Questão 13 - Barão de Mauá Junho 2019
Leia o poema a seguir, de Alberto Caeiro (1888-1935), heterônimo do poeta português Fernando Pessoa:
Li hoje quase duas páginas
Do livro dum poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.
Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtases ao luar.
Mas flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram cousas vivas, não
eram pedras;
E se os rios tivessem êxtases ao luar,
Os rios seriam homens doentes
.
É preciso não saber o que são flores e pedras e rios
Para falar dos sentimentos deles.
Falar da alma das pedras, das flores, dos rios,
É falar de si próprio e dos seus falsos pensamentos.
Graças a Deus que as pedras são só pedras,
E que os rios não são senão rios,
E que as flores são apenas flores.
Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não a compreendo por dentro
Porque a Natureza não tem dentro;
Senão não era a Natureza.
CAEIRO, Alberto. O Guardador de Rebanhos. In: _____ Poesia. São
Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 64.
Com base no poema apresentado e nas características desse heterônimo modernista, avalie as proposições a seguir:
I. O eu lírico apresenta uma poética desenvolvida a partir da negação da metafísica, com substituição do pensamento pelos sentidos.
II. A simplicidade dos versos de Caeiro pode ser notada na liberdade formal de seus versos – brancos e livres – e na repetição vocabular.
III. A divergência entre os pontos de vista do eu lírico e dos poetas metafísicos é marcada pela antítese na última estrofe do poema.
Está correto aquilo que se afirma em:
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