Questão 52 - UECE 2ª Fase - 1º Dia 2020/1
TEXTO
‘É hora de brancos lutarem contra racismo’,
diz escritora Djamila Ribeiro
Depois de 300 anos de escravidão, o
[80] ideal seria que os negros ficassem tomando
piña colada no Caribe enquanto os brancos
lutam contra o racismo no Brasil, na
opinião da escritora Djamila Ribeiro. Justo,
"já que a gente ficou esses anos todos
[85] batalhando e vivendo o racismo", disse ela
na noite desta quinta-feira (11), na Casa
Folha, durante a Flip (Festa Literária
Internacional de Paraty). "Mas, como não
vai ser possível, seria importante as
[90] pessoas começarem a não delegar",
afirmou. "As pessoas brancas precisam
começar a entender a importância de elas
debaterem racismo, elas lerem sobre isso,
ter ações antirracistas nos seus espaços."
[95] Uma pequena multidão fez fila em
frente ao espaço para assistir à conversa de
Djamila com o também escritor Antônio
Prata, ambos colunistas da Folha, mediada
pela editora de Diversidade do jornal, Paula
[100] Cesarino Costa – mesmo com o espaço
lotado, o público se aglomerou para ver o
debate do lado de fora. "Ser politicamente
incorreto faz sentido quando a gente vive
num sistema cruel, desigual, violento. Faz
[105] sentido ser incorreto aí. Ter uma contra
narrativa, ir contra a norma estabelecida",
disse Djamila. "Mas houve um
esvaziamento do termo politicamente
correto. Se o respeito ao próximo, à
[110] humanidade do outro, é ser politicamente
correto, devemos ser."
Para Antônio Prata, o assunto não o
incomoda. "A patrulha do politicamente
correto é um comentário no meu Facebook.
[115] A patrulha da Rota mata", afirmou, em
consonância com o discurso de Djamila
(...). Para o escritor, autor dos livros "Nu,
de botas" e "Trinta e poucos", hoje se sabe
que é condenável ser machista, racista e
[120] homofóbico, mas que "as pessoas estão
lutando pelo direito de serem erradas". (...)
Prata afirmou que, por um tempo, achou
"nada mais saudável que haja uma coerção
social" que iniba o comportamento racista,
[125] mas que o momento político atual, com
ascensão de grupos conservadores no Brasil
e no mundo, mostrou que "a gente tem que
pensar se o discurso é eficaz, ou se é uma
maquiagem que a gente coloca na frente do
[130] ódio e o ódio volta pulando o muro."
Para Djamila, por outro lado, "isso
não é novo. O Brasil é um país
extremamente conservador", afirmou. "Para
grupos minoritários, esse discurso de ódio é
[135] presente na nossa vida desde sempre. (...)"
Mestre em filosofia pela USP e escritora de
"O que é lugar de fala" e "Quem tem medo
do feminismo negro", a ativista afirmou que
"o debate sobre racismo é surreal. A gente
[140] é acusado de dividir, de ser sectarista e
violento(...). Djamila reclamou de a luta
negra ser constantemente classificada como
identitária por pessoas brancas que não se
reconhecem também como parte de uma
[145] identidade. "Me cobram por qualquer coisa
que uma mulher negra faça, 'você viu essa
negra de direita?'. (...).
Consenso entre eles foi que a falta de
diversidade prejudica o Brasil. "A própria
[150] elite perde com o privilégio. O mundo perde
quando não tem 70% de concorrência. A
literatura é pior, o cinema é pior", afirmou
Prata, que também é roteirista.
É HORA DE BRANCOS LUTAREM CONTRA O RACISMO... 12 de julho de 2019. Disponível em: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br Acesso em 29 de out. de 2019.
Atente para as seguintes informações sobre o texto:
I. Trata do posicionamento de dois autores (Djamila Ribeiro e Antônio Prata) acerca do racismo e de suas implicações.
II. Apresenta o negro e o branco como opostos em um sectarismo prejudicial aos brancos, porque estes perdem privilégios.
III. Afirma que a falta de diversidade na literatura e no cinema é prejudicial para o crescimento do Brasil.
É correto o que se afirma somente em
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