Questão 1 - UEPA 3º Etapa 2012
Leia o Texto para responder às questão.
Texto I - Construção
Amou daquela vez como se fosse a última /
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único /
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina / Ergueu no
patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico / Seus olhos
embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado /
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago / Dançou e
gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado /
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido / Agonizou
no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último /
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo /
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido/
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico /
Seus olhos embotados de cimento e tráfego.
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe /
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo.
Bebeu e soluçou como se fosse máquina / Dançou e
gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música /
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido / Agonizou
no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina / Beijou sua
mulher como se fosse lógico.
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas / Sentou
pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe /
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir,
Por me deixar respirar, por me deixar existir, / Deus lhe
pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair, /
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir, / Deus
lhe pague.
(Chico Buarque)
Texto II – Podres Poderes
Enquanto os homens
exercem / Seus podres
poderes
Motos e fuscas avançam /
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes / Somos
uns boçais...
Queria querer gritar /
Setecentas mil vezes
Como são lindos / Como são
lindos os burgueses
E os japoneses / Mas tudo é
muito mais...
Será que nunca faremos /
Senão confirmar
A incompetência / Da
América católica
Que sempre precisará / De
ridículos tiranos
Será, será, que será? / Que
será, que será?
Será que esta / Minha
estúpida retórica
Terá que soar / Terá que se
ouvir
Por mais mil anos...
Enquanto os homens
exercem / Seus podres
poderes
Índios e padres e bichas /
Negros e mulheres
E adolescentes / Fazem o
carnaval...
Queria querer cantar /
Afinado com eles
Silenciar em respeito / Ao
seu transe num êxtase
Ser indecente / Mas tudo é
muito mau...
Ou então cada paisano / E
cada capataz
Com sua burrice fará /
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades /
Caatingas e nos gerais
Será que apenas / Os
hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons / Seus
sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão /
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
exercem / Seus podres
poderes
Morrer e matar de fome /
De raiva e de sede
São tantas vezes / Gestos
naturais...
Eu quero aproximar / O
meu cantar vagabundo
Daqueles que velam / Pela
alegria do mundo
Indo e mais fundo / Tins e
bens e tais...
Será que nunca faremos /
Senão confirmar
Na incompetência / Da
América católica
Que sempre precisará / De
ridículos tiranos
Será, será, que será? /
Que será, que será?
Será que essa / Minha
estúpida retórica
Terá que soar / Terá que
se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano / E
cada capataz
Com sua burrice fará /
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
/ Caatingas e nos gerais...
Será que apenas / Os
hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons /
Seus sons e seus dons
geniais
Nos salvam, nos salvarão /
Dessas trevas e nada
mais...
Enquanto os homens /
Exercem seus podres
poderes
Morrer e matar de fome /
De raiva e de sede
São tantas vezes / Gestos
naturais
Eu quero aproximar / O
meu cantar vagabundo
Daqueles que velam / Pela
alegria do mundo...
Indo mais fundo / Tins e
bens e tais!
Indo mais fundo / Tins e
bens e tais!
Indo mais fundo / Tins e
bens e tais!
(Caetano Veloso)
A necessidade de justiça social que é revelada nas passagens dos Textos I e II: “Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir” e “Morrer e matar de fome / De raiva e de sede São tantas vezes / Gestos naturais”, pode ser constatada por situações observadas todos os dias como:
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