Questão 42 - UECE 2ª Fase 1º Dia 2024/2
Texto
Digitar ou escrever? Cientistas revelam o que é melhor para o cérebro.
Em tempos passados, as civilizações antigas
faziam registros escritos em diversos suportes:
paredes, cascas de árvores, rochas e até em ossos.
Com o avançar das eras, a escrita passou para o
[5] papel e, mais recentemente, para as telas de
dispositivos móveis. Mas, afinal, qual o impacto
dessa mudança no cérebro humano e quais as
consequências para o nosso desenvolvimento?
O fato é que papel e caneta não se
[10] tornaram obsoletos, claro, mas atualmente
dividem espaço com uma série de aparatos
tecnológicos. Além disso, no dia a dia, é cada vez
mais perceptível o uso recorrente de dispositivos
eletrônicos na hora de fazer anotações ou fazer
[15] algum tipo de registro escrito. Comportamento
acentuado nas pessoas mais jovens e imersas nas
novas tecnologias desde o nascimento.
Uma discussão recorrente no universo do
ensino, em especial nas universidades e escolas, é
[20] sobre o uso de smartphones, notebooks ou mesmo
tablets como bloco de notas ou mesmo como
ferramenta principal de suporte no ensino.
Nesse embate, é inegável que a escrita por
digitação traz agilidade e que a conectividade
[25] online abre inúmeras possibilidades para o
aprendizado, mas quais os impactos neurológicos
dessa substituição? E, mais, será mesmo que a
escrita cursiva não apresenta vantagem alguma
com relação ao digital? Entre tantos
[30] questionamentos relacionados ao choque dessas
duas formas de escrever, resta a pergunta
principal: Qual dessas escritas é a mais benéfica
para nossa saúde?
Um estudo publicado no dia 25 de janeiro
[35] de 2024, pela Universidade de Ciência e Tecnologia
da Noruega (NTNU), concluiu que crianças e
adultos têm um melhor aproveitamento de seus
estudos quando fazem anotações à mão. As
análises, feitas a partir de resultados de
[40] eletroencefalogramas, exame que analisa a
atividade elétrica cerebral espontânea, captada
através da utilização de eletrodos colocados sobre
o couro cabeludo, identificaram que, ao escrever
de forma manual, as atividades cerebrais são mais
[45] intensas do que ao escrever num teclado ou em
uma tela.
Audrey Van der Meer, pesquisadora que
liderou o estudo da NTNU, complementa que as
conexões cerebrais feitas durante o processo de
[50] escrita à mão são essenciais para a compreensão
de novas informações. Na escrita à mão, conforme
revela a pesquisadora, ocorre uma elevada
conectividade entre diferentes regiões do cérebro.
Tal fato ocorre com maior complexidade quando
[55] estamos escrevendo discursivamente, sendo
fundamental para construção da memória e
codificação das informações. Isso indica que a
escrita à mão pode potencializar o aprendizado.
“As diferenças na atividade cerebral estão
[60] relacionadas à formação cuidadosa das letras ao
escrever à mão e ao mesmo tempo fazer maior uso
dos sentidos”, explica a cientista.
Van der Meer explica que a escrita manual
requer coordenação motora das mãos e exige que
[65] as pessoas prestem atenção no que estão fazendo.
Já a digitação demanda movimentos mecânicos
que são realizados repetidas vezes, nesta situação
o foco é substituído pela velocidade. A
pesquisadora norueguesa ainda ressalta que as
[70] crianças devem receber formação de caligrafia nas
escolas e, paralelamente, serem ensinadas quanto
ao uso do teclado. Desta forma, deve-se
desenvolver uma consciência de quando utilizar a
escrita manual ou um dispositivo móvel, seja para
[75] uma simples anotação ou para escrever textos mais
longos.
ANDRADE, David. Digitar ou escrever? Cientistas revelam o que é melhor para o cérebro. Disponível em: https://mais.opovo.com.br/. Acesso em 13 de março de 2024. Texto adaptado.
No texto, evidencia-se que o processo de ensino da escrita deve contemplar
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