Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 4 10770361
COLUNI/UFV 1° Dia 2013Leia o texto e com base neles responda à questão.
Texto
O mundo que tudo vê
O romance 1984 do escritor inglês George Orwell, publicado pela primeira vez em 1949 e adaptado para o cinema na
década de 1980, retrata um futuro nada improvável, no qual a humanidade vive sob um regime totalitário sustentado por um
enorme aparato midiático. Os indivíduos circulam por uma cidade impregnada de rádios, cartazes e "teletelas" (espécie de
televisão que permite a população assistir determinadas programações e ao governo observar 24 horas por dia cada passo
[5] dos cidadãos por meio do personagem chamado "Big Brother") que garantem um constante fluxo de informação alienante
controlada pelo Estado. O livro é considerado pioneiro até hoje por antecipar o que seria (ou o que pode vir a ser) a chamada
"sociedade das imagens": excesso de informação, vigilância e controle absoluto sobre a vida das pessoas. (...)
Seja na perseguição intransigente dos paparazzi aos astros de Hollywood, no polêmico vazamento de fotos íntimas
de atores e atrizes na internet ou nas inocentes entrevistas concedidas aos programas de fofoca, a cobertura dos meios de
[10] comunicação de massa impõe a midiatização de todas as esferas da vida humana — e não só a das celebridades. "O perigo é
quando os valores de uma sociedade inteira passam pelo mesmo crivo e todos precisam "dar a cara a bater" num facebook da
vida", questiona Silvio. De fato, hoje, com a popularização de dispositivos digitais como celulares, smartphones, Iphones,
Ipads, todos podem ser, em certa medida, observadores e observados, mesmo que isso signifique a superexposição da própria
imagem. (...)
(CRUZ, Rodrigo. O mundo que tudo vê. Caros Amigos, ano XVI, Julho 2012, Editora Casa Amarela, p. 24.)
Releia o trecho abaixo, extraído do texto, e faça o que se pede em seguida:
"Seja na perseguição intransigente dos paparazzi aos astros de Hollywood, no polêmico vazamento de fotos íntimas de atores e atrizes na internet ou nas inocentes entrevistas concedidas aos programas de fofoca, a cobertura dos meios de comunicação de massa impõe a midiatização de todas as esferas da vida humana — e não só a das celebridades.‖ (linhas 8-10)
No trecho acima, os adjetivos usados para caracterizar os substantivos “perseguição”, “vazamento” e “entrevistas” representam, no texto, uma:
Questão 1 10770355
COLUNI/UFV 1° Dia 2013Leia o texto a seguir e com base nele responda à questão.
TEXTO
Algumas marcas do nosso tempo
Todas as épocas têm as suas marcas – positivas e negativas. Quem viveu entre as duas grandes guerras do século
20 certamente foi afetado pela insanidade do fascismo e do nazismo, a crueldade do humano exposta nos campos de
extermínio e nas bombas atômicas jogadas em Hiroshima e Nagasaki. O saldo ficou nos milhões de mortos e dilacerados –
marcas vivas até hoje nos sobreviventes e seus descendentes.
[5] É difícil afirmar que os males da Idade Média tenham sido mais fortes do que os atuais. Ou que o começo do
capitalismo, nos séculos 18 e 19, tenha sido menos penoso para o trabalhador do que hoje. Sem entrar pelo caminho da
comparação e da escala de valores, o que parece relevante para todos, cada qual no seu tempo, é a possibilidade de poder
identificar, conhecer, analisar, debater e estabelecer a devida consciência sobre o que mais pesa sobre o ser humano e a
sociedade – em cada momento da história da humanidade.
[10] Foi com essa preocupação — a de mapear alguns dos chamados ―males do mundo atual‖ – que a revista Caros
Amigos tratou de reunir, nesta edição especial, reportagens sobre várias questões e aspectos da vida hoje, em boa parte do
Planeta. O levantamento inclui, evidentemente, tudo aquilo que perturba, causa sofrimento, gera impotência e caminha na
direção contrária do bem estar de todos. Tem a ver com o sistema político, as escolhas culturais, sociais e econômicas — e
com todo jogo de poder e de interesses que determina o destino das sociedades.
[15] As matérias tratam da saúde física e mental, da estética, do trabalho, do costume, da ideologia, da crença, da
comunicação, da química, da virtualidade, da cultura — e de tudo aquilo que abrange as atividade humanas. Entre tantos
outros males do modo de vida atual, ganham força a ideologia neoliberal, que colocou o lucro e o sucesso pessoal acima de
todos os outros valores, e a mistificação tecnológica, que se tornou ferramenta imprescindível para o duplo papel de
proporcionar satisfação e dependência, com danos cada vez mais evidentes.
[20] O esforço editorial da Caros Amigos visa o levantamento de questões, o conhecimento da realidade e o estímulo
democrático ao debate. Entendemos que, assim, conscientemente, poderemos refletir sobre propostas e alternativas que
tratem de superar os Males do Mundo Atual.
Vamos em frente. Boa leitura.
(Caros Amigos, ano XVI, julho 2012, Editora Casa Amarela, p. 3.)
É CORRETO afirmar que predomina no texto:
Questão 7 10747888
UTFPR Verão 2013/2Leia o trecho abaixo e assinale a alternativa em que substituindo os termos em negrito, por outros equivalentes, não há prejuízo de significado.
“A democracia é o regime que reconhece o direito fundamental à liberdade de expressão e opinião. No entanto ela também reconhece que nem tudo é objeto de opinião. Uma opinião é uma posição subjetiva a respeito de algo que posso ser contra ou a favor. Mas há coisas a respeito das quais não é possível ser contra. Por exemplo, não posso ser contra a universalização de direitos e a generalização do respeito a grupos sociais historicamente excluídos. Ao fazer isto, coloco-me fora da democracia.”
Questão 3 10747742
UTFPR Verão 2013/2Novo slogan político
Rubem Alves
Alguém escreveu num muro branco da Uni- versidade do Porto, em Portugal, a sua exigência política: “Queremos mentiras novas”. Quem o escreveu sabia das coisas. Sabia que era inútil pedir o impossível: “Basta de mentiras!”. Na política, apenas as mentiras são possíveis. Mas ele já estava cansado de mentiras velhas, batidas, como piadas cujo fim já se conhece, que diariamente aparecem nos jornais. Mentiras velhas são um desrespeito à inteligência daqueles a quem são dirigidas. Que mintam, mas que respeitem a minha inteligência! Mintam usando a imaginação. Por isso escrevia, em nome da inteligência, do possível e do humor: “Queremos mentiras novas”.
ALVES, Rubem. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Editora Planeta, 2008, p. 17.
De acordo com o texto acima, o autor:
I) gosta de ser enganado e por isso pede novas mentiras.
II) acredita que na política a verdade não é possível e, portanto, pedir para que não haja mais mentiras é inútil.
III) pede respeito à inteligência daqueles a quem as mentiras são dirigidas, pois, já que os políticos não falam a verdade, a repetição de mentiras chega a ser um desrespeito em dobro.
Está(ão) correta(s) apenas:
Questão 14 10737264
CMBH 6° Ano - Português 2013TEXTO
Metamorfose
– Anjo! – sussurrou a Ângela.
– Fantasma! – cochichou o Fábio.
– Pó – soprou o Paulo.
– Não tem jeito de saber – garantiu o Celso.
[5] A professora de matemática ouvia curiosa aquela discussão. Os quatro alunos, num canto da sala,
faziam de tudo para ela não escutar, mas era impossível.
O recreio já tinha acabado, a aula estava quase começando e nenhum dos quatro conseguia
convencer os outros.
Anjo! Fantasma! Pó! Nada disso! Você tá louco? Que bobagem! Pó! Fantasma! Anjo!
[10] A professora de matemática ficou se lembrando de quando tinha dez anos, como aqueles alunos.
Será que ela discutia assuntos tão profundos com os colegas? Como as crianças de hoje estavam
mudadas... que metamorfose!
– Não adianta – continuou o Celso. – Nós vamos discutir o resto da aula... O resto da vida...
– Fantasma, gente! – repetiu o Fábio.
[15] – Deus me livre, nem fala isso que eu arrepio. Fantasma é alma penada, só serve pra assustar a
gente. Atravessa as paredes, sussurra nos cantos...
– Pois então!
– Pra mim é anjo mesmo – insistiu a Ângela.
– E pra mim é pó. Tenho certeza.
[20] – Certeza? – reclamou o Celso. – Como é que vocês podem ter certeza de uma coisa assim?
A professora se fez a mesma pergunta. Afinal, o que acontece com a gente, depois da vida? Até
hoje, com quase 30, ela ainda não sabia a resposta, e os meninos, ali, debatendo com empolgação...
– Existe muita casa assombrada por aí – era de novo o Fábio. – Lá na minha terra, vira e mexe
aparecem uns fantasmas. Eu sei porque o vizinho da prima do meu avô já viu...
[25] – Aí não vale! – o Paulo zoou. – O vizinho do cachorro do tintureiro?
– Tá chamando meu vô de cachorro? – o Fábio não gostou.
– Não, ele tá chamando seu vô de tintureiro.
– Tintureiro? Isso é bom ou é ruim?
– Ih, Fábio, não foge do assunto!
[30] – Você é que fugiu do assunto, Ângela. Fica reclamando aí, mas diga então: você já viu algum anjo
antes?
– Isso mesmo – o Paulo concordou. – Você já viu anjo, você mesma, com os seus olhos, que a terra
há de comer?
– A terra não há de comer, como diz você, nem meus olhos, nem nada meu. Ela que coma adubo.
[35] – Um dia você chega lá – o Paulo provocou.
– Ah, vocês são muito sabichões. Vou perguntar pra professora.
– Não, menina! Ela é de matemática, você acha que ela vai saber?
– Se pelo menos fosse de ciências...
Se pelo menos fosse de ciências, a professora repetiu calada, sem olhar pros alunos, fingindo que
[40] nem tinha ouvido.
– Aposto que ela ia dizer fantasma.
– Anjo!
– Pó!
– Vou perguntar... Professora, eu sei que a senhora é de matemática, mas é que a gente está com
[45] uma dúvida...
– Pois não, Ângela.
– É que... é que eu li num livro da minha mãe que os anjos estão por toda parte e só não vê quem
não quer.
– Não, menina, isso são os gnomos! – o Fábio provocou. – Eu sei porque tem uma pessoa da minha
[50] família que acredita em gnomo.
– Uma pessoa? Deixa eu adivinhar: é o vizinho do cachorro do tintureiro do primo do seu avô?
– Engraçadinha, espirituosa... Não, Ângela, é a minha tia Consuelo. Ela é histérica e acredita em
gnomo.
– Sua tia é esotérica! – a professora emendou, quase sem querer.
[55] – Você conhece a tia Consuelo, fessora?
– Não, Fábio. Eu quis dizer que sua tia é esotérica, não é histérica. Histérica quer dizer outra coisa.
– Virou aula de português, agora? – reclamou um caxião da primeira fila.
– Sssshhh! – chiaram ao mesmo tempo a Ângela, o Paulo, o Celso e a professora.
– Ai, desculpa – murchou o caxião. – Eu só tô querendo ter aula de matemática. Olha aqui o
[60] horário que eu colei no caderno: terça-feira, depois do recreio, matemática. Ma-te-má-ti-ca. Não é
português não!
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só um pouquinho, daqui a pouco ele ia
entender o que aquela conversa tinha a ver com matemática. Daqui a pouquinhozinho só, viu? Virou-se
pro Fábio e explicou:
[65] – Histérica é uma pessoa muito nervosa, agitada, impaciente, que grita e reclama de tudo.
– Igual alguém nessa sala – emendou a Ângela, encarando o caxião, que botou a língua pra ela.
– Olha, turma, tem gente achando que é Ásten...
– Quem é Ásten?
– Aquele cientista que punha a língua pra fora.
[70] – Einsten – explicou a professora.
– Pronto, agora é aula de física... – resmungou o caxião.
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só mais um pouquinho.
– Vamos com calma, turma. Nós fugimos completamente do assunto. Como é que a conversa saiu
dos anjos e foi parar no Einsten?
[75] – É por causa da minha tia histérica... quer dizer esotérica. Ela tem um adesivo no carro escrito
assim: “Duendes: eu acredito”.
– E meu pai tem um adesivo escrito assim: “Duendes: eu atropelo”.
– Ah, não, Paulo, que maldade! Coitados dos bichinhos!
– Eu só tô falando a verdade.
[80] – Você tem mania de ser dono da verdade – acusou o Fábio. – Aposto que a professora vai me dar
razão. É fantasma!
– É anjo!
– Já falei que é pó!
– Não tem jeito de saber!
[85] – E então, fessora?
A professora engoliu em seco, não tinha ideia do que iria dizer. Achou melhor escapar da pergunta.
– Anjo, pó, fantasma... Estou achando meio cedo pra vocês terem essa conversa.
– Cedo por quê, fessora? – o Fábio não entendeu. – Foi antes do recreio que aconteceu.
– Aconteceu? Aconteceu o quê? – Agora é que ela estava perdida mesmo.
[90] Os quatro dispararam a falar, cada um atropelando o outro:
– É que hoje na aula...
– Antes do recreio...
– Nós vimos alguma coisa estranha atrás da cortina...
– Era um fantasma. Ele estava atrás da cortina só pra confundir a gente. Cortina e lençol parecem
[95] muito, fessora.
– Não, não, era um anjo. Ele tava espiando por trás da cortina, mas de vez em quando se mexia e a
gente via a sombra das asinhas.
– Nada disso. Era só poeira da obra lá fora. Na luz do sol, a gente vê o pó se movendo.
– Por mim, não tem jeito de saber com certeza...
[100] A professora simplesmente sorriu. Tinha entendido tudo errado.
Neste exato momento, todos ouviram um barulhinho diferente. Por trás da cortina, surgiu uma
borboleta azul, esvoaçou pela sala e sumiu janela afora.
O caxião olhou pro relógio de pulso e calculou:
– Vocês enrolaram tanto que, dos 50 minutos da aula, já passaram 28, só faltam 22.
[105] – Parabéns, Cassiano. – A professora se levantou, pegando giz e apagador. – Você fez a conta
direitinho. Eu não falei que a conversa tinha tudo a ver com matemática?
CUNHA, Leo. Metamorfose. In: TELLES, et al. Contos da Escola. Objetiva: Rio de Janeiro, 2003.
“...ela ainda não sabia a resposta, e os meninos ali, debatendo com empolgação...” (ℓ. 22).
A posição da sílaba tônica nas palavras acima destacadas é a mesma na alternativa:
Questão 13 10737263
CMBH 6° Ano - Português 2013TEXTO
Metamorfose
– Anjo! – sussurrou a Ângela.
– Fantasma! – cochichou o Fábio.
– Pó – soprou o Paulo.
– Não tem jeito de saber – garantiu o Celso.
[5] A professora de matemática ouvia curiosa aquela discussão. Os quatro alunos, num canto da sala,
faziam de tudo para ela não escutar, mas era impossível.
O recreio já tinha acabado, a aula estava quase começando e nenhum dos quatro conseguia
convencer os outros.
Anjo! Fantasma! Pó! Nada disso! Você tá louco? Que bobagem! Pó! Fantasma! Anjo!
[10] A professora de matemática ficou se lembrando de quando tinha dez anos, como aqueles alunos.
Será que ela discutia assuntos tão profundos com os colegas? Como as crianças de hoje estavam
mudadas... que metamorfose!
– Não adianta – continuou o Celso. – Nós vamos discutir o resto da aula... O resto da vida...
– Fantasma, gente! – repetiu o Fábio.
[15] – Deus me livre, nem fala isso que eu arrepio. Fantasma é alma penada, só serve pra assustar a
gente. Atravessa as paredes, sussurra nos cantos...
– Pois então!
– Pra mim é anjo mesmo – insistiu a Ângela.
– E pra mim é pó. Tenho certeza.
[20] – Certeza? – reclamou o Celso. – Como é que vocês podem ter certeza de uma coisa assim?
A professora se fez a mesma pergunta. Afinal, o que acontece com a gente, depois da vida? Até
hoje, com quase 30, ela ainda não sabia a resposta, e os meninos, ali, debatendo com empolgação...
– Existe muita casa assombrada por aí – era de novo o Fábio. – Lá na minha terra, vira e mexe
aparecem uns fantasmas. Eu sei porque o vizinho da prima do meu avô já viu...
[25] – Aí não vale! – o Paulo zoou. – O vizinho do cachorro do tintureiro?
– Tá chamando meu vô de cachorro? – o Fábio não gostou.
– Não, ele tá chamando seu vô de tintureiro.
– Tintureiro? Isso é bom ou é ruim?
– Ih, Fábio, não foge do assunto!
[30] – Você é que fugiu do assunto, Ângela. Fica reclamando aí, mas diga então: você já viu algum anjo
antes?
– Isso mesmo – o Paulo concordou. – Você já viu anjo, você mesma, com os seus olhos, que a terra
há de comer?
– A terra não há de comer, como diz você, nem meus olhos, nem nada meu. Ela que coma adubo.
[35] – Um dia você chega lá – o Paulo provocou.
– Ah, vocês são muito sabichões. Vou perguntar pra professora.
– Não, menina! Ela é de matemática, você acha que ela vai saber?
– Se pelo menos fosse de ciências...
Se pelo menos fosse de ciências, a professora repetiu calada, sem olhar pros alunos, fingindo que
[40] nem tinha ouvido.
– Aposto que ela ia dizer fantasma.
– Anjo!
– Pó!
– Vou perguntar... Professora, eu sei que a senhora é de matemática, mas é que a gente está com
[45] uma dúvida...
– Pois não, Ângela.
– É que... é que eu li num livro da minha mãe que os anjos estão por toda parte e só não vê quem
não quer.
– Não, menina, isso são os gnomos! – o Fábio provocou. – Eu sei porque tem uma pessoa da minha
[50] família que acredita em gnomo.
– Uma pessoa? Deixa eu adivinhar: é o vizinho do cachorro do tintureiro do primo do seu avô?
– Engraçadinha, espirituosa... Não, Ângela, é a minha tia Consuelo. Ela é histérica e acredita em
gnomo.
– Sua tia é esotérica! – a professora emendou, quase sem querer.
[55] – Você conhece a tia Consuelo, fessora?
– Não, Fábio. Eu quis dizer que sua tia é esotérica, não é histérica. Histérica quer dizer outra coisa.
– Virou aula de português, agora? – reclamou um caxião da primeira fila.
– Sssshhh! – chiaram ao mesmo tempo a Ângela, o Paulo, o Celso e a professora.
– Ai, desculpa – murchou o caxião. – Eu só tô querendo ter aula de matemática. Olha aqui o
[60] horário que eu colei no caderno: terça-feira, depois do recreio, matemática. Ma-te-má-ti-ca. Não é
português não!
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só um pouquinho, daqui a pouco ele ia
entender o que aquela conversa tinha a ver com matemática. Daqui a pouquinhozinho só, viu? Virou-se
pro Fábio e explicou:
[65] – Histérica é uma pessoa muito nervosa, agitada, impaciente, que grita e reclama de tudo.
– Igual alguém nessa sala – emendou a Ângela, encarando o caxião, que botou a língua pra ela.
– Olha, turma, tem gente achando que é Ásten...
– Quem é Ásten?
– Aquele cientista que punha a língua pra fora.
[70] – Einsten – explicou a professora.
– Pronto, agora é aula de física... – resmungou o caxião.
A professora sorriu quase impaciente e pediu pra ele esperar só mais um pouquinho.
– Vamos com calma, turma. Nós fugimos completamente do assunto. Como é que a conversa saiu
dos anjos e foi parar no Einsten?
[75] – É por causa da minha tia histérica... quer dizer esotérica. Ela tem um adesivo no carro escrito
assim: “Duendes: eu acredito”.
– E meu pai tem um adesivo escrito assim: “Duendes: eu atropelo”.
– Ah, não, Paulo, que maldade! Coitados dos bichinhos!
– Eu só tô falando a verdade.
[80] – Você tem mania de ser dono da verdade – acusou o Fábio. – Aposto que a professora vai me dar
razão. É fantasma!
– É anjo!
– Já falei que é pó!
– Não tem jeito de saber!
[85] – E então, fessora?
A professora engoliu em seco, não tinha ideia do que iria dizer. Achou melhor escapar da pergunta.
– Anjo, pó, fantasma... Estou achando meio cedo pra vocês terem essa conversa.
– Cedo por quê, fessora? – o Fábio não entendeu. – Foi antes do recreio que aconteceu.
– Aconteceu? Aconteceu o quê? – Agora é que ela estava perdida mesmo.
[90] Os quatro dispararam a falar, cada um atropelando o outro:
– É que hoje na aula...
– Antes do recreio...
– Nós vimos alguma coisa estranha atrás da cortina...
– Era um fantasma. Ele estava atrás da cortina só pra confundir a gente. Cortina e lençol parecem
[95] muito, fessora.
– Não, não, era um anjo. Ele tava espiando por trás da cortina, mas de vez em quando se mexia e a
gente via a sombra das asinhas.
– Nada disso. Era só poeira da obra lá fora. Na luz do sol, a gente vê o pó se movendo.
– Por mim, não tem jeito de saber com certeza...
[100] A professora simplesmente sorriu. Tinha entendido tudo errado.
Neste exato momento, todos ouviram um barulhinho diferente. Por trás da cortina, surgiu uma
borboleta azul, esvoaçou pela sala e sumiu janela afora.
O caxião olhou pro relógio de pulso e calculou:
– Vocês enrolaram tanto que, dos 50 minutos da aula, já passaram 28, só faltam 22.
[105] – Parabéns, Cassiano. – A professora se levantou, pegando giz e apagador. – Você fez a conta
direitinho. Eu não falei que a conversa tinha tudo a ver com matemática?
CUNHA, Leo. Metamorfose. In: TELLES, et al. Contos da Escola. Objetiva: Rio de Janeiro, 2003.
“A professora de matemática ficou se lembrando de quando tinha dez anos, como aqueles alunos. Será que ela discutia assuntos tão profundos com os colegas?” (ℓ. 10 e 11).
No trecho acima, as palavras sublinhadas são empregadas, respectivamente, para:
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)