Questão 11 - Barão de Mauá Maio 2022
A questão abaixo baseia-se no texto a seguir, “A sofisticação das línguas indígenas”, extraído da revista Superinteressante.
Você provavelmente já encontrou pelas redes sociais o famigerado #sqn, aquele jeito telegráfico de dizer que tal coisa é muito legal, “só que não”. Agora, imagine uma língua totalmente diferente do português que deu um jeito de incorporar um conceito parecido na própria estrutura das palavras, criando o que os linguistas apelidaram de “sufixo frustrativo” – um #sqn que faz parte da própria história do idioma.
Bom, é exatamente assim que funciona no kotiria, um idioma da família linguística tukano que é falado por indígenas do Alto Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Para exprimir a função “frustrativa”, o kotiria usa um sufixo (ou seja, alguns sons colocados no fim da palavra) com a forma -ma. Você quer dizer que foi até um lugar sem conseguir o que queria indo até lá? Basta pegar o verbo “ir”, que é wa’a em kotiria, e acrescentar o sufixo: wa’ama, “ir em vão”.
Dá para encontrar detalhes surpreendentes como esse em todas as mais de 150 línguas indígenas ainda faladas no território brasileiro. Elas são apenas a ponta do iceberg do que um dia existiu por aqui, diga-se. Como mostra o livro Índio Não Fala Só Tupi, lançado neste ano pelas linguistas Bruna Franchetto e Kristina Balykova, calcula-se que pelo menos 80% dos idiomas que eram falados no Brasil desapareceram de 1500 para cá. (O exemplo acima e os outros que você vai conhecer nesta reportagem vêm do livro de Franchetto e Balykova.)
Mesmo assim, o país continua abrigando uma das maiores diversidades linguísticas do planeta, com a presença de idiomas tão diferentes entre si quanto o alemão do árabe ou os idiomas do Congo em relação ao mandarim (aliás, algumas das línguas “made in Brazil” usam tons, semelhantes a notas musicais, para diferenciar o significado de algumas sílabas, algo que o mandarim também faz).
Disponível em: https://super.abril.com.br/historia/a-sofisticacao- -das-linguas-indigenas/. Acesso em: 12 mar. 2022.
Os gêneros textuais são produtos de linguagem sócio-histórico-culturais empregados nas práticas de comunicação diária. Podem ser construídos a partir de diferentes sequências textuais. São definidos mais pelos propósitos comunicativos que pelas características, que podem sofrer variações de acordo com os propósitos do emissor e com o contexto.
Levando em consideração essas informações, bem como o conteúdo e os elementos composicionais do texto apresentado, verifica-se que ele se enquadra no gênero
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