Questão 8 - UNIG Nova Iguaçu 2019/2
TEXTO:
Viver bem é a melhor vingança
Saber tirar proveito do que está no banco vale
mais que se matar para ganhar o primeiro milhão
antes dos 40 anos. Construir patrimônio para os filhos
importa menos que poder dedicar tempo a eles. Casar
[5] com o emprego, então, é prova de falta de caráter.
A qualidade de vida tornou-se o valor em alta. Os
homens e as mulheres valorizam o íntimo, o pessoal,
aquilo que já foi chamado de autêntico. O que se
quer é prazer — essa palavra imensa e eclética,
[10] capaz de adquirir tantos sentidos, mas que implica,
sempre, a conquista de uma satisfação interior, uma
alegria sem preço e insubstituível.
É possível encontrar as raízes desse
comportamento numa gigantesca transformação
[15] ocorrida no mundo do trabalho: de uma jornada
de dez horas diárias, em média. Trabalha-se
mais e com uma demanda maior, também para
compensar as demissões nas empresas. Nessas
condições, o trabalho perde uma de suas funções
[20] básicas, que é ajudar o indivíduo a construir a
identidade.
Conforme um levantamento, 21% dos
brasileiros estão mais preocupados em ter qualidade
de vida no dia a dia que em subir na carreira e fazer
[25] fortuna. Essa é a mudança. É possível dizer que, ao
menos em parte, esse estado de espírito é fruto de
uma nova ordem familiar. Na sociedade atual, as
famílias são menores e normalmente há duas fontes
de renda. O pai não precisa mais trabalhar todo o
[30] tempo para garantir o futuro dos filhos. O psicanalista
carioca Joel Birman aponta outro fator. As últimas
décadas foram marcadas pelo colapso das utopias
políticas. Mesmo a crença em reformas sociais e
soluções coletivas desmoronou. O ativismo social
[35] funciona como soma de individualismos. Entidades
que continham ao menos a perspectiva de durabilidade,
como a família, tornaram-se voláteis e inseguras.
Cada um tem de cuidar de si, explica Birman:
“As pessoas se separam mais facilmente, em nome do
[40] prazer, e querem trabalhar menos, em nome do prazer.
Antes, isso era considerado irresponsabilidade. Hoje,
o prazer foi institucionalizado como norma”.
MAGESTE, Paula. In: Época. n. 196, p. 69-75, 18 fev. s.d. (Adaptado).
Sobre a pontuação usada no texto, é correto afirmar:
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