Questão 2 - UEPA 3º Etapa 2012
Texto – Podres Poderes
Enquanto os homens
exercem / Seus podres
poderes
Motos e fuscas avançam /
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes / Somos
uns boçais...
Queria querer gritar /
Setecentas mil vezes
Como são lindos / Como são
lindos os burgueses
E os japoneses / Mas tudo é
muito mais...
Será que nunca faremos /
Senão confirmar
A incompetência / Da
América católica
Que sempre precisará / De
ridículos tiranos
Será, será, que será? / Que
será, que será?
Será que esta / Minha
estúpida retórica
Terá que soar / Terá que se
ouvir
Por mais mil anos...
Enquanto os homens
exercem / Seus podres
poderes
Índios e padres e bichas /
Negros e mulheres
E adolescentes / Fazem o
carnaval...
Queria querer cantar /
Afinado com eles
Silenciar em respeito / Ao
seu transe num êxtase
Ser indecente / Mas tudo é
muito mau...
Ou então cada paisano / E
cada capataz
Com sua burrice fará /
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades /
Caatingas e nos gerais
Será que apenas / Os
hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons / Seus
sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão /
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
exercem / Seus podres
poderes
Morrer e matar de fome /
De raiva e de sede
São tantas vezes / Gestos
naturais...
Eu quero aproximar / O
meu cantar vagabundo
Daqueles que velam / Pela
alegria do mundo
Indo e mais fundo / Tins e
bens e tais...
Será que nunca faremos /
Senão confirmar
Na incompetência / Da
América católica
Que sempre precisará / De
ridículos tiranos
Será, será, que será? /
Que será, que será?
Será que essa / Minha
estúpida retórica
Terá que soar / Terá que
se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano / E
cada capataz
Com sua burrice fará /
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
/ Caatingas e nos gerais...
Será que apenas / Os
hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons /
Seus sons e seus dons
geniais
Nos salvam, nos salvarão /
Dessas trevas e nada
mais...
Enquanto os homens /
Exercem seus podres
poderes
Morrer e matar de fome /
De raiva e de sede
São tantas vezes / Gestos
naturais
Eu quero aproximar / O
meu cantar vagabundo
Daqueles que velam / Pela
alegria do mundo...
Indo mais fundo / Tins e
bens e tais!
Indo mais fundo / Tins e
bens e tais!
Indo mais fundo / Tins e
bens e tais!
(Caetano Veloso)
O Texto faz referência ao carnaval:
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