Questão 2 - Barão de Mauá novembro 2021
Leia a cantiga a seguir, de Dom Dinis (c.1261-1325), para responder a questão.
Em gram coita, senhor
Em gram coita, senhor,
que peior que mort’é,
vivo, per bõa fé,
e polo voss’amor
esta coita sofr’eu
por vós, senhor, que eu
vi polo meu gram mal;
e melhor mi será
de moirer por vós já;
e, pois me Deus nom val,
esta coita sofr’eu
por vós, senhor, que eu
polo meu gram mal vi;
e mais mi val morrer
ca tal coita sofrer
pois por meu mal assi
esta coita sofr’eu
por vós, senhor, que eu
vi por gram mal de mi,
pois tam coitad’and’eu.
D. DINIS. Em gram coita, senhor. Cancioneiro da Biblioteca Nacional 506, Cancioneiro da Vaticana 89. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/wk000599.pdf. Acesso em: 21 fev. 2020.
As cantigas trovadorescas possuíam uma estrutura relativamente regular, sendo compostas em galego-português. Apesar disso, não se tornaram composições ininteligíveis ao leitor de hoje, dadas as semelhanças, em termos léxicos e estruturais, com o português contemporâneo. A partir disso, a respeito da forma da composição, considere as seguintes afirmações:
I. Os vocábulos empregados na cantiga apresentam bastante proximidade, mas nenhuma equivalência, com o português contemporâneo.
II. O pronome “eu” é empregado para referir-se ao eu lírico, ao passo que o pronome “vós” é empregado no plural para referir-se às mulheres.
III. As palavras “gram”, “peior” e “tam” são empregadas com o objetivo de enfatizar o sofrimento amoroso do eu lírico diante da amada.
IV. Apesar de se tratar de uma cantiga, a composição é espontânea, sem qualquer preocupação com o emprego de recursos rítmicos ou sonoros.
A partir da análise do texto, constata-se que
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