Questões de EFAF Filosofia
844 Questões
Questão 16 10735372
COLÉGIO SÓLIDO* 1° Ano 2016‘SOLIDARIEDADE’, POR RUBEM ALVES

“Se te perguntarem quem era essa que às areias e gelos quis ensinar a primavera…”: é assim que Cecília Meireles inicia um dos seus poemas. Ensinar primavera às areias e gelos é coisa difícil. Gelos e areias nada sabem sobre primaveras… Pois eu desejaria saber ensinar a solidariedade a quem nada sabe sobre ela. O mundo seria melhor. Mas como ensiná-la?
Será possível ensinar a beleza de uma sonata de Mozart a um surdo? Como? – se ele não ouve. E poderei ensinar a beleza das telas de Monet a um cego? De que pedagogia irei me valer para comunicar cores e formas a quem não vê? Há coisas que não podem ser ensinadas. Há coisas que estão além das palavras. Os cientistas, filósofos e professores são aqueles que se dedicam a ensinar as coisas que podem ser ensinadas. Coisas que podem ser ensinadas são aquelas que podem ser ditas. Sobre a solidariedade muitas coisas podem ser ditas. Por exemplo: acho possível desenvolver uma psicologia da solidariedade. Acho também possível desenvolver uma sociologia da solidariedade. E, filosoficamente, uma ética da solidariedade… Mas os saberes científicos e filosóficos da solidariedade não ensinam a solidariedade, da mesma forma como a crítica da música e da pintura não ensina às pessoas a beleza da música e da pintura. A beleza é inefável; está além das palavras.
Palavras que ensinam são gaiolas para pássaros engaioláveis. Os saberes, todos eles, são pássaros engaiolados. Mas a solidariedade é um pássaro que não pode ser engaiolado. Ela não pode ser dita. A solidariedade pertence a uma classe de pássaros que só existem em vôo. Engaiolados, esses pássaros morrem. A beleza é um desses pássaros.
A beleza está além das palavras. Walt Whitman tinha consciência disso quando disse: “Sermões e lógicas jamais convencem. O peso da noite cala bem mais fundo em minha alma…” Ele conhecia os limites das suas próprias palavras. E Fernando Pessoa sabia que aquilo que o poeta quer comunicar não se encontra nas palavras que ele diz: ela aparece nos espaços vazios que se abrem entre elas, as palavras. Nesse espaço vazio se ouve uma música. Mas essa música – de onde vem ela se não foi o poeta que a tocou?
Não é possível fazer uma prova colegial sobre a beleza porque ela não é um conhecimento. E nem é possível comandar a emoção diante da beleza. Somente atos podem ser comandados. Ordinário! Marche!”, o sargento ordena. Os recrutas obedecem. Marcham. À ordem segue-se o ato. Mas sentimentos não podem ser comandados. Não posso ordenar que alguém sinta a beleza que estou sentindo.
O que pode ser ensinado são as coisas que moram no mundo de fora: astronomia, física, química, gramática, anatomia, números, letras, palavras. Mas há coisas que não estão do lado de fora. Coisas que moram dentro do corpo. Enterradas na carne, como se fossem SEMENTES À ESPERA…
Sim, sim! Imagine isso: o corpo como um grande canteiro! Nele se encontram, adormecidas, em estado de latência, as mais variadas sementes – lembre-se da estória da Bela Adormecida! Elas poderão acordar, brotar. Mas poderão também não brotar. Tudo depende… As sementes não brotarão se sobre elas houver uma pedra. E também pode acontecer que, depois de brotar, elas sejam arrancadas… De fato, muitas plantas precisam ser arrancadas, antes que cresçam. Nos jardins há pragas: tiriricas, picões…
Uma dessas sementes tem o nome de “solidariedade”. A solidariedade não é uma entidade do mundo de fora, ao lado de estrelas, pedras, mercadorias, dinheiro, contratos. Se ela fosse uma entidade do mundo de fora ela poderia ser ensinada. A solidariedade é uma entidade do mundo interior. Solidariedade nem se ensina, nem se ordena, nem se produz. A solidariedade, semente, tem de nascer.
Veja o ipê florido! Nasceu de uma semente. Depois de crescer não será necessária nenhuma técnica, nenhum estímulo, nenhum truque para que ele floresça. Angelus Silésius, místico antigo, tem um verso que diz: ” A rosa não tem por quês. Ela floresce porque floresce.” O ipê floresce porque floresce. Seu florescer é um simples transbordar natural da sua verdade.
A solidariedade é como o ipê: nasce e floresce. Mas não em decorrência de mandamentos éticos ou religiosos. Não se pode ordenar: “Seja solidário!” Ela acontece como simples transbordamento. Da mesma forma como o poema é um transbordamento da alma do poeta e a canção um transbordamento da alma do compositor…
Disse que solidariedade é um sentimento. É esse o sentimento que nos torna humanos. É um sentimento estranho – que perturba nossos próprios sentimentos. A solidariedade me faz sentir sentimentos que não são meus, que são de um outro. Acontece assim: eu vejo uma criança vendendo balas num semáforo. Ela me pede que eu compre um pacotinho das suas balas. Eu e a criança – dois corpos separados e distintos. Mas, ao olhar para ela, estremeço: algo em mim me faz imaginar aquilo que ela está sentindo. E então, por uma magia inexplicável, esse sentimento imaginado se aloja junto aos meus próprios sentimentos. Na verdade, desaloja meus sentimentos, pois eu vinha vindo, no meu carro, com sentimentos leves e alegres, e agora esse novo sentimento se coloca no lugar deles. O que sinto não são meus sentimentos. Foi-se a leveza e a alegria que me faziam cantar. Agora, são os sentimentos daquele menino que estão dentro de mim. Meu corpo sofre uma transformação: ele não é mais limitado pela pele que o cobre. Expande-se.
Ele está agora ligado a um outro corpo que passa a ser parte dele mesmo. Isso não acontece nem por decisão racional, nem por convicção religiosa e nem por um mandamento ético. É o jeito natural de ser do meu próprio corpo, movido pela solidariedade. Acho que esse é o sentido do dito de Jesus que temos de amar o próximo como amamos a nós mesmos. Pela magia do sentimento de solidariedade o meu corpo passa a ser morada do outro. É assim que acontece a bondade.
Mas fica pendente a pergunta inicial: como ensinar primaveras a gelos e areias? Para isso as palavras do conhecimento são inúteis. Seria necessário fazer nascer ipês no meio dos gelos e das areias! E eu só conheço uma palavra que tem esse poder: a palavra dos poetas. Ensinar solidariedade? Que se façam ouvir as palavras dos poetas nas igrejas, nas escolas, nas empresas, nas casas, na televisão, nos bares, nas reuniões políticas, e, principalmente, na solidão…
O menino me olhou com olhos suplicantes.
E, de repente, eu era um menino que olhava com olhos suplicantes…
O autor considera a solidariedade como algo que não pode ser ensinado.
Para caracterizá-la como uma “entidade do mundo interior”, ele NÃO a compara
Questão 14 10734399
COLÉGIO SÓLIDO* 1° Ano 2016O locutor do texto afirma que falhamos “em sermos solidários”.
Todas essas asserções retiradas do texto corroboram a afirmação acima, EXCETO:
Questão 13 10734398
COLÉGIO SÓLIDO* 1° Ano 2016Usar o sapato alheio diante da dor do outro
Por Heloisa Fernandes Câmara em 22/09/2015
Foi montada em Londres uma instalação à beira do rio Tâmisa chamada Museu da Empatia. O funcionamento do museu é simples. Ao chegar ao local, solicita-se o número do sapato do visitante, o qual pode escolher algumas opções de sapato e, ao calçá-lo, percorre a região enquanto ouve a história do dono ou dona do calçado.
A proposta é desenvolver a empatia, entendida como a capacidade de se pôr no lugar do outro. Daí a ideia da instalação usar a expressão "put yourself in someone’s shoes" de forma literal, pois a expressão significa colocar-se no lugar do outro, ou, “colocar-se no sapato do outro”. Proposta parecida tem o Museu da Pessoa em São Paulo, que conta a história de pessoas anônimas, mostrando a riqueza da vida de pessoas comuns. Também o projeto Seven Billion Others (Sete Bilhões de Outros) nos apresenta a diversidade de experiências de vida. Se o fio condutor destas narrativas é a construção da empatia, o que nos faz falhar em sermos solidários?
[...]
Há poucos dias a triste imagem de uma criança morta na praia, que depois soubemos que se chamava Aylan e morreu em uma travessia fugindo da Síria, correu o mundo e gerou uma onda de comoção e também de questionamento sobre a moralidade ou imoralidade de publicação da foto da criança na imprensa mundial, tornando a questão da empatia também a questão de (e como) mostrar a dor alheia.
As crianças invisíveis, as outras, as sem voz

Assim sendo, é impossível escapar das provocações plantadas por Susan Sontag no livro Diante da Dor dos Outros, cujo objeto é a reflexão sobre o uso de fotografias para mostrar o horror da guerra. Para Sontag, inicialmente a imagem não oferece uma explicação imediata, podendo ser usada por todos os lados do conflito para pleitear sua narrativa de tragédia. E ainda que se saiba o contexto em que a imagem ocorreu, é impossível que os leitores dos jornais e das revistas sintam o que significa estar em uma guerra (...).
Voltando à foto de Aylan, a resposta dada pelos meios de comunicação em geral foi no sentido da necessidade de publicar a imagem forte para informar e tornar possível que cenas como essa não se repitam. É esta percepção que faz com que tantos repórteres fotográficos arrisquem suas vidas para fazer cobertura em catástrofes e conflitos armados, pois mostrar o que ocorre seria o primeiro passopara mudar a situação. Entretanto, se assumirmos que Sontag esteja correta, a questão complexifica-se, pois para além do aspecto chocante da imagem, teremos que pensar por que, das diversas imagens tristes que vemos com frequência assustadora, poucas conseguem promover uma comoção nessas proporções.
E aqui é impossível não citar o magistral artigo escrito por Gabriel Zacarias que analisa que o impacto da foto de Aylan é justamente porque não o vemos. Ao menos não o vemos como Aylan, um menino nascido em um conflito que começou antes de sua tão breve vida, mas que obrigou e obriga diversas famílias a procurar um local seguro longe de casa. Vemos uma criança que parece dormir (e parece ser nosso filho, irmão, sobrinho, primo etc.). Ou seja, a foto não mostra nossa empatia com o cruel destino de uma família destruída; mostra somente nosso sofrimento conosco mesmo. Não pretendo desqualificar as manifestações de repúdio da situação a que os migrantes são submetidos, e tampouco a comoção que veio após a divulgação da fotografia – efetivamente, é bom que tenhamos saído do imobilismo. Mas por quê não esboçamos nenhuma (nenhuma!) reação aos genocídios atuais que ocorrem com crianças negras e índias no nosso país? Por que não gritamos quando meninos negros são mortos pela polícia enquanto brincam na rua? E aqui a questão não é a falta de uma imagem. Não vemos porque não as reconhecemos e não as reconhecemos porque não calçamos os sapatos delas. Não temos empatia, e elas são apenas as outras, as invisíveis, as sem voz. Sem verdadeiramente reconhecê-las eticamente, ou ao menos nos reconhecermos nelas, a nossa inação perpetua-se, e não somente testemunha, mas nos torna cúmplices da destruição dessas vidas.
Heloisa Fernandes Câmara é doutoranda em Direito na UFPR e professora de Direito Constitucional e Direitos Humanos Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/a-tragedia-dos-refugiados/usar-o-sapato-alheio-diante-da-dor do-outro/
Podemos inferir das ideias do texto que todas estas atitudes deveriam pautar as relações humanas, EXCETO
Questão 12 10734396
COLÉGIO SÓLIDO* 1° Ano 2016Usar o sapato alheio diante da dor do outro
Por Heloisa Fernandes Câmara em 22/09/2015
Foi montada em Londres uma instalação à beira do rio Tâmisa chamada Museu da Empatia. O funcionamento do museu é simples. Ao chegar ao local, solicita-se o número do sapato do visitante, o qual pode escolher algumas opções de sapato e, ao calçá-lo, percorre a região enquanto ouve a história do dono ou dona do calçado.
A proposta é desenvolver a empatia, entendida como a capacidade de se pôr no lugar do outro. Daí a ideia da instalação usar a expressão "put yourself in someone’s shoes" de forma literal, pois a expressão significa colocar-se no lugar do outro, ou, “colocar-se no sapato do outro”. Proposta parecida tem o Museu da Pessoa em São Paulo, que conta a história de pessoas anônimas, mostrando a riqueza da vida de pessoas comuns. Também o projeto Seven Billion Others (Sete Bilhões de Outros) nos apresenta a diversidade de experiências de vida. Se o fio condutor destas narrativas é a construção da empatia, o que nos faz falhar em sermos solidários?
[...]
Há poucos dias a triste imagem de uma criança morta na praia, que depois soubemos que se chamava Aylan e morreu em uma travessia fugindo da Síria, correu o mundo e gerou uma onda de comoção e também de questionamento sobre a moralidade ou imoralidade de publicação da foto da criança na imprensa mundial, tornando a questão da empatia também a questão de (e como) mostrar a dor alheia.
As crianças invisíveis, as outras, as sem voz

Assim sendo, é impossível escapar das provocações plantadas por Susan Sontag no livro Diante da Dor dos Outros, cujo objeto é a reflexão sobre o uso de fotografias para mostrar o horror da guerra. Para Sontag, inicialmente a imagem não oferece uma explicação imediata, podendo ser usada por todos os lados do conflito para pleitear sua narrativa de tragédia. E ainda que se saiba o contexto em que a imagem ocorreu, é impossível que os leitores dos jornais e das revistas sintam o que significa estar em uma guerra (...).
Voltando à foto de Aylan, a resposta dada pelos meios de comunicação em geral foi no sentido da necessidade de publicar a imagem forte para informar e tornar possível que cenas como essa não se repitam. É esta percepção que faz com que tantos repórteres fotográficos arrisquem suas vidas para fazer cobertura em catástrofes e conflitos armados, pois mostrar o que ocorre seria o primeiro passopara mudar a situação. Entretanto, se assumirmos que Sontag esteja correta, a questão complexifica-se, pois para além do aspecto chocante da imagem, teremos que pensar por que, das diversas imagens tristes que vemos com frequência assustadora, poucas conseguem promover uma comoção nessas proporções.
E aqui é impossível não citar o magistral artigo escrito por Gabriel Zacarias que analisa que o impacto da foto de Aylan é justamente porque não o vemos. Ao menos não o vemos como Aylan, um menino nascido em um conflito que começou antes de sua tão breve vida, mas que obrigou e obriga diversas famílias a procurar um local seguro longe de casa. Vemos uma criança que parece dormir (e parece ser nosso filho, irmão, sobrinho, primo etc.). Ou seja, a foto não mostra nossa empatia com o cruel destino de uma família destruída; mostra somente nosso sofrimento conosco mesmo. Não pretendo desqualificar as manifestações de repúdio da situação a que os migrantes são submetidos, e tampouco a comoção que veio após a divulgação da fotografia – efetivamente, é bom que tenhamos saído do imobilismo. Mas por quê não esboçamos nenhuma (nenhuma!) reação aos genocídios atuais que ocorrem com crianças negras e índias no nosso país? Por que não gritamos quando meninos negros são mortos pela polícia enquanto brincam na rua? E aqui a questão não é a falta de uma imagem. Não vemos porque não as reconhecemos e não as reconhecemos porque não calçamos os sapatos delas. Não temos empatia, e elas são apenas as outras, as invisíveis, as sem voz. Sem verdadeiramente reconhecê-las eticamente, ou ao menos nos reconhecermos nelas, a nossa inação perpetua-se, e não somente testemunha, mas nos torna cúmplices da destruição dessas vidas.
Heloisa Fernandes Câmara é doutoranda em Direito na UFPR e professora de Direito Constitucional e Direitos Humanos Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/a-tragedia-dos-refugiados/usar-o-sapato-alheio-diante-da-dor do-outro/
Com base na leitura do texto é INCORRETO afirmar que
Questão 11 10734395
COLÉGIO SÓLIDO* 1° Ano 2016Usar o sapato alheio diante da dor do outro
Por Heloisa Fernandes Câmara em 22/09/2015
Foi montada em Londres uma instalação à beira do rio Tâmisa chamada Museu da Empatia. O funcionamento do museu é simples. Ao chegar ao local, solicita-se o número do sapato do visitante, o qual pode escolher algumas opções de sapato e, ao calçá-lo, percorre a região enquanto ouve a história do dono ou dona do calçado.
A proposta é desenvolver a empatia, entendida como a capacidade de se pôr no lugar do outro. Daí a ideia da instalação usar a expressão "put yourself in someone’s shoes" de forma literal, pois a expressão significa colocar-se no lugar do outro, ou, “colocar-se no sapato do outro”. Proposta parecida tem o Museu da Pessoa em São Paulo, que conta a história de pessoas anônimas, mostrando a riqueza da vida de pessoas comuns. Também o projeto Seven Billion Others (Sete Bilhões de Outros) nos apresenta a diversidade de experiências de vida. Se o fio condutor destas narrativas é a construção da empatia, o que nos faz falhar em sermos solidários?
[...]
Há poucos dias a triste imagem de uma criança morta na praia, que depois soubemos que se chamava Aylan e morreu em uma travessia fugindo da Síria, correu o mundo e gerou uma onda de comoção e também de questionamento sobre a moralidade ou imoralidade de publicação da foto da criança na imprensa mundial, tornando a questão da empatia também a questão de (e como) mostrar a dor alheia.
As crianças invisíveis, as outras, as sem voz

Assim sendo, é impossível escapar das provocações plantadas por Susan Sontag no livro Diante da Dor dos Outros, cujo objeto é a reflexão sobre o uso de fotografias para mostrar o horror da guerra. Para Sontag, inicialmente a imagem não oferece uma explicação imediata, podendo ser usada por todos os lados do conflito para pleitear sua narrativa de tragédia. E ainda que se saiba o contexto em que a imagem ocorreu, é impossível que os leitores dos jornais e das revistas sintam o que significa estar em uma guerra (...).
Voltando à foto de Aylan, a resposta dada pelos meios de comunicação em geral foi no sentido da necessidade de publicar a imagem forte para informar e tornar possível que cenas como essa não se repitam. É esta percepção que faz com que tantos repórteres fotográficos arrisquem suas vidas para fazer cobertura em catástrofes e conflitos armados, pois mostrar o que ocorre seria o primeiro passopara mudar a situação. Entretanto, se assumirmos que Sontag esteja correta, a questão complexifica-se, pois para além do aspecto chocante da imagem, teremos que pensar por que, das diversas imagens tristes que vemos com frequência assustadora, poucas conseguem promover uma comoção nessas proporções.
E aqui é impossível não citar o magistral artigo escrito por Gabriel Zacarias que analisa que o impacto da foto de Aylan é justamente porque não o vemos. Ao menos não o vemos como Aylan, um menino nascido em um conflito que começou antes de sua tão breve vida, mas que obrigou e obriga diversas famílias a procurar um local seguro longe de casa. Vemos uma criança que parece dormir (e parece ser nosso filho, irmão, sobrinho, primo etc.). Ou seja, a foto não mostra nossa empatia com o cruel destino de uma família destruída; mostra somente nosso sofrimento conosco mesmo. Não pretendo desqualificar as manifestações de repúdio da situação a que os migrantes são submetidos, e tampouco a comoção que veio após a divulgação da fotografia – efetivamente, é bom que tenhamos saído do imobilismo. Mas por quê não esboçamos nenhuma (nenhuma!) reação aos genocídios atuais que ocorrem com crianças negras e índias no nosso país? Por que não gritamos quando meninos negros são mortos pela polícia enquanto brincam na rua? E aqui a questão não é a falta de uma imagem. Não vemos porque não as reconhecemos e não as reconhecemos porque não calçamos os sapatos delas. Não temos empatia, e elas são apenas as outras, as invisíveis, as sem voz. Sem verdadeiramente reconhecê-las eticamente, ou ao menos nos reconhecermos nelas, a nossa inação perpetua-se, e não somente testemunha, mas nos torna cúmplices da destruição dessas vidas.
Heloisa Fernandes Câmara é doutoranda em Direito na UFPR e professora de Direito Constitucional e Direitos Humanos Disponível em: http://observatoriodaimprensa.com.br/a-tragedia-dos-refugiados/usar-o-sapato-alheio-diante-da-dor do-outro/
Ao estruturar seu texto, a autora usou os seguintes recursos, EXCETO
Questão 9 10734393
COLÉGIO SÓLIDO* 1° Ano 2016Leia o texto para responder à questão.
Museu da Empatia permite que as pessoas se coloquem no lugar das outras

POR PHILIPPE LADVOCAT04/09/201
O primeiro Museu da Empatia do mundo abre em Londres no dia 4 de Setembro como parte do Thames Festival, que vai trazer atrações diversas para a capital inglesa. Nesse museu, uma exposição itinerante que vai viajar internacionalmente depois daqui, os visitantes encontram um espaço onde poderão se colocar no lugar de outras pessoas e ver o mundo através dos olhos delas. O objetivo é desenvolver a empatia e criar uma revolução global através das relações humanas. Uma pesquisa científica revelou que 98% das pessoas têm a habilidade de criar empatia, mas são poucas as que conseguem alcançar o potencial completo. Funciona assim: o visitante diz o tamanho do sapato ou pede uma sugestão de história para os organizadores. A pessoa então precisa vestir os calçados dessa pessoa, disponíveis em uma estante (em uma alusão à expressão inglesa in your shoes que literalmente significa "nos seus sapatos", mas cujo significado real é estar no lugar de alguém) e andar por uma milha neles (pouco mais de um quilômetro e meio). E enquanto caminha nos pés de outra pessoa, o visitante escutará um áudio em um pequeno ipod shuffle com a história dela, como se fosse uma conversa com alguém que não está lá e vai descrever o mundo segundo a própria visão.
Quando visitei o espaço, os sapatos do meu tamanho, bem enlamaçados, pertenciam a um arqueólogo que explicou muitas curiosidades sobre o rio Tâmisa e que revelou ter decidido estudar história porque tinha sido adotado e sentia falta de ter uma história própria. Pedi para escutar outras e em um par bem acima do meu número descobri uma história incrível de um homem que sofreu um golpe e foi preso por tráfico de heroína - e depois de sair da cadeia e ser inocentado só pensava em vingança. Mas ele então fez um curso de arte e decidiu se dedicar a isso para canalizar a sua raiva e acabou levando outros ex-presidiários a fazer o mesmo. Um deles era um tipo durão e agressivo que acabou revelando uma paixão por desenhar personagens da Disney. Em outra surpresa, um par de salto altos pertence na verdade a um homem que faz um bingo semanal como drag queen. E o mais interessante de tudo: a seleção é feita dentro de uma caixa de sapatos gigante.
Considerando que a incapacidade das pessoas de enxergar o ponto de vista alheio e de considerar as experiências e sentimentos dos outros é a raiz do preconceito, conflitos sociais e desigualdade, os criadores do projeto consideram que empatia é o antídoto perfeito. Baseado nas ideias do pensador cultural Roman Krznaric, o museu quer transformar a forma como as pessoas olham para mundo e para si mesmas, através de vídeos que também serão disponibilizados em uma versão digital online do lugar. O espaço virtual vai também incluir críticas de filmes e livros que ajudam as pessoas a enxergar outras experiências e abrir a mente para a empatia, de crianças que crescem no Teerã até alguém que nasceu cego ou um soldado lutando em uma guerra.
O Museu da Empatia ficará nos jardins do Southbank de quarta a domingo de meio-dia às 6 da tarde entre os dias 4 e 27 de Setembro.
Disponível em: http://blogs.oglobo.globo.com/molho-ingles/post/museu-da-empatia-permite-que-visitantes-vejam-o-mundo-pelo-olhar-de outras-pessoas.html
De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que
06
![[Marketing] Questao Topo - deslogado](https://storage.estuda.com.br/banners/0_6b7ebee90b03af1c560c73bb8bcce34a_banner_deslogado_70_dias.png)