Questão 13 - UEL 2ª Fase - Conhecimentos Gerais 2024/2
Leia a passagem do romance Niketche e responda à questão.
Preciso de um espaço para repousar o meu ser. Preciso de um pedaço de terra. Mas onde está minha terra? Na terra do meu marido? Não, não sou de lá. Ele diz-me que não sou de lá, e se os espíritos da sua família não me quiserem lá, pode expulsar-me de lá. O meu cordão umbilical foi enterrado na terra onde nasci, mas a tradição também diz que não sou de lá. Na terra do meu marido sou estrangeira. Na terra dos meus pais sou passageira. Não sou de lugar nenhum. Não tenho registo, no mapa da vida não tenho nome. Uso este nome de casada que me pode ser retirado a qualquer momento. Por empréstimo. A minha alma é a minha morada. Mas onde vive a minha alma? Uma mulher sozinha é um grão de poeira no espaço, que o vento varre para cá e para lá, na purificação do mundo. Uma sombra sem sol, nem solo, nem nome.
(CHIZIANE, Paulina. Niketche: uma história de poligamia. São Paulo: Companhia de Bolso, 2021. p. 80.)
Acerca da questão do espaço em Niketche, considere as afirmativas a seguir.
I. A condição de “estrangeira” vivida pela protagonista na terra de Tony tem seu fundamento na migração de Rami, que veio do norte da África para Moçambique.
II. As inquietações de Rami quanto ao espaço estão ligadas também às diferenças culturais entre o norte e o sul de Moçambique.
III. Ao dizer que a alma é a morada, Rami amplia a ideia de que “espaço” e “terra” têm, no trecho, sentidos múltiplos, com valores conotativos e denotativos.
IV. O desligamento de espaços físicos – “Não sou de lugar nenhum” – reflete uma crise tipicamente contemporânea, materializada, no trecho, no desabafo pessoal de Rami.
Assinale a alternativa correta.
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