Questão 9 - UNIEVA Medicina 2019/2
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Kant para os bichos
Se há um campo que revela todas as inconsistências de nossas filosofias morais, é o da ética aplicada a animais. É legítimo que comamos carne? Podemos fazer experiências com bichos? E manter animais de estimação? Até podemos esboçar respostas para essas perguntas, mas elas se mostrarão, se não exatamente frágeis, ao menos baseadas em pressupostos teóricos que permanecem abertos ao debate.
Christine Korsgaard, uma das maiores filósofas vivas dos EUA, faz, em seu livro "Fellow creatures: our obligations to the other animals" ("Criaturas semelhantes: nossas obrigações com os outros animais", em tradução livre), um belo apanhado da confusão e oferece a sua resposta. Quem modernamente trouxe a questão dos bichos para a arena pública foi Peter Singer, com o lançamento, em 1975, de "Libertação animal". As conclusões práticas pró-bichos de Singer e de Korsgaard até que não estão tão distantes, mas os caminhos que chegam a elas não poderiam ser
mais diferentes. Singer é um consequencialista. Isso significa que toda a sua filosofia se funda na ideia de que prazer e dor e seus análogos correspondem de forma absoluta ao que é bom e ao que é mau. Korsgaard é uma deontologista da cepa kantiana. Ela rejeita não só a identificação de prazer e dor com bem e mal como também a própria possibilidade de que existam valores absolutos. Sua missão, que ela executa com brilho, é tentar mostrar que o imperativo categórico, a noção de que o próximo deve ser tratado como um fim em si mesmo e não apenas como um meio, abarca animais e não só seres humanos.
A dificuldade adicional é que, para fazer isso, Korsgaard precisa corrigir o próprio Kant, para quem a comunidade moral, isto é, a categoria de seres dotados de autonomia que podem ser tratados como fins, está limitada a humanos.
SCHWARTSMAN, Hélio. Kant para os bichos. Folha de S. Paulo, 4. mar. 2019, p. A2.
No enunciado “Korsgaard é uma deontologista da cepa kantiana”, a palavra “cepa” é usada em sentido metafórico.
Mantendo-se a base da metáfora e fazendo-se o ajuste morfossintático de gênero (se necessário), o termo “cepa” pode ser substituído, sem prejuízo de sentido, por:
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