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Questões de EFAI Português

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1.947 Questões

Marca Texto
Modo Escuro
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Questão 8355052
Médio 00:00

AUTORAIS POR 4AF 020 ENU003 2019
  • EFAI Português
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Resolução comentada

O bicho-papão


        O bicho-papão é o rei dos telhados. Ele vive escondido nas sombras e foi inventado pelos adultos para dar sustos nas crianças que não gostam da hora de dormir. Ele só existe à noite, pois a escuridão sempre dá medo. De dia, a gente vê o céu, vê a rua, vê quem está perto e consegue até ver o que está um pouco longe. Mas, à noite, a coisa muda de figura.


        De dia, por exemplo, a pessoa está andando, encontra um buraco na calçada, desvia e vai embora tranquilamente, à noite, mesmo tomando cuidado, pode pisar onde não deve e ficar com a sola do pé bem suja ou cair num buraco, escorregar, ai, ai, quanta dor e confusão o escuro pode causar, porque não dá para ver direito.


        Por essas e outras que, quando a noite chega, tem gente que sente tanto medo que nem, consegue pegar no sono. Tem gente que treme mais que gelatina em cima de uma lambreta. Tem gente que molha a cama só de pensar na escuridão da noite.


        Quando a luz vai embora, a gente não tem certeza de nada. Uma simples vassoura, virada, encostada num canto, pode ser uma criatura magricela e de cabeleira arrepiada. Um sofá pode ser um boi chifrudo deitado na sala. Uma sacola esquecida em cima da mesa pode ser uma cabeça careca, sem orelhas.


        A escuridão parece que tem o dom de ligar os motores da nossa imaginação. Já pensou se o fantasma aparecesse ao meio-dia em uma praia ensolarada, ninguém iria dar atenção, ninguém teria medo, por isso mesmo que coisas que nos dão susto aparecem somente à meia noite.


        E em uma noite dessas, o bicho-papão apareceu. Eu não estava conseguindo dormir e o vi pela janela. Vou contar para vocês como ele era.


        Vamos fazer assim, eu vou falando e vocês vão imaginando, vamos ver quem é que consegue fazer o retrato do bicho-papão.


        Ele tinha pés que pareciam rodas de carro (e tinha chulé); as pernas eram bem gordas pareciam patas de elefante; o seu corpo parecia feito de bexigas, sabe nos aniversários quando as bexigas ficam todas juntas? Então, desse jeito. Tinha quatro braços bem compridos com nove dedos em cada mão e unhas bem compridas também (acho que não as corta); a cabeça parecia uma melancia estragada; ui, tinha meleca saindo pelo nariz que era parecida com uma bolinha pequena; e tinha uma boca enorme, mas não tinha dentes; seus olhos pareciam dois ovos.


        Meio maluco esse bicho-papão, não é? Ah, então agora vou contar como foi meu encontro com o bicho-papão.


        Era uma noite fria, estava super escuro, as estrelas não estavam no céu e a lua tinha se escondido atrás das nuvens-até parecia que elas estavam com medo de dormir. De repente ouvi um som mais ou menos assim:


        — FIIIII, FIIIII, FIIIII.


        Então gritei:


— MAMÃEEEEEE!


        Minha mamãe apareceu, e lhe contei tudinho: que não tinha lua, nem estrelas e que tinha um barulho esquisito. Ela me disse para não ter medo, o barulho era somente o vento e que dormisse de uma vez. Mas eu sabia que alguma coisa estava errada, e falei:


        — Acho que o bicho-papão está lá em cima, no telhado. Eu não consigo dormir e ainda por cima deixei meu quarto bagunçado e todo mundo sabe que ele gosta de quarto bagunçado.


        Mamãe falou pra eu não ficar com medo e dormir logo, falou também que bicho-papão não existe, que é coisa da minha imaginação. Fiquei louca da vida! Adulto é engraçado, não é? Inventa as coisas e depois fica falando que não existe. Eu pedi para mamãe dormir comigo, mas ela não quis e disse que para o bicho-papão ir embora era só cantar.


        "BICHO-PAPÃO SAI DE CIMA DO TELHADO, DEIXA A QUIRA DORMIR SOSSEGADA, VAI-TE PAPÃO, VAI-TE EMBORA DO TELHADO, DEIXA A QUIRA DORMIR SOSSEGADA."


        Então eu cantei, cantei, estava quase conseguindo dormir quando escutei:


        — FIIIII, FIIIII, FIIIII.


        Cantei de novo, e de novo, e de novo, e bem alto, mas não estava funcionado, quanto mais cantava, mais alto e pertinho estava o som. De repente ouvi "BUM", alguma coisa entrou no meu quarto. Eu estava escondida embaixo das cobertas, mas tomei coragem e fui espiando devagarzinho.


        — Me ajudem... tinha pés de... pernas de... corpo de... cabeça de... Quando vi o bicho por completo ele abriu a boca e...


        — BUUUUUU!


Eu tomei mais a coragem ainda, resolvi ver o que o bicho queria, levantei e disse:


        — BUUU, então foi isso que você veio fazer aqui?


        O bicho ficou um pouco assustado e começou a conversar comigo. Ele me contou que o nome dele era Bicho-Papão Papusso e que morava na Papolândia, lá eles gostam de tudo que é sujo, por isso que bicho-papão só aparece em quarto bagunçado. Na Papolândia morava vários bichos-papões, cada um de um jeito diferente. Durante o dia eles dormem lá na Papolândia e à noite eles ficam em cima de telhados esperando as crianças dormirem para pegar meias sujas, que é o alimento preferido dos bichos-papões. Então entendi por que é as vezes um pé de meia desaparece. Eles também pegam muitas sujeiras com os seus quatro braços e levam tudo para Papolândia. Assustam as crianças para que elas durmam logo e possam pegar mais meias sujeiras. Como o Bicho-Papão Papusso não conseguiu me assustar e estava muito frio para ficar esperando lá no telhado, ele decidiu me falar toda a verdade sobre os bichos-papões e é por isso que eu sei dessa história.


        Então Papusso pegou algumas sujeiras lá do meu quarto e foi-se embora. Depois disso, dormi, mas nunca mais deixei meu quarto bagunçado, pois dessa vez tive a sorte de encontrar o Bicho-Papão Papusso que é bonzinho e não aprendeu assustar, mas vai que na próxima aparece um bicho-papão malvado e assustador de verdade.


CLEMENTE, Rosa. Poesia: O Bicho Papão.

Leia o fato e assinale sua respectiva consequência.


Fato − A criança criou coragem e falou com o bicho-papão.

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Questão 8355046
Médio 00:00

AUTORAIS POR 4AF 020 ENU003 2019
  • EFAI Português
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Resolução comentada

O bicho-papão


        O bicho-papão é o rei dos telhados. Ele vive escondido nas sombras e foi inventado pelos adultos para dar sustos nas crianças que não gostam da hora de dormir. Ele só existe à noite, pois a escuridão sempre dá medo. De dia, a gente vê o céu, vê a rua, vê quem está perto e consegue até ver o que está um pouco longe. Mas, à noite, a coisa muda de figura.


        De dia, por exemplo, a pessoa está andando, encontra um buraco na calçada, desvia e vai embora tranquilamente, à noite, mesmo tomando cuidado, pode pisar onde não deve e ficar com a sola do pé bem suja ou cair num buraco, escorregar, ai, ai, quanta dor e confusão o escuro pode causar, porque não dá para ver direito.


        Por essas e outras que, quando a noite chega, tem gente que sente tanto medo que nem, consegue pegar no sono. Tem gente que treme mais que gelatina em cima de uma lambreta. Tem gente que molha a cama só de pensar na escuridão da noite.


        Quando a luz vai embora, a gente não tem certeza de nada. Uma simples vassoura, virada, encostada num canto, pode ser uma criatura magricela e de cabeleira arrepiada. Um sofá pode ser um boi chifrudo deitado na sala. Uma sacola esquecida em cima da mesa pode ser uma cabeça careca, sem orelhas.


        A escuridão parece que tem o dom de ligar os motores da nossa imaginação. Já pensou se o fantasma aparecesse ao meio-dia em uma praia ensolarada, ninguém iria dar atenção, ninguém teria medo, por isso mesmo que coisas que nos dão susto aparecem somente à meia noite.


        E em uma noite dessas, o bicho-papão apareceu. Eu não estava conseguindo dormir e o vi pela janela. Vou contar para vocês como ele era.


        Vamos fazer assim, eu vou falando e vocês vão imaginando, vamos ver quem é que consegue fazer o retrato do bicho-papão.


        Ele tinha pés que pareciam rodas de carro (e tinha chulé); as pernas eram bem gordas pareciam patas de elefante; o seu corpo parecia feito de bexigas, sabe nos aniversários quando as bexigas ficam todas juntas? Então, desse jeito. Tinha quatro braços bem compridos com nove dedos em cada mão e unhas bem compridas também (acho que não as corta); a cabeça parecia uma melancia estragada; ui, tinha meleca saindo pelo nariz que era parecida com uma bolinha pequena; e tinha uma boca enorme, mas não tinha dentes; seus olhos pareciam dois ovos.


        Meio maluco esse bicho-papão, não é? Ah, então agora vou contar como foi meu encontro com o bicho-papão.


        Era uma noite fria, estava super escuro, as estrelas não estavam no céu e a lua tinha se escondido atrás das nuvens-até parecia que elas estavam com medo de dormir. De repente ouvi um som mais ou menos assim:


        — FIIIII, FIIIII, FIIIII.


        Então gritei:


— MAMÃEEEEEE!


        Minha mamãe apareceu, e lhe contei tudinho: que não tinha lua, nem estrelas e que tinha um barulho esquisito. Ela me disse para não ter medo, o barulho era somente o vento e que dormisse de uma vez. Mas eu sabia que alguma coisa estava errada, e falei:


        — Acho que o bicho-papão está lá em cima, no telhado. Eu não consigo dormir e ainda por cima deixei meu quarto bagunçado e todo mundo sabe que ele gosta de quarto bagunçado.


        Mamãe falou pra eu não ficar com medo e dormir logo, falou também que bicho-papão não existe, que é coisa da minha imaginação. Fiquei louca da vida! Adulto é engraçado, não é? Inventa as coisas e depois fica falando que não existe. Eu pedi para mamãe dormir comigo, mas ela não quis e disse que para o bicho-papão ir embora era só cantar.


        "BICHO-PAPÃO SAI DE CIMA DO TELHADO, DEIXA A QUIRA DORMIR SOSSEGADA, VAI-TE PAPÃO, VAI-TE EMBORA DO TELHADO, DEIXA A QUIRA DORMIR SOSSEGADA."


        Então eu cantei, cantei, estava quase conseguindo dormir quando escutei:


        — FIIIII, FIIIII, FIIIII.


        Cantei de novo, e de novo, e de novo, e bem alto, mas não estava funcionado, quanto mais cantava, mais alto e pertinho estava o som. De repente ouvi "BUM", alguma coisa entrou no meu quarto. Eu estava escondida embaixo das cobertas, mas tomei coragem e fui espiando devagarzinho.


        — Me ajudem... tinha pés de... pernas de... corpo de... cabeça de... Quando vi o bicho por completo ele abriu a boca e...


        — BUUUUUU!


Eu tomei mais a coragem ainda, resolvi ver o que o bicho queria, levantei e disse:


        — BUUU, então foi isso que você veio fazer aqui?


        O bicho ficou um pouco assustado e começou a conversar comigo. Ele me contou que o nome dele era Bicho-Papão Papusso e que morava na Papolândia, lá eles gostam de tudo que é sujo, por isso que bicho-papão só aparece em quarto bagunçado. Na Papolândia morava vários bichos-papões, cada um de um jeito diferente. Durante o dia eles dormem lá na Papolândia e à noite eles ficam em cima de telhados esperando as crianças dormirem para pegar meias sujas, que é o alimento preferido dos bichos-papões. Então entendi por que é as vezes um pé de meia desaparece. Eles também pegam muitas sujeiras com os seus quatro braços e levam tudo para Papolândia. Assustam as crianças para que elas durmam logo e possam pegar mais meias sujeiras. Como o Bicho-Papão Papusso não conseguiu me assustar e estava muito frio para ficar esperando lá no telhado, ele decidiu me falar toda a verdade sobre os bichos-papões e é por isso que eu sei dessa história.


        Então Papusso pegou algumas sujeiras lá do meu quarto e foi-se embora. Depois disso, dormi, mas nunca mais deixei meu quarto bagunçado, pois dessa vez tive a sorte de encontrar o Bicho-Papão Papusso que é bonzinho e não aprendeu assustar, mas vai que na próxima aparece um bicho-papão malvado e assustador de verdade.


CLEMENTE, Rosa. Poesia: O Bicho Papão.

No trecho: "Cantei de novo, e de novo̲, e bem alto...", a repetição dessa palavra foi usada para demonstrar que a criança

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Questão 8355037
Médio 00:00

AUTORAIS POR 4AF 020 ENU002 2019
  • EFAI Português
  • Sugira
  • Interpretação de Texto
  • Polissemia - Anos Iniciais
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Resolução comentada

O mistério dos diamantes


         Em O mistério dos diamantes, Marco e Maia são jovens detetives que trabalham desvendando os casos misteriosos da pequena cidade de Valleby e que precisam descobrir quem está roubando os diamantes mais valiosos da joalheria do senhor Muhammed. Os principais suspeitos são os próprios funcionários. Mas qual deles será o culpado" Como é que o ladrão consegue sair da loja com os diamantes, sem que ninguém perceba" Essa intrigante história de mistério apresenta pistas e deduções lógicas que ajudam o leitor a solucionar o crime junto com os personagens.


         Conheça os dois primeiros capítulos dessa intrigante história.


Capítulo 1 - Na agência de detetives


         As ruas estão desertas na pequena cidade de Valleby, na Súecia. São apenas três da tarde, mas já está escuro porque os dias são muito curtos durante o inverno. As ruas e as praças estão molhadas e sujas. O mês é fevereiro.


         A luz do quarto de Maia, no porão da casa, está acesa. Lá dentro, Maia e seu colega de escola, Marco estão abrigados do frio que faz lá fora. Os dois são quase da mesma idade e estão de férias. Mas nem Maia nem Marco têm vontade de andar de trenó com seus amigos. O interesse deles é outro.


         — Sinto que alguma coisa emocionante está para acontecer em breve-diz, Marco.


         — Hum... — responde Maia, sem interromper sua leitura.


         Eles montaram um pequeno escritório no porão da casa de Maia. Cercados de pesados livros, eles passam o dia sentados em velhas poltronas em volta de uma mesa redonda. Os livros são romances policiais do pai de Maia. Agora que estão de férias, querem aprender mais como os ladrões e os policiais agem. Maia e Marco, porém, não são apenas amigos, eles também são sócios em uma agência de detetives: Agência de Detetives Marco & Maia.


         Talvez você não saiba e espiona o que seja um detetive. O detetive é um policial disfarçado. Ele segue e espiona pessoas suspeitas, tira fotografias e observa com a ajuda de um binóculo. Ele faz de tudo para prender um bandido.


         — Não vejo a hora de termos um caso emocionante, suspira Maia.


         — Parece que os ladrões também estão de férias, diz Marco.


         No escritório, existe também um armário onde Marco e Maia guardaram tudo de que precisam para seu trabalho de detetive:


         Máquina fotográfica com flash, assim eles podem fotografar no escuro.


         Binóculo, para poder ver de longe.


         Lupa, para ver as impressões digitais.


         Espelho, para poder vigiar a esquina.


         Nariz falso e peruca, para se disfarçar.


         Lanternas, para iluminar no escuro


         Cofre, onde poderão guardar o dinheiro que ganharem.


         Mas, por enquanto, o cofre está vazio, porque há muito tempo, nada de emocionante acontece.. Marco e Maia espalharam um anúncio pela cidade, em postes e nas entradas dos edifícios. O anúncio diz:


image


         Enquanto esperam por um caso, eles leem livros policiais. Maia conta para Marco o que ela está lendo em um livro. É uma história sobre um bandido que sequestra cães na frente das lojas. Depois ele telefona para os donos exigindo um resgate para devolver os pobres animais. Maia fica indignada só de pensar nisso.


         Alguém bate na porta. Marco e Maia se entreolham. Quem poderá ser?


Capítulo 2 - Um homem desesperado pede ajuda


         Marco vai abrir a porta.


         Lá fora, na escada, vê um homem com um gorro de listras, um grande bigode negro e sapatos molhados.


         Ele se chama Muhammed Kilat, e é o homem mais rico de toda Valleby. Ele é o dono da joalheria da rua da igreja, muito conhecido por seus fantásticos diamantes, anéis, brincos e demais joias.


         Marco indica o caminho para o escritório.


         — Bem vindo, senhor Kilat. Por favor, sente-se, Maia diz, apontando para a poltrona vazia onde Marco estava sentado.


         Muhammed Kilat senta-se logo na poltrona e tira um lenço do bolso do casaco. Ele está suando. Marco e Maia perceberam que ele está nervoso.


         — Estou desesperado. Li o anúncio de vocês no poste em frente à minha loja, diz Muhammed Kilat. — Preciso de ajuda.


         Marco e Maia pegam suas canetas e um bloco de anotações.


         — Faz muito tempo que tenho minha joalheria na rua da igreja. Joalheria Guld. Os negócios têm transcorrido de uma maneira brilhante, diz Muhammed Kilat. Clientes dos lugares mais distantes procuram minha pequena loja aqui em Valleby. Mas agora minha estrela da sorte se apagou-diz ele, assoando o nariz no lenço que tira do bolso. A cada dia que passa, fico mais pobre — suspira Muhammed Kilat.


         E continua:


         — Parece que alguém que trabalha na minha loja está roubando meus diamantes. Cinco pedras muito preciosas desapareceram em pouco tempo e eu não entendo como foi possível.


         Todos os que trabalham na loja são obrigados a esvaziar bolsas e bolsos antes de ir para casa. Mas eu não encontro nada. Nada foi retirado da loja. Tenho certeza absoluta disso.[...]-Em breve estarei arruinado e terei que fechar a loja, lamenta. Sem meus famosos diamantes, os clientes perderão o interesse por minha joalheria.


         Marco e Maia notam que ele está muito agitado.


         — É uma situação difícil, diz Marco, coçando o nariz com a caneta. O senhor não tem nenhum suspeito. É isso mesmo? pergunta Marco.


         — Exatamente, responde Muhammed Kilat. — Perguntou se vocês podem aceitar esse caso. Vocês podem fingir que vão trabalhar em minha loja. Então podem espionar meus empregados e me dar algumas dicas. Por favor, ajudem-me a descobrir quem está roubando meus diamantes. Pago bem. Estão interessados? Por favor, digam que sim!


         — Começaremos amanhã! — diz Maia. [...]


WIDMARK, Martim. O mistério dos diamantes. São Paulo: Callis Editora, 2013.

"...Se conseguisse que eles começassem a discutir, talvez ficasse mais fácil fugir."


Assinale a alternativa que substitua a palavra destacada:

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Questão 8355027
Médio 00:00

AUTORAIS POR 4AF 020 ENU001 2019
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Resolução comentada

O texto que você lerá agora é uma letra de música que mostra como seria a cidade ideal do cachorro, da galinha, do jumento e da gata, personagens da peça de teatro Os saltimbacos, em uma adaptação do músico e compositor Chico Buarque de Holanda. As músicas da peça são tão bonitas que viraram um CD.



A cidade ideal



CACHORRO

A cidade ideal dum cachorro

Tem um poste por metro quadrado

Não tem carro, não corro, não morro

E também nunca fico apertado



GALINHA

A cidade ideal da galinha

Tem as ruas cheias de minhoca

A barriga fica tão quentinha

Que transforma o milho em pipoca



CRIANÇAS

Atenção porque nesta cidade

Corre-se a toda velocidade

E atenção que o negócio está perto

Restaurante assando galeto



TODOS

Mas não, mas não

O sonho é meu e eu sonho que

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

Fossem somente crianças

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

E os pintores e os vendedores

Fossem somente crianças



GATA

A cidade ideal de uma gata

É um prato de tripa fresquinha

Tem sardinha num bonde de lata

Tem alcatra no final da linha



JUMENTO

Jumento é velho, velho e sabido

E por isso já está prevenido

A cidade é uma estranha senhora

Que hoje sorri e amanhã te devora



CRIANÇAS

Atenção que o jumento é sabido

É melhor ficar bem prevenido

E olha, gata, que a tua pelica

Vai virar uma bela cuíca



TODOS

Mas não, mas não

O sonho é meu e eu sonho que

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

Fossem somente crianças

Deve ter alamedas verdes

A cidade dos meus amores

E, quem dera, os moradores

E o prefeito e os varredores

E os pintores e os vendedores

As senhoras e os senhores

E os guardas e os inspetores

Fossem somente crianças




Enriquez Bardotti e Chico Buarque.

Cada personagem sonhava com uma cidade ideal. Por quê?

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Questão 8355021
Médio 00:00

AUTORAIS POR 4AF 020 ENU001 2019
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Resolução comentada


A casa da rua das sombras

Tem gente que é curiosa. Tem que é sossegada. Tem gente que fica quieta. Tem gente que é afobada. Gente de todo jeito, jeito para toda gente. É assim que as pessoas são. E quer saber qual é a melhor maneira de aprender como existe gente do outro lado do balcão.

Isso so funciona para quem tem um balcão, é claro. Beto, por exemplo, aprendeu isso desde bem pequeno, vendo Mário, o pai dele trabalhar na mercadoria. Não passava um minuto sem entrar uma pessoa diferente. E tinha cada tipo, cada sujeito engraçado!

O pai de Beto dizia que o lugar em que eles viviam não era feito de casas e ruas. Era feito de gente. E, se alguém duvidava, ele respondia:

-Tire as pessoas da nossa cidade e você verá o que sobra. Só prédio, rua vazia e um silêncio do tamanho do mundo. Um lugar abandonado!

De tanto ver o pai atender, responder, explicar, Beto também aprendeu a conversar. E quem fala pelos cotovelos arranja amigo em qualquer canto. Fazendo amigo aqui e acolá, contando novidade, mandando recado, trazendo noticia, Beto se tornou um especialista no lugar em que ele nasceu.

Duvida? É só perguntar se a cidade tem uma praça:

-Uma não! Tem duas: a das Flores e a do Sossego. Na Praça das Flores tem flor. Na do sossego não tem ninguém acordado.

E cinema?

-Mas, claro, cinema não poderia faltar! É lá que eu vejo meus filmes favoritos, aqueles de arrepiar!

De tanto dar informação, Beto acabou ganhando o apelido de "Jornal Falado". Dava notícia de tudo! Mas era apenas brincadeira, é claro. Só que, quando o povo brincava, Beto já começava a pensar lá na frente: "ESSE negócio de dar notícia, de virar jornal falado pode ser um bom começo de negócio...Posso ganhar uns trocados!"

Por essas e por outras é que todo mundo dizia que ninguém conhecia a cidade como o Beto. Mas seria mesmo verdade? Quando falavam isso perto dele, o garoto saía de fininho, para encurtar a conversa. Ou então mudava de assunto.

Isso acontecia porque no fundo, no fundo, havia alguns lugares que o Beto ainda não conhecia. Um deles, então, ele fazia questão de ignorar. Um lugar que, só de pensar, Beto ficava todo arrepiado...

O jovem poderia caminhar na Rua da Direita, na Rua da Esquerda, na Ladeira da Sombras, nem pensar!

Beto tinha amigos, lá estava ela. Manuela! Uma amiga especial. Beto ainda não tinha descoberto se Manuela era um doce de pessoa ou um furacão em forma de gente. Só sabia, mesmo, que Manuela era muito, muito inteligente

Mas ele ficava apavorado quando a garota aparecia com uma ideia muito diferente:

-Beto, você sempre diz que gosta de fazer coisas, de procurar novas oportunidades. Então, esta é a chance de ouro! Faremos um jornalzinho impresso.

Segundo a amiga, a ideia era perfeita. Ela sabia escrever e Beto estava sempre em dia com todas as novidades.

-Será perfeito, Beto! Você será meu repórter de campo! Qualquer furo de reportagem, você tratará para eu publicar no nosso jornal.

Eu acho que eu conseguirei, é furo no sapato. Além do mais, eu não sou de fofocar!

Fofocar!"" Isso é jornalismo, Beto! Nós não temos um jornalzinho do bairro, você sabia? Uma comunidade sem notícia fica isolado do mundo...

-Está certo, Manuela. Eu serei o repórter. Mas me diga só uma coisa: como é que você publicará o jornal" Você ficou rica, por acaso"

-Ah, não se preocupe. Nós teremos muitos patrocinadores, assim que você conseguir um grande furo de reportagem, uma notícia que interesse a todo mundo. Um grande segredo revelado ou algo assim.

Beto, cada vez mais desconfiado com a conversa, ainda fez mais uma tentativa:

-Onde nós conseguiremos um furo de reportagem?

-Ora, Beto, puxe pela memória! Você não se lembra de nada nesta cidade que mereça uma investigação?

Investigação...reportagem...mas de onde a Manuela tinha tirado essa ideia? Até parece que ela sabia de um grande segredo na...

-Rua das Sombras..

-O quê?

-Nada, nada...

-Eu ouvi muito bem, Beto! Você falou Rua das Sombras!

Pronto, não teve jeito. Beto teve que falar para a Manuela sobre...


O segredo da Rua das Sombras

A rua das Sombras ficava no canto mais escuro da cidade. Na verdade, nem de rua poderia ser chamada. Era um caminho meio torto, com uma casa aqui, outro ali e mais nada. E, na rua inteira, quando anoitecia, caía a escuridão pesada.

No canto mais escuro da Rua das Sombras, ficava a casa velha. Ela ficou vazia durante muito tempo, até que chegou o "Homem da Escuridão".Caladão, esquisitão, o homem chegou trazendo um monte de caixas, caixinhas, caixotes. Talvez até caixões, algumas pessoas suspeitavam. Mas ninguém nunca conseguiu descobrir.

Com seu casco preto, caminhando pelo quintal nas noites sem lua, o "Homem da Escuridão" era assustador. E assustava mais ainda quando ele pegava a grande mala preta e saía pela noite para longe da cidade.

O que o "Homem da Escuridão" levava na mala" Por que as luzes da casa ficavam sempre apagadas"

Isso só o gato preto que morava com ele poderia responder. Se os gatos soubessem falar!...

Foi mais ou menos isso que Beto contou a Manuela. A resposta dela veio na hora!

-Excelente, Beto! Aí está a nossa matéria!

-Como assim?

-Você falará com o "Homem da Escuridão" e conseguirá esse furo de reportagem.

-Eu"! Mas...e se ele for um louco" Um vampirão? Aquele sujeito é muito esquisito...Com aquele gato preto, então, fico com calafrios só de lembrar.

Nem deu tempo de terminar a reclamação.

Duda, o maior especialista em história de mistério, de ação, de suspense, de qualquer coisa que coubesse em livro ou gibi, apareceu. Era um leitor apaixonado e não perdia a oportunidade de mostrar que sabia das coisas, o espertinho!

Em dois minutos, já tinha a solução:

-O problema está resolvido, Beto. Você terá de ir disfarçado!

-Como assim, disfarçado" Você quer que eu visite o esquisitão vestido de pirata" De samambaia?

-Nada disso. Já tenho tudo planejado! Escutem...

Foi por essa e por outras que, mais tarde, Beto entrou na mercearia do pai dele todo impaciente...

Olha só como o Beto foi falar com o seu Mário:

Pai, posso ser seu empregado?

-Que conversa é essa, Beto" Desde quando você está procurando emprego"

-Na verdade, eu comecei a procurar há uns cinco minutos.

-Ah, é? Pois pode parar por aqui. Pode tirar o cavalinho da chuva, porque lugar de criança é bem longe do trabalho!

-Mas, pai, eu poderei ser o entregador da mercearia, já pensou? Eu conheço a cidade todinha, farei as entregas com minha bicicleta!

Seu Mário até que gostava daquele jeito animado do Beto. Ele estava sempre procurando o que fazer, sempre com uma boa ideia para começar um negócio. Mas onde já se viu crianças trabalhando" E a escola, onde é que ficava"

-Nada disso, Beto. Seu negócio é estudar. Trabalhando, por enquanto, deixe comigo.E pode ir andando, porque eu estou muito ocupado!

E lá se foi por água abaixo o plano do Duda. Como entregador, Beto teria uma ótima desculpa para bater à porta da casa descobrir o que o homem fazia pela noite afora, com as luzes apagadas...Se ele morava mesmo sozinho com aquele gato preto...Por que ele saía com a mala pra longe da cidade...

Quando começou a pensar nisso tudo, Beto até que se alegrou com o fracasso do plano."Bem, tudo por água abaixo, tudo resolvido!"E já ia saindo da mercearia quando o pai chamou:

-Beto, já que você está à toa, pode me fazer um favor?

-Claro, pai, pode dizer.

-Esta carta veio por engano aqui para a mercearia. Você poderia entregar no endereço certo?

-Deixe comigo, pai.

Claro que ele poderia entregar! Ele conhecia a cidade até de olhos fechados. Claro que ele poderia entregar a carta na Rua das Sombras, número 13!

Era muita coincidência! tinha a desculpa perfeita para deixar a história da casa misteriosa de lado! Parecia de propósito, um plano muito bem elaborado...

Entusiasmado, Beto contou aos amigos que outro motivo apareceu para visitar o lugar mal-assombrado.

Tudo combinado, Beto foi na frente, Manuela e Duda ficaram escondidinhos atrás de uma árvore para ver o resultado.

A porta se abriu lentamente assim que o menino bateu. De longe, os outros dois não viam quem estava dentro e ficaram apavorados quando Beto entrou.

Quando Manuela e Duda não estavam suportando mais a preocupação, Beto apareceu com um gato preto no colo, um biscoito na mão e um sorriso no rosto. Foi logo falando:

-Acho bom vocês entram na casa também, Senão não acreditarão no que eu tenho para contar.

Quando os três entraram na sala, Manuela deu um grito que deu para ouvir do outro lado da rua.

Ela nunca tinha visto nada tão bonito. Nada tão impressionante. Nada tão diferente. Nada tão...

No canto da sala, apontando para a janela, estava um telescópio maravilhoso, imenso, apoiado em um tripé.

Um aparelho lindo, brilhante, daqueles que os três só conheciam dos filmes da TV. E, ao pé dele, o "Homem da Escuridão", preocupado em limpar, polir, anotar, rabiscar. Tão atarefado que nem perdeu tempo:

-Ah, vocês são os amigos do Beto? Entrem, ajeitem-se por aí. Tem biscoito na cozinha. Com licença, que estou ocupado.

Manuela e Duda descobriram que o "Homem da Escuridão" tinha um nome: doutor Plínio das Couves Penteado. Um nome engraçado, mas bem melhor do que aquele seu apelido tão sinistro. Era astrônomo e tinha escolhido o lugar mais escuro para morar porque, quanto menos luz, melhor para ver as estrelas. Para um astrônomo, trabalhar à noite, dentro de casa ou pelo campo afora é a coisa mais normal do mundo, tão normal quanto fritar batatas numa lanchonete ou escrever relatórios num escritório. Em sua mala carregava um telescópio menor, que ele usava para observar as estrelas fora de casa.

O gato se chamava Etevaldo e era um lindo gato preto que resolveu morar com o doutor Plínio porque ele não se incomodava com sua cor.

Essa foi a última vez que o doutor Plínio foi chamado de "Homem da Escuridão, porque a primeira manchete do jornal da Manuela deu um novo apelido para ele:


image

Na história, a pessoa que as crianças achavam que era o "Homem da Escuridão" acabou se tornado "Homem das Estrelas".

Assinale o ditado popular que melhor se encaixa a essa situação.

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Questão 8355014
Médio 00:00

AUTORAIS POR 4AF 020 ENU001 2019
  • EFAI Português
  • Sugira
  • Gêneros Textuais
  • Diários, Relatos, Contos e Crônicas - Texto
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Resolução comentada


A casa da rua das sombras

Tem gente que é curiosa. Tem que é sossegada. Tem gente que fica quieta. Tem gente que é afobada. Gente de todo jeito, jeito para toda gente. É assim que as pessoas são. E quer saber qual é a melhor maneira de aprender como existe gente do outro lado do balcão.

Isso so funciona para quem tem um balcão, é claro. Beto, por exemplo, aprendeu isso desde bem pequeno, vendo Mário, o pai dele trabalhar na mercadoria. Não passava um minuto sem entrar uma pessoa diferente. E tinha cada tipo, cada sujeito engraçado!

O pai de Beto dizia que o lugar em que eles viviam não era feito de casas e ruas. Era feito de gente. E, se alguém duvidava, ele respondia:

-Tire as pessoas da nossa cidade e você verá o que sobra. Só prédio, rua vazia e um silêncio do tamanho do mundo. Um lugar abandonado!

De tanto ver o pai atender, responder, explicar, Beto também aprendeu a conversar. E quem fala pelos cotovelos arranja amigo em qualquer canto. Fazendo amigo aqui e acolá, contando novidade, mandando recado, trazendo noticia, Beto se tornou um especialista no lugar em que ele nasceu.

Duvida? É só perguntar se a cidade tem uma praça:

-Uma não! Tem duas: a das Flores e a do Sossego. Na Praça das Flores tem flor. Na do sossego não tem ninguém acordado.

E cinema?

-Mas, claro, cinema não poderia faltar! É lá que eu vejo meus filmes favoritos, aqueles de arrepiar!

De tanto dar informação, Beto acabou ganhando o apelido de "Jornal Falado". Dava notícia de tudo! Mas era apenas brincadeira, é claro. Só que, quando o povo brincava, Beto já começava a pensar lá na frente: "ESSE negócio de dar notícia, de virar jornal falado pode ser um bom começo de negócio...Posso ganhar uns trocados!"

Por essas e por outras é que todo mundo dizia que ninguém conhecia a cidade como o Beto. Mas seria mesmo verdade? Quando falavam isso perto dele, o garoto saía de fininho, para encurtar a conversa. Ou então mudava de assunto.

Isso acontecia porque no fundo, no fundo, havia alguns lugares que o Beto ainda não conhecia. Um deles, então, ele fazia questão de ignorar. Um lugar que, só de pensar, Beto ficava todo arrepiado...

O jovem poderia caminhar na Rua da Direita, na Rua da Esquerda, na Ladeira da Sombras, nem pensar!

Beto tinha amigos, lá estava ela. Manuela! Uma amiga especial. Beto ainda não tinha descoberto se Manuela era um doce de pessoa ou um furacão em forma de gente. Só sabia, mesmo, que Manuela era muito, muito inteligente

Mas ele ficava apavorado quando a garota aparecia com uma ideia muito diferente:

-Beto, você sempre diz que gosta de fazer coisas, de procurar novas oportunidades. Então, esta é a chance de ouro! Faremos um jornalzinho impresso.

Segundo a amiga, a ideia era perfeita. Ela sabia escrever e Beto estava sempre em dia com todas as novidades.

-Será perfeito, Beto! Você será meu repórter de campo! Qualquer furo de reportagem, você tratará para eu publicar no nosso jornal.

Eu acho que eu conseguirei, é furo no sapato. Além do mais, eu não sou de fofocar!

Fofocar!"" Isso é jornalismo, Beto! Nós não temos um jornalzinho do bairro, você sabia? Uma comunidade sem notícia fica isolado do mundo...

-Está certo, Manuela. Eu serei o repórter. Mas me diga só uma coisa: como é que você publicará o jornal" Você ficou rica, por acaso"

-Ah, não se preocupe. Nós teremos muitos patrocinadores, assim que você conseguir um grande furo de reportagem, uma notícia que interesse a todo mundo. Um grande segredo revelado ou algo assim.

Beto, cada vez mais desconfiado com a conversa, ainda fez mais uma tentativa:

-Onde nós conseguiremos um furo de reportagem?

-Ora, Beto, puxe pela memória! Você não se lembra de nada nesta cidade que mereça uma investigação?

Investigação...reportagem...mas de onde a Manuela tinha tirado essa ideia? Até parece que ela sabia de um grande segredo na...

-Rua das Sombras..

-O quê?

-Nada, nada...

-Eu ouvi muito bem, Beto! Você falou Rua das Sombras!

Pronto, não teve jeito. Beto teve que falar para a Manuela sobre...


O segredo da Rua das Sombras

A rua das Sombras ficava no canto mais escuro da cidade. Na verdade, nem de rua poderia ser chamada. Era um caminho meio torto, com uma casa aqui, outro ali e mais nada. E, na rua inteira, quando anoitecia, caía a escuridão pesada.

No canto mais escuro da Rua das Sombras, ficava a casa velha. Ela ficou vazia durante muito tempo, até que chegou o "Homem da Escuridão".Caladão, esquisitão, o homem chegou trazendo um monte de caixas, caixinhas, caixotes. Talvez até caixões, algumas pessoas suspeitavam. Mas ninguém nunca conseguiu descobrir.

Com seu casco preto, caminhando pelo quintal nas noites sem lua, o "Homem da Escuridão" era assustador. E assustava mais ainda quando ele pegava a grande mala preta e saía pela noite para longe da cidade.

O que o "Homem da Escuridão" levava na mala" Por que as luzes da casa ficavam sempre apagadas"

Isso só o gato preto que morava com ele poderia responder. Se os gatos soubessem falar!...

Foi mais ou menos isso que Beto contou a Manuela. A resposta dela veio na hora!

-Excelente, Beto! Aí está a nossa matéria!

-Como assim?

-Você falará com o "Homem da Escuridão" e conseguirá esse furo de reportagem.

-Eu"! Mas...e se ele for um louco" Um vampirão? Aquele sujeito é muito esquisito...Com aquele gato preto, então, fico com calafrios só de lembrar.

Nem deu tempo de terminar a reclamação.

Duda, o maior especialista em história de mistério, de ação, de suspense, de qualquer coisa que coubesse em livro ou gibi, apareceu. Era um leitor apaixonado e não perdia a oportunidade de mostrar que sabia das coisas, o espertinho!

Em dois minutos, já tinha a solução:

-O problema está resolvido, Beto. Você terá de ir disfarçado!

-Como assim, disfarçado" Você quer que eu visite o esquisitão vestido de pirata" De samambaia?

-Nada disso. Já tenho tudo planejado! Escutem...

Foi por essa e por outras que, mais tarde, Beto entrou na mercearia do pai dele todo impaciente...

Olha só como o Beto foi falar com o seu Mário:

Pai, posso ser seu empregado?

-Que conversa é essa, Beto" Desde quando você está procurando emprego"

-Na verdade, eu comecei a procurar há uns cinco minutos.

-Ah, é? Pois pode parar por aqui. Pode tirar o cavalinho da chuva, porque lugar de criança é bem longe do trabalho!

-Mas, pai, eu poderei ser o entregador da mercearia, já pensou? Eu conheço a cidade todinha, farei as entregas com minha bicicleta!

Seu Mário até que gostava daquele jeito animado do Beto. Ele estava sempre procurando o que fazer, sempre com uma boa ideia para começar um negócio. Mas onde já se viu crianças trabalhando" E a escola, onde é que ficava"

-Nada disso, Beto. Seu negócio é estudar. Trabalhando, por enquanto, deixe comigo.E pode ir andando, porque eu estou muito ocupado!

E lá se foi por água abaixo o plano do Duda. Como entregador, Beto teria uma ótima desculpa para bater à porta da casa descobrir o que o homem fazia pela noite afora, com as luzes apagadas...Se ele morava mesmo sozinho com aquele gato preto...Por que ele saía com a mala pra longe da cidade...

Quando começou a pensar nisso tudo, Beto até que se alegrou com o fracasso do plano."Bem, tudo por água abaixo, tudo resolvido!"E já ia saindo da mercearia quando o pai chamou:

-Beto, já que você está à toa, pode me fazer um favor?

-Claro, pai, pode dizer.

-Esta carta veio por engano aqui para a mercearia. Você poderia entregar no endereço certo?

-Deixe comigo, pai.

Claro que ele poderia entregar! Ele conhecia a cidade até de olhos fechados. Claro que ele poderia entregar a carta na Rua das Sombras, número 13!

Era muita coincidência! tinha a desculpa perfeita para deixar a história da casa misteriosa de lado! Parecia de propósito, um plano muito bem elaborado...

Entusiasmado, Beto contou aos amigos que outro motivo apareceu para visitar o lugar mal-assombrado.

Tudo combinado, Beto foi na frente, Manuela e Duda ficaram escondidinhos atrás de uma árvore para ver o resultado.

A porta se abriu lentamente assim que o menino bateu. De longe, os outros dois não viam quem estava dentro e ficaram apavorados quando Beto entrou.

Quando Manuela e Duda não estavam suportando mais a preocupação, Beto apareceu com um gato preto no colo, um biscoito na mão e um sorriso no rosto. Foi logo falando:

-Acho bom vocês entram na casa também, Senão não acreditarão no que eu tenho para contar.

Quando os três entraram na sala, Manuela deu um grito que deu para ouvir do outro lado da rua.

Ela nunca tinha visto nada tão bonito. Nada tão impressionante. Nada tão diferente. Nada tão...

No canto da sala, apontando para a janela, estava um telescópio maravilhoso, imenso, apoiado em um tripé.

Um aparelho lindo, brilhante, daqueles que os três só conheciam dos filmes da TV. E, ao pé dele, o "Homem da Escuridão", preocupado em limpar, polir, anotar, rabiscar. Tão atarefado que nem perdeu tempo:

-Ah, vocês são os amigos do Beto? Entrem, ajeitem-se por aí. Tem biscoito na cozinha. Com licença, que estou ocupado.

Manuela e Duda descobriram que o "Homem da Escuridão" tinha um nome: doutor Plínio das Couves Penteado. Um nome engraçado, mas bem melhor do que aquele seu apelido tão sinistro. Era astrônomo e tinha escolhido o lugar mais escuro para morar porque, quanto menos luz, melhor para ver as estrelas. Para um astrônomo, trabalhar à noite, dentro de casa ou pelo campo afora é a coisa mais normal do mundo, tão normal quanto fritar batatas numa lanchonete ou escrever relatórios num escritório. Em sua mala carregava um telescópio menor, que ele usava para observar as estrelas fora de casa.

O gato se chamava Etevaldo e era um lindo gato preto que resolveu morar com o doutor Plínio porque ele não se incomodava com sua cor.

Essa foi a última vez que o doutor Plínio foi chamado de "Homem da Escuridão, porque a primeira manchete do jornal da Manuela deu um novo apelido para ele:


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Na afirmação seguinte;

"O pai de Beto dizia que o lugar em que eles viviam não era feito de casas e ruas. Era feito de gente."

Na sua interpretação o que ele quis dizer?

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