Questões de EFAF Filosofia
844 Questões
Questão 40 10783643
Liceu-SP 2015Leia o texto a seguir para responder à questão:
ENFRENTAR A INCERTEZA
Edgar Morin
A maior contribuição de conhecimento do século XX foi o conhecimento dos limites do conhecimento. A maior certeza que nos foi dada é a da indestrutibilidade das incertezas, não somente na ação, mas também no conhecimento. “Um único ponto quase certo no naufrágio (das antigas certezas absolutas): o ponto de interrogação”, diz o poeta Salah Stétié.
Uma das maiores consequências desses dois aparentes defeitos — de fato, verdadeiras conquistas do espírito humano — é a de nos pôr em condição de enfrentar as incertezas e, mais globalmente, o destino incerto de cada indivíduo e de toda a humanidade. (...)
A condição humana está marcada por duas grandes incertezas: a incerteza cognitiva e a incerteza histórica.
Há três princípios de incerteza no conhecimento:
— o primeiro é cerebral: o conhecimento nunca é um reflexo do real, mas sempre tradução e construção,
isto é, comporta risco de erro;
— o segundo é físico: o conhecimento dos fatos é sempre tributário da interpretação;
— o terceiro é epistemológico: decorre da crise dos fundamentos da certeza, em filosofia (a partir de
Nietzsche), depois em ciência (a partir de Bachelard e Popper).
Conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza.
A incerteza histórica está ligada ao caráter intrinsecamente caótico da história humana. A aventura histórica começou há mais de 1000 anos. Foi marcada por criações fabulosas e destruições irremediáveis. Nada resta
dos impérios egípcio, assírio, babilônico, persa, nem do Império Romano, que chegara a parecer eterno. Assustadoras regressões de civilizações e economias seguiram-se a progressões temporárias. A História está sujeita aos acidentes, às perturbações e, por vezes, às terríveis destruições maciças de populações e civilizações.
Sem dúvida, a história humana sofre determinações sociais e econômicas muito fortes, mas pode ser desviada ou contornada pelos acontecimentos ou acidentes. Não há leis da História. Pelo contrário, há o fracasso de
todos os esforços para cristalizar a história humana, eliminar dela acontecimentos e acidentes, submetê-la ao jugo de um determinismo econômico-social e/ou levá-la a obedecer a um progresso telecomandado.
E chegamos à grande revelação do fim do século XX: nosso futuro não é teleguiado pelo progresso histórico. Os erros da predição futurológica, os inúmeros fracassos da predição econômica (apesar e por causa de sua
sofisticação matemática), a derrota do progresso garantido, a crise do futuro, a crise do presente introduziram o vírus da incerteza em toda parte. (...)
Todos os grandes acontecimentos do século — a deflagração da Primeira Guerra Mundial, a Revolução Soviética no império czarista, as vitórias do comunismo e do nazismo, o golpe teatral do pacto germânico soviético, de
1939, a derrota na França, as resistências de Moscou e Stalingrado — foram inesperados; até o inesperado de 1989: a queda do muro de Berlim, o colapso do império soviético, a queda da Iugoslávia. Hoje estamos em Escuridão e bruma, e ninguém pode predizer o amanhã.
Morin, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004, p. 59-61.
A palavra que resume a ideia desenvolvida pelo último parágrafo do texto é
Questão 39 10783641
Liceu-SP 2015Leia o texto a seguir para responder à questão:
ENFRENTAR A INCERTEZA
Edgar Morin
A maior contribuição de conhecimento do século XX foi o conhecimento dos limites do conhecimento. A maior certeza que nos foi dada é a da indestrutibilidade das incertezas, não somente na ação, mas também no conhecimento. “Um único ponto quase certo no naufrágio (das antigas certezas absolutas): o ponto de interrogação”, diz o poeta Salah Stétié.
Uma das maiores consequências desses dois aparentes defeitos — de fato, verdadeiras conquistas do espírito humano — é a de nos pôr em condição de enfrentar as incertezas e, mais globalmente, o destino incerto de cada indivíduo e de toda a humanidade. (...)
A condição humana está marcada por duas grandes incertezas: a incerteza cognitiva e a incerteza histórica.
Há três princípios de incerteza no conhecimento:
— o primeiro é cerebral: o conhecimento nunca é um reflexo do real, mas sempre tradução e construção,
isto é, comporta risco de erro;
— o segundo é físico: o conhecimento dos fatos é sempre tributário da interpretação;
— o terceiro é epistemológico: decorre da crise dos fundamentos da certeza, em filosofia (a partir de
Nietzsche), depois em ciência (a partir de Bachelard e Popper).
Conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza.
A incerteza histórica está ligada ao caráter intrinsecamente caótico da história humana. A aventura histórica começou há mais de 1000 anos. Foi marcada por criações fabulosas e destruições irremediáveis. Nada resta
dos impérios egípcio, assírio, babilônico, persa, nem do Império Romano, que chegara a parecer eterno. Assustadoras regressões de civilizações e economias seguiram-se a progressões temporárias. A História está sujeita aos acidentes, às perturbações e, por vezes, às terríveis destruições maciças de populações e civilizações.
Sem dúvida, a história humana sofre determinações sociais e econômicas muito fortes, mas pode ser desviada ou contornada pelos acontecimentos ou acidentes. Não há leis da História. Pelo contrário, há o fracasso de
todos os esforços para cristalizar a história humana, eliminar dela acontecimentos e acidentes, submetê-la ao jugo de um determinismo econômico-social e/ou levá-la a obedecer a um progresso telecomandado.
E chegamos à grande revelação do fim do século XX: nosso futuro não é teleguiado pelo progresso histórico. Os erros da predição futurológica, os inúmeros fracassos da predição econômica (apesar e por causa de sua
sofisticação matemática), a derrota do progresso garantido, a crise do futuro, a crise do presente introduziram o vírus da incerteza em toda parte. (...)
Todos os grandes acontecimentos do século — a deflagração da Primeira Guerra Mundial, a Revolução Soviética no império czarista, as vitórias do comunismo e do nazismo, o golpe teatral do pacto germânico soviético, de
1939, a derrota na França, as resistências de Moscou e Stalingrado — foram inesperados; até o inesperado de 1989: a queda do muro de Berlim, o colapso do império soviético, a queda da Iugoslávia. Hoje estamos em Escuridão e bruma, e ninguém pode predizer o amanhã.
Morin, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004, p. 59-61.
Releia o seguinte fragmento do texto:
E chegamos à grande revelação do fim do século XX: nosso futuro não é teleguiado pelo progresso histórico. Os erros da predição futurológica, os inúmeros fracassos da predição econômica (apesar e por causa de sua sofisticação matemática), a derrota do progresso garantido, a crise do futuro, a crise do presente introduziram o vírus da incerteza em toda parte.
Esse trecho reforça o entendimento de que
Questão 38 10783638
Liceu-SP 2015Leia o texto a seguir para responder à questão:
ENFRENTAR A INCERTEZA
Edgar Morin
A maior contribuição de conhecimento do século XX foi o conhecimento dos limites do conhecimento. A maior certeza que nos foi dada é a da indestrutibilidade das incertezas, não somente na ação, mas também no conhecimento. “Um único ponto quase certo no naufrágio (das antigas certezas absolutas): o ponto de interrogação”, diz o poeta Salah Stétié.
Uma das maiores consequências desses dois aparentes defeitos — de fato, verdadeiras conquistas do espírito humano — é a de nos pôr em condição de enfrentar as incertezas e, mais globalmente, o destino incerto de cada indivíduo e de toda a humanidade. (...)
A condição humana está marcada por duas grandes incertezas: a incerteza cognitiva e a incerteza histórica.
Há três princípios de incerteza no conhecimento:
— o primeiro é cerebral: o conhecimento nunca é um reflexo do real, mas sempre tradução e construção,
isto é, comporta risco de erro;
— o segundo é físico: o conhecimento dos fatos é sempre tributário da interpretação;
— o terceiro é epistemológico: decorre da crise dos fundamentos da certeza, em filosofia (a partir de
Nietzsche), depois em ciência (a partir de Bachelard e Popper).
Conhecer e pensar não é chegar a uma verdade absolutamente certa, mas dialogar com a incerteza.
A incerteza histórica está ligada ao caráter intrinsecamente caótico da história humana. A aventura histórica começou há mais de 1000 anos. Foi marcada por criações fabulosas e destruições irremediáveis. Nada resta
dos impérios egípcio, assírio, babilônico, persa, nem do Império Romano, que chegara a parecer eterno. Assustadoras regressões de civilizações e economias seguiram-se a progressões temporárias. A História está sujeita aos acidentes, às perturbações e, por vezes, às terríveis destruições maciças de populações e civilizações.
Sem dúvida, a história humana sofre determinações sociais e econômicas muito fortes, mas pode ser desviada ou contornada pelos acontecimentos ou acidentes. Não há leis da História. Pelo contrário, há o fracasso de
todos os esforços para cristalizar a história humana, eliminar dela acontecimentos e acidentes, submetê-la ao jugo de um determinismo econômico-social e/ou levá-la a obedecer a um progresso telecomandado.
E chegamos à grande revelação do fim do século XX: nosso futuro não é teleguiado pelo progresso histórico. Os erros da predição futurológica, os inúmeros fracassos da predição econômica (apesar e por causa de sua
sofisticação matemática), a derrota do progresso garantido, a crise do futuro, a crise do presente introduziram o vírus da incerteza em toda parte. (...)
Todos os grandes acontecimentos do século — a deflagração da Primeira Guerra Mundial, a Revolução Soviética no império czarista, as vitórias do comunismo e do nazismo, o golpe teatral do pacto germânico soviético, de
1939, a derrota na França, as resistências de Moscou e Stalingrado — foram inesperados; até o inesperado de 1989: a queda do muro de Berlim, o colapso do império soviético, a queda da Iugoslávia. Hoje estamos em Escuridão e bruma, e ninguém pode predizer o amanhã.
Morin, Edgar. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004, p. 59-61.
Para o autor, existem três princípios de incerteza no conhecimento. Sobre eles, são feitas as seguintes afirmações:
I. Sendo um tipo de tradução e de construção, o conhecimento é espelhamento do real;
II. O conhecimento dos fatos decorre da interpretação;
III. A filosofia e os estudos em ciência contradizem a incerteza do conhecimento.
Está correto, apenas, o que se afirma em:
Questão 4 10770278
UTFPR Inverno 2015/1TEXTO DE REFERÊNCIA PARA A QUESTÃO.
O que você faz com o seu tempo?
Estudo mostra que 35% dos brasileiros se dizem escravos das rotinas. Novas tecnologias e acúmulo de tarefas dão a sensação de mais velo- cidade.
O estudo analisou, pela primeira vez, como os brasileiros fazem uso e como se relacionam com o tempo, destacando diferenças regionais e determinando perfis com base nas entrevistas. Foram identificados dois tipos de pessoas: aquelas que se relacionam com o tempo observando a passagem na vida e outros que interagem diretamente com o cotidiano.
“A pessoa que se sente escrava é aquela que está sempre correndo atrás do tempo perdido. Geralmente, acumula muitas tarefas sem conseguir se planejar para a execução”, explica Silvia Cervellini, diretora executiva de negócios do Ibope Inteligência.
Mas o tempo está passando mais rápido hoje do que na época de nossos avós? O que mudou, diz Lauro Luiz Samojeden, chefe do Departamento de Física da UFPR, é que, com a celeridade das informações e o acúmulo de tarefas, a sensação é de que o tempo está passando com mais velocidade.
Foram as máquinas e as novas tecnologias que deram um novo ritmo ao uso do tempo pelos homens, explica o professor de Filosofia da PUCPR, Jelson Oliveira. Para ele, as máquinas surgiram com a promessa de abreviar o tempo de produção, mas essa estratégia deu mais tempo para que fossem acumuladas novas tarefas – a pesquisa mostra que 22% dos brasileiros dizem realizar atividades simultâneas, índice que na Região
Sul é de 43,5%.
“A tecnologia abreviou o tempo, mas fez com que as pessoas estejam conectadas sempre, ampliando a sensação de mais tarefas e menos tempo. Esse novo ritmo está moldando as relações humanas, incluindo nos relacionamentos uma desculpa pronta: a falta de tempo”, acrescenta Oliveira.
Fonte: Ibope Inteligência. Infografia: Fabiane Lima/Gazeta do Povo (acessado em 23.03.2014)
A alternativa correta quanto à reescrita correta do último parágrafo do texto transcrito a seguir, sem prejuízo ao significado é:
“A tecnologia abreviou o tempo, mas fez com que as pessoas estejam conectadas sempre, ampliando a sensação de mais tarefas e menos tempo. Esse novo ritmo está moldando as relações humanas, incluindo nos relacionamentos uma desculpa pronta: a falta de tempo”, acrescenta Oliveira.
Questão 3 10770275
UTFPR Inverno 2015/1TEXTO DE REFERÊNCIA PARA A QUESTÃO.
O que você faz com o seu tempo?
Estudo mostra que 35% dos brasileiros se dizem escravos das rotinas. Novas tecnologias e acúmulo de tarefas dão a sensação de mais velo- cidade.
O estudo analisou, pela primeira vez, como os brasileiros fazem uso e como se relacionam com o tempo, destacando diferenças regionais e determinando perfis com base nas entrevistas. Foram identificados dois tipos de pessoas: aquelas que se relacionam com o tempo observando a passagem na vida e outros que interagem diretamente com o cotidiano.
“A pessoa que se sente escrava é aquela que está sempre correndo atrás do tempo perdido. Geralmente, acumula muitas tarefas sem conseguir se planejar para a execução”, explica Silvia Cervellini, diretora executiva de negócios do Ibope Inteligência.
Mas o tempo está passando mais rápido hoje do que na época de nossos avós? O que mudou, diz Lauro Luiz Samojeden, chefe do Departamento de Física da UFPR, é que, com a celeridade das informações e o acúmulo de tarefas, a sensação é de que o tempo está passando com mais velocidade.
Foram as máquinas e as novas tecnologias que deram um novo ritmo ao uso do tempo pelos homens, explica o professor de Filosofia da PUCPR, Jelson Oliveira. Para ele, as máquinas surgiram com a promessa de abreviar o tempo de produção, mas essa estratégia deu mais tempo para que fossem acumuladas novas tarefas – a pesquisa mostra que 22% dos brasileiros dizem realizar atividades simultâneas, índice que na Região
Sul é de 43,5%.
“A tecnologia abreviou o tempo, mas fez com que as pessoas estejam conectadas sempre, ampliando a sensação de mais tarefas e menos tempo. Esse novo ritmo está moldando as relações humanas, incluindo nos relacionamentos uma desculpa pronta: a falta de tempo”, acrescenta Oliveira.
Fonte: Ibope Inteligência. Infografia: Fabiane Lima/Gazeta do Povo (acessado em 23.03.2014)
Em relação ao texto, considere as seguintes afirmativas sobre a pontuação:
I) No segundo parágrafo, os dois pontos (:) foram usados para introduzir uma explicação.
II) No terceiro parágrafo, as aspas são em- pregadas para indicar uma citação.
III) No quarto parágrafo, o ponto de interrogação pode ser substituído pelo ponto de exclamação sem prejuízo para o sentido do texto.
Está(ão) correta(s) apenas:
Questão 2 10770272
UTFPR Inverno 2015/1TEXTO DE REFERÊNCIA PARA A QUESTÃO.
O que você faz com o seu tempo?
Estudo mostra que 35% dos brasileiros se dizem escravos das rotinas. Novas tecnologias e acúmulo de tarefas dão a sensação de mais velo- cidade.
O estudo analisou, pela primeira vez, como os brasileiros fazem uso e como se relacionam com o tempo, destacando diferenças regionais e determinando perfis com base nas entrevistas. Foram identificados dois tipos de pessoas: aquelas que se relacionam com o tempo observando a passagem na vida e outros que interagem diretamente com o cotidiano.
“A pessoa que se sente escrava é aquela que está sempre correndo atrás do tempo perdido. Geralmente, acumula muitas tarefas sem conseguir se planejar para a execução”, explica Silvia Cervellini, diretora executiva de negócios do Ibope Inteligência.
Mas o tempo está passando mais rápido hoje do que na época de nossos avós? O que mudou, diz Lauro Luiz Samojeden, chefe do Departamento de Física da UFPR, é que, com a celeridade das informações e o acúmulo de tarefas, a sensação é de que o tempo está passando com mais velocidade.
Foram as máquinas e as novas tecnologias que deram um novo ritmo ao uso do tempo pelos homens, explica o professor de Filosofia da PUCPR, Jelson Oliveira. Para ele, as máquinas surgiram com a promessa de abreviar o tempo de produção, mas essa estratégia deu mais tempo para que fossem acumuladas novas tarefas – a pesquisa mostra que 22% dos brasileiros dizem realizar atividades simultâneas, índice que na Região
Sul é de 43,5%.
“A tecnologia abreviou o tempo, mas fez com que as pessoas estejam conectadas sempre, ampliando a sensação de mais tarefas e menos tempo. Esse novo ritmo está moldando as relações humanas, incluindo nos relacionamentos uma desculpa pronta: a falta de tempo”, acrescenta Oliveira.
Fonte: Ibope Inteligência. Infografia: Fabiane Lima/Gazeta do Povo (acessado em 23.03.2014)
No texto, a palavra celeridade pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido, por:
06
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