, entre outras, foram fundamentais para esses avanços no bem estar social. Mas, novamente, como num ciclo de eterno retorno, vemos desafios que pareciam vencidos retomar suas formas no horizonte e reaparecerem como doenças ameaçadoras. É o caso da tuberculose resistente às últimas gerações de antibióticos; blenorragia, a popular gonorreia, que no passado acompanhava as experiências de iniciação sexual em prostíbulos; e mesmo a varíola, a “bexiga” que eliminou vidas incontáveis. A eliminação significativa de doenças infecciosas, ao menos em relação ao ataque de bactérias, reformulou o perfil dos males que ameaçam a saúde humana e, entre outros efeitos, abriu espaço para a manifestação de moléstias, anteriormente mais restritas. É o caso do câncer, no passado ironicamente identificado como “doença de ricos”. A questão, aqui, é que as parcelas miseráveis ou mais pobres da sociedade humana sucumbiam precocemente, em relação aos padrões de hoje, a doenças agora evitáveis. Esses desfavorecidos da sorte literalmente não tinham tempo para serem afetados pelo caos da reprodução celular que caracteriza Voltamos a um marco zero, como uma maldição de Esculápio, o deus grego da medic oin caâ?ncer. De afosr pmrao paolgrçuõmeas., aOv aqnuçea omcoosrr ed ea gfoorrma aé p urmom pisrosfournad eom e dairmepçãloo r ae oterdraepniaams ecanptoa zdees s diteu areçfõoersm huilsatró nriãcoa sa pee, ngausa rod apdearfsil dpao tseanúcdiaelm. Oens taev caonmço csé leumla sc-utrrosnoc doe ev eams p imerpsapcetcatriv caosm dpeo, rptaomr eexnetmosp elo ,p urástiincaarsm aonst eósrg imãopse innsteáivroesis e. mÉ ola qbuoera otócroiorrse. Aléumm d poasr adloemloí naioo sq umea hisá rmesutirtoito fas zdeam s taoúrndeei,r oqsu amise caâsn cicoonss,e cqaupêanzceiass d ed ae sccounlsptirru pçeãçoa ds en oóvrgaãso osu esmub lsatbitourtaatsó priaorsa, Apeunmaas mesásqau jináa é, ucomma are rfaledxicãaol cdaifpearezn dçea ldeev aqru cea adgao urma p dreo dnuózsi ma odso pmeíçnaioss p saurarp are seonfdisetinctaedsa s memáq luiminitae hs,u qmuaannat?o à dir ção para onde vamos.
(Revista Scientific American Brasil – Edição especial Saúde, n. 54. Seção “Ponto de vista”. São Paulo: Duetto, agosto/setembro de 2013, p. 3. Fragmento)
Para justificar sua ideia aparentemente contraditória de que um dos efeitos da criação e desenvolvimente de medicamentos antibióticos foi a ampliação da parcela da população atingida por determinadas moléstias, o autor utiliza o seguinte argumento:
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