Questão 5 - CFO-BM 2011
INSTRUÇÃO A questão relacionam-se com o texto abaixo. Leia atentamente todo o texto antes de responder.
A tragédia que veio da chuva e da omissão
Há um século, libertamos os escravos sem considerar que isso forçaria
migrações em direção às cidades. Desde os anos 30, iniciamos o salto para a
industrialização, aumentando a migração. E submetemos nossos projetos de
infraestrutura urbana à voracidade de um modelo de desenvolvimento perdulário e
[5] concentrador.
Para não mudarmos o modelo de desenvolvimento e o imediatismo que
norteiam nossas decisões, vamos dando ―jeitinhos‖, como se as chuvas nunca
viessem em densidades infernais, nem previsíveis no longo prazo.
A natureza é paciente, mas não tolera ―jeitinhos‖.
[10] A consequência é que as cidades estão pagando pelos erros e omissões do
passado. Nossas cidades são levantadas sobre o alicerce dos ―jeitinhos‖.
Prisioneiros do imediato, ignoramos o futuro.
Não podemos jogar a culpa somente nos atuais governantes, nem nos
governantes locais, nem mesmo em todos os governantes. A culpa é da nossa
[15] cultura de preferência pelo imediato e de pavor à prevenção. Fizemos a opção pelo
imediatismo, pela concentração, pela industrialização rápida, pela urbanização
apressada, com infraestrutura incompleta.
E o resultado é a tragédia. A tragédia vem da ―chuvomissão‖.
Esse é um problema que nenhum governante vai resolver se o Brasil continuar
[20] com a prática do jeitinho suicida.
Certamente, governadores e prefeitos precisam fazer seus deveres de casa,
mas nenhum conseguirá resolver os problemas de sua região se o Brasil continuar
desprezando o futuro.
Enquanto isso não for feito, a chuva e a omissão continuarão a provocar
[25] tragédias cíclicas, gritantes e visíveis, ao lado de outras, permanentes, mas que nos
negamos a ver: na saúde, na pobreza, na educação, na migração por necessidade
de sobreviver. Essas, sim, as verdadeiras causas.
(Cristovam Buarque – Jornal O Tempo, Belo Horizonte, sexta-feira, 16 de abril de 2010)
Das formas verbais sublinhadas nas frases seguintes, a que se configura como construção própria da voz passiva é:
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