Questão 54 - PUC-GO Medicina 2024/1
Leia o poema Mal secreto, do poeta parnasiano Raimundo Correia:
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
(CORREIA, Raimundo. Mal secreto. Apud in: FISCHER, Luís Augusto. Poesia brasileira: do Barroco ao Pré-Modernismo. Porto Alegre: Novo século, 2001, p. 167.)
Vocabulário:
* recôndito = que se esconde; encoberto, oculto, retirado.
* ventura = sorte (boa ou má); fortuna, destino, acaso.
O poema está condizente com a proposta parnasiana de rigor formal e uso da racionalidade para falar sobre como, muitas vezes, as dores e emoções são dissimuladas para não serem julgadas socialmente.
Sobre tal proposta, analise os itens que se seguem:
I - Nos dois quartetos, o eu lírico afirma que as aparências escondem a essência.
II - Os dois tercetos apresentam tom crítico e marca evidente da impessoalidade.
III - Ao falar de sentimentos, o poeta foge do egocentrismo da estética romântica.
IV - O eu lírico claramente fala de seus próprios sentimentos e sofrimento íntimo.
Em relação às proposições analisadas, assinale a única alternativa cujos itens estão todos corretos:
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