Questão 12 - Barão de Mauá novembro 2021
Leia o texto a seguir, extraído do livro O olho da rua, de Eliane Brum, para responder a questão.
“Meu bebê, a mãe quer sonhar com você”, repete Maria, uma ex-operária de 48 anos, a cada noite. Mas diz que não sonha. Conta que o filho estreou no tráfico aos 12 anos como “avião”, garoto que presta favores, leva e traz encomendas em troca de droga ou dinheiro. Aos 16 anos, era tão dependente que havia se tornado imprestável para o negócio. Não era mais confiável, consumiria a mercadoria. Morreu aos 25 anos, em 15 de abril. Desentenderam-se, ele e o traficante, pelo valor de uma pedra de crack. Executado por R$ 1.
“Fiz tudo o que pude pra salvar meu filho. Quando ele começou a quebrar coisas dentro de casa, todo mundo foi embora, e eu fiquei. Quando tomou uma overdose, eu arrastei ele sozinha do trilho do trem e botei na cama. Quando tava muito doido e enterrou a pistola na frente dos outros meninos, eu fui lá, desenterrei e joguei no quintal do traficante pro meu filho não ter problema depois”, diz a mãe. “Deixava comida e suco pra hora que ele tivesse fome e conseguisse comer. Lavei as cuecas que ele sujava quando tava com diarreia por causa da droga. Dei mãozada nele, gritei, internei em clínica. Quando vi que não tinha jeito, arrumei um lugar em casa só pra ele usar a pedra sem que ninguém visse, porque não tinha dinheiro pra tirar ele da cadeia.”
Maria juntou o filho do chão porque ninguém mais teve coragem de desafiar o matador. “Levei ao hospital, porque achei que ia ressuscitar. Fiquei massageando ele. Então vi que tinha dado o derradeiro suspiro”, diz. “Se você perde o pai e a mãe, é uma dor muito grande, mas você supera. Se perde um filho, a ferida não sara nunca. Meu filho saiu das minhas entranhas, eu carreguei nove meses, eu amamentei. Eu enterrei.”
O texto apresenta duas vozes explícitas: o discurso da autora, mais formal, e o discurso da mãe, mais informal. O registro coloquial ou informal caracteriza-se por apresentar, em relação à norma-padrão, alterações de ordem lexical, semântica, fonológica ou sintática.
A partir disso, considere as seguintes passagens do texto:
I. Quando tava muito doido e enterrou a pistola na frente dos outros meninos, eu fui lá, desenterrei e joguei no quintal do traficante pro meu filho não ter problema depois”, diz a mãe.
II. Fiz tudo o que pude pra salvar meu filho. Quando ele começou a quebrar coisas dentro de casa, todo mundo foi embora, e eu fiquei. Quando tomou uma overdose, eu arrastei ele sozinha do trilho do trem e botei na cama.
Em relação à norma-padrão, os trechos apresentam, respectivamente, alterações de ordem
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