Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 4 10243169
CMBH 1° ano prova de Língua portuguesa 2015TEXTO
O PODER DA GENTILEZA
1. Como você se inspirou para escrever “O Poder da Gentileza”?
Rosana Braga: Eu já tratava, desde 2003, do tema “Inteligência Afetiva”, que tem muito a ver com
essa capacidade de se relacionar harmoniosamente com as pessoas, sempre buscando compreender
melhor como se comunicar, de que forma ser claro e impor limites sem precisar ultrapassar os limites
[5] da boa convivência. Sempre busquei, inclusive, mostrar o quanto a afetividade tem a ver com o
desenvolvimento da inteligência humana e de que forma isso contribui para nossa realização pessoal,
profissional e amorosa. Certo dia, pensando em como abordar esse tema de uma forma ainda mais
fácil, me veio uma percepção muito clara: o quanto temos “desaprendido” a acolher o outro, a ter
paciência, a compreender que cada um tem suas dificuldades, mas que todos nós desejamos apenas ser
[10] felizes... e a palavra GENTILEZA me veio na hora! Comecei a pesquisar sobre o tema e fui
encontrando dados surpreendentes, o que me empolgou cada vez mais. Saí de “férias” por uns dias,
como sempre faço quando vou escrever, e o resultado foi este – o livro “O Poder da Gentileza”.
2. Para você, o que é gentileza?
Rosana Braga: Segundo minhas pesquisas e estudos, e também em minha opinião enquanto
[15] consultora em relacionamentos, gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar
o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado e
meramente cumprir regras de etiqueta, porque, embora possamos (e devamos) aprender a ser gentil,
trata-se de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver
com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar
[20] uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo
mesmo, com as pessoas e com o mundo.
3. Por que nos esquecemos de ser gentis?
Rosana Braga: A rotina nos cega, costumo dizer. Pressionados por ideias equivocadas, que nos
pressionam a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas
[25] vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos, tornamo-nos mais e
mais insensíveis. E nesta insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas – mesmo
com aquelas que amamos – de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nos
darmos conta disso. É por isso, que a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma
moeda de troca, tem de ser uma escolha pessoal, um entendimento de que podemos fazer a nossa parte
[30] e contribuir sim para um mundo melhor. Leonardo Boff tem uma frase maravilhosa que resume bem o
que quero dizer: “Não serão nossos gritos a fazer a diferença e sim a força contida em nossas mais
delicadas e íntegras ações”.
4. Que benefícios a gentileza nos traz?
Rosana Braga: Ser gentil é extremamente benéfico quando se entende que a gentileza abre portas,
[35] muda o rumo dos conflitos, facilita negociações, transforma humores, melhora as relações, enfim,
propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na de quem se permite receber
gentilezas. No ambiente de trabalho, por exemplo, é fato que as empresas têm preferido, cada vez mais,
profissionais dispostos a solucionar problemas e favorecer as conciliações. Afinal de contas,
competência técnica é oferecida em universidades de todo o país, mas habilidades humanas como a
[40] gentileza são características escassas e muito benquistas no mundo atual.
5. Como a gentileza interfere no nosso dia a dia? Nas relações de trabalho, no amor, na família?
Rosana Braga: Como disse anteriormente, a gentileza facilita as relações. No livro, conto a
comovente história de vida do Profeta Gentileza, que viveu na cidade do Rio de Janeiro pregando a paz
entre as pessoas. Ele tinha uma frase que ilustra muito bem o que chamo de “poder” da gentileza:
[45] GENTILEZA gera GENTILEZA. Do mesmo modo, o contrário também é verdadeiro. Ou seja,
grosserias geram grosserias e a gente sabe que ninguém gosta de ser tratado de forma grosseira. Em
minha palestra (com o mesmo título do livro), abordo os malefícios que a falta de gentileza causa em
nossa saúde física, emocional e mental. Para se ter uma ideia do quanto a gentileza interfere em nosso
dia a dia, basta notar: pessoas intolerantes, briguentas e pouco ou nada gentis geralmente sofrem de
[50] enxaqueca, de gastrite, de ansiedade, de cansaço, de falta de criatividade, entre outras limitações.
Sendo assim, o que podemos fazer de mais inteligente é tratar de praticar a gentileza quanto mais
conseguirmos. E isso é uma escolha antes de mais nada.
(Disponível em: www.rosanabraga.com.br/ Acesso em: 15/19/2015).
“Diga muito obrigado e receba um sorriso de volta.”
Essa reciprocidade que a gentileza propicia está exemplificada na seguinte passagem do Texto:
Questão 1 10237387
CMBH 1° ano prova de Língua portuguesa 2015TEXTO 1
O PODER DA GENTILEZA
1. Como você se inspirou para escrever “O Poder da Gentileza”?
Rosana Braga: Eu já tratava, desde 2003, do tema “Inteligência Afetiva”, que tem muito a ver com
essa capacidade de se relacionar harmoniosamente com as pessoas, sempre buscando compreender
melhor como se comunicar, de que forma ser claro e impor limites sem precisar ultrapassar os limites
[5] da boa convivência. Sempre busquei, inclusive, mostrar o quanto a afetividade tem a ver com o
desenvolvimento da inteligência humana e de que forma isso contribui para nossa realização pessoal,
profissional e amorosa. Certo dia, pensando em como abordar esse tema de uma forma ainda mais
fácil, me veio uma percepção muito clara: o quanto temos “desaprendido” a acolher o outro, a ter
paciência, a compreender que cada um tem suas dificuldades, mas que todos nós desejamos apenas ser
[10] felizes... e a palavra GENTILEZA me veio na hora! Comecei a pesquisar sobre o tema e fui
encontrando dados surpreendentes, o que me empolgou cada vez mais. Saí de “férias” por uns dias,
como sempre faço quando vou escrever, e o resultado foi este – o livro “O Poder da Gentileza”.
2. Para você, o que é gentileza?
Rosana Braga: Segundo minhas pesquisas e estudos, e também em minha opinião enquanto
[15] consultora em relacionamentos, gentileza é um modo de agir, um jeito de ser, uma maneira de enxergar
o mundo. Ser gentil, portanto, é um atributo muito mais sofisticado e profundo que ser educado e
meramente cumprir regras de etiqueta, porque, embora possamos (e devamos) aprender a ser gentil,
trata-se de uma característica diretamente relacionada com caráter, valores e ética; sobretudo, tem a ver
com o desejo de contribuir com um mundo mais humano e eficiente para todos. Ou seja, para se tornar
[20] uma pessoa mais gentil, é preciso que cada um reflita sobre o modo como tem se relacionado consigo
mesmo, com as pessoas e com o mundo.
3. Por que nos esquecemos de ser gentis?
Rosana Braga: A rotina nos cega, costumo dizer. Pressionados por ideias equivocadas, que nos
pressionam a ter sempre mais, a cumprir prazos sem nos respeitarmos, a atingir metas que, muitas
[25] vezes, não fazem parte de nossa missão de vida e daquilo em que acreditamos, tornamo-nos mais e
mais insensíveis. E nesta insensibilidade, vamos agindo e nos relacionando com as pessoas – mesmo
com aquelas que amamos – de forma menos gentil, mais apressada e mais automatizada, sem nos
darmos conta disso. É por isso, que a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma
moeda de troca, tem de ser uma escolha pessoal, um entendimento de que podemos fazer a nossa parte
[30] e contribuir sim para um mundo melhor. Leonardo Boff tem uma frase maravilhosa que resume bem o
que quero dizer: “Não serão nossos gritos a fazer a diferença e sim a força contida em nossas mais
delicadas e íntegras ações”.
4. Que benefícios a gentileza nos traz?
Rosana Braga: Ser gentil é extremamente benéfico quando se entende que a gentileza abre portas,
[35] muda o rumo dos conflitos, facilita negociações, transforma humores, melhora as relações, enfim,
propicia inúmeras vantagens tanto na vida de quem é gentil quanto na de quem se permite receber
gentilezas. No ambiente de trabalho, por exemplo, é fato que as empresas têm preferido, cada vez mais,
profissionais dispostos a solucionar problemas e favorecer as conciliações. Afinal de contas,
competência técnica é oferecida em universidades de todo o país, mas habilidades humanas como a
[40] gentileza são características escassas e muito benquistas no mundo atual.
5. Como a gentileza interfere no nosso dia a dia? Nas relações de trabalho, no amor, na família?
Rosana Braga: Como disse anteriormente, a gentileza facilita as relações. No livro, conto a
comovente história de vida do Profeta Gentileza, que viveu na cidade do Rio de Janeiro pregando a paz
entre as pessoas. Ele tinha uma frase que ilustra muito bem o que chamo de “poder” da gentileza:
[45] GENTILEZA gera GENTILEZA. Do mesmo modo, o contrário também é verdadeiro. Ou seja,
grosserias geram grosserias e a gente sabe que ninguém gosta de ser tratado de forma grosseira. Em
minha palestra (com o mesmo título do livro), abordo os malefícios que a falta de gentileza causa em
nossa saúde física, emocional e mental. Para se ter uma ideia do quanto a gentileza interfere em nosso
dia a dia, basta notar: pessoas intolerantes, briguentas e pouco ou nada gentis geralmente sofrem de
[50] enxaqueca, de gastrite, de ansiedade, de cansaço, de falta de criatividade, entre outras limitações.
Sendo assim, o que podemos fazer de mais inteligente é tratar de praticar a gentileza quanto mais
conseguirmos. E isso é uma escolha antes de mais nada.
(Disponível em: www.rosanabraga.com.br/ Acesso em: 15/19/2015).
TEXTO 2
PROJETO REGISTRA GESTOS DE GENTILEZA DA POPULAÇÃO DE BELO HORIZONTE
Cada vez mais, com a correria do dia a dia, o tempo e a vontade de praticar a gentileza parecem gestos
em extinção. Mas não estão!
Para provar isso, foi conduzida uma matéria em Minas Gerais que percorreu diversos bairros em busca de
exemplos de gentileza e encontrou muita gente amável com o próximo sem esperar nada em troca.
[5] Após constatar isso, o site Estado Mineiro resolveu iniciar uma série sobre gentileza urbana, como parte
do concurso “Prêmio Jornal na Escola” que vai agraciar os autores das três melhores redações sobre
gentileza urbana.
São histórias como da artista plástica Estella Cruzmel, de 65, que molha as plantas e retira ervas daninhas
do gramado diariamente. Inspiradas pelo gesto da vizinha, a funcionária pública Célia Ribeiro, de 72, e
[10] Sônia Arantes, de 56, passaram a ajudá-la.
“Resolvemos ajudar, porque ela sozinha não dava conta de cuidar da praça”, diz Célia.
A artista também deixa livros sobre os bancos para quem quiser ler e, até mesmo, levar para casa. “Todos
os dias venho aqui passear e aproveito para ler.”, conta a diarista Cássia Ferreira, de 30 anos.
Outra história incrível é a do lanterneiro Odilon Rodrigues da Silva, de 50, que cultiva uma horta urbana.
[15] “Ele planta uma sementinha do bem e não espera nada em troca”, diz Wilson Fernandes, de 58. É
possível colher pés de alface, couve, cana-caiana, laranja, mamão, tomates e manjericão frescos.
Aos 93 anos, Padre Augusto Padrão faz questão de parar para conversar com as pessoas. Dá atenção
especial às crianças. “Procuro ser gentil, e a maioria retribui”, diz.
O microempreendedor Carlos Henrique Barbosa, de 44, ajuda idosos e crianças a atravessar o
[20] cruzamento entre Cristina e Viçosa. “Gentileza gera gentileza”, aposta.
Outra história maravilhosa é a das garis Creuza Ramos e Ana Xavier, que, depois de limpar as ruas do
entorno do Fórum Lafayette, oferecem café a quem passa no ponto de varrição da rua Guajajaras.
#BHmaisgentil
Os Diários Associados iniciam uma campanha de mobilização social. A meta é fazer de Belo Horizonte a
[25] capital mais gentil do Brasil, sugerindo ações simples como distribuir sorrisos, não jogar lixo na rua,
desligar celulares nos cinemas, entre outras. Para isso basta usar a #BHmaisgentil.
“Gentileza urbana é um tema muito explorado na atualidade, mas queremos, de fato, enfatizar que essa
atitude vai além da cordialidade no trânsito e da civilidade nas ações. Queremos propor uma
[30] transformação social. A escrita é o melhor meio para gerar esse processo, pois é pensando que
escrevemos e geramos conteúdo. E nada melhor que começar com os jovens, que são a grande mola
transformadora da sociedade”, diz Helivane Evangelista, diretora UniBH.

(Disponível em: http://razoesparaacreditar.com/ser/projeto-registra-gestos-de-gentileza-da-populacao-de-bh Acesso 15/09/2015.)
Leia o trecho: “É por isso, que a meu ver, ser gentil não pode depender do outro, não pode ser uma moeda de troca [...]” (Texto 1 - l. 28 e 29).
Essa passagem está bem exemplificada, no Texto 2, no seguinte relato:
Questão 18 10223426
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO

http://familialacerda.blogspot.com.br/2010_11_01_archive.html
Assinale o item que apresenta o tema principal do texto.
Questão 5 10222801
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
O medo de errar
Martha Medeiros
“A gente é a soma das nossas decisões.”É uma frase da qual sempre
gostei, mas lembrei-me dela outro dia num local inusitado: dentro do super.
Comprar maionese, band-aid e iogurte, por exemplo, hoje requer expertise. Tem
maionese tradicional, light, premium, com leite, com ômega 3, com limão, com
[5] ovos “free range”. Band-aid, há de todos os formatos e tamanhos, nas versões:
transparente, extratransparente, colorido, temático, flexível.
É o melhor dos mundos: aumentou a diversificação. E com ela, o medo de
errar.
Assim como antes era mais fácil fazer compras, também era mais fácil
[10] viver. Para ser feliz, bastava estudar (magistério para as moças), fazer uma
faculdade (Medicina, Engenharia ou Direito para os rapazes), casar (com o sexo
oposto), ter filhos (no mínimo dois) e manter a família estruturada até o fim dos
dias. Era a maionese tradicional.
Hoje, existem várias “marcas” de felicidade. (...) Fazer intercâmbio, abrir o
[15] próprio negócio, tentar um concurso público, entrar para a faculdade. Mas estudar
o quê? Só de cursos técnicos, profissionalizantes e universitários, há centenas.
Computação Gráfica ou Informática Biomédica? Editoração ou Ciências
Moleculares? Moda, Geofísica ou Engenharia de Petróleo?
A vida padronizada podia ser menos estimulante, mas oferecia mais
[20] segurança, era fácil “acertar” e se sentir um adulto. Já a expansão de ofertas
tornou tudo mais empolgante, só que incentivou a infantilização: sem saber ao
certo o que é melhor para si, surgiu o medo de crescer.
Todos parecem ter 10 anos menos. Quem tem 17, age como se tivesse 7.
Quem tem 28, parece ter 18. Quem tem 39, vive como se fosse 29. Quem tem
[25] 40, 50, 60, mesma coisa. Por um lado, é ótimo ter um espírito jovial e a aparência
idem, mas até quando se pode adiar a maturidade?
Só nos tornamos verdadeiramente adultos quando perdemos o medo de
errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas
renúncias. Crescer é tomar decisões e, depois, conviver pacificamente com a
[30] dúvida. Como querem ter certeza absoluta, adolescentes prorrogam suas
escolhas – errar lhes parece a morte.
Adultos sabem que nunca terão certeza absoluta de nada, e sabem também
que só a morte física é definitiva. Já “morreram” diante de fracassos e
frustrações, e voltaram pra vida. Ao entender que é normal morrer várias vezes
[35] numa única existência, perdemos o medo – e finalmente crescemos.
Zero Hora – 25/09/2011. http:www.avarandablogspot.com . Acesso: 17/08/2015(com adaptações)
Com base na leitura do texto, marque o item em que se apresenta a afirmativa correta a respeito da concordância verbal aplicada.
Questão 4 10222748
CMB 1º Ano - Língua Portuguesa 2015TEXTO
O medo de errar
Martha Medeiros
“A gente é a soma das nossas decisões.”É uma frase da qual sempre
gostei, mas lembrei-me dela outro dia num local inusitado: dentro do super.
Comprar maionese, band-aid e iogurte, por exemplo, hoje requer expertise. Tem
maionese tradicional, light, premium, com leite, com ômega 3, com limão, com
[5] ovos “free range”. Band-aid, há de todos os formatos e tamanhos, nas versões:
transparente, extratransparente, colorido, temático, flexível.
É o melhor dos mundos: aumentou a diversificação. E com ela, o medo de
errar.
Assim como antes era mais fácil fazer compras, também era mais fácil
[10] viver. Para ser feliz, bastava estudar (magistério para as moças), fazer uma
faculdade (Medicina, Engenharia ou Direito para os rapazes), casar (com o sexo
oposto), ter filhos (no mínimo dois) e manter a família estruturada até o fim dos
dias. Era a maionese tradicional.
Hoje, existem várias “marcas” de felicidade. (...) Fazer intercâmbio, abrir o
[15] próprio negócio, tentar um concurso público, entrar para a faculdade. Mas estudar
o quê? Só de cursos técnicos, profissionalizantes e universitários, há centenas.
Computação Gráfica ou Informática Biomédica? Editoração ou Ciências
Moleculares? Moda, Geofísica ou Engenharia de Petróleo?
A vida padronizada podia ser menos estimulante, mas oferecia mais
[20] segurança, era fácil “acertar” e se sentir um adulto. Já a expansão de ofertas
tornou tudo mais empolgante, só que incentivou a infantilização: sem saber ao
certo o que é melhor para si, surgiu o medo de crescer.
Todos parecem ter 10 anos menos. Quem tem 17, age como se tivesse 7.
Quem tem 28, parece ter 18. Quem tem 39, vive como se fosse 29. Quem tem
[25] 40, 50, 60, mesma coisa. Por um lado, é ótimo ter um espírito jovial e a aparência
idem, mas até quando se pode adiar a maturidade?
Só nos tornamos verdadeiramente adultos quando perdemos o medo de
errar. Não somos apenas a soma das nossas escolhas, mas também das nossas
renúncias. Crescer é tomar decisões e, depois, conviver pacificamente com a
[30] dúvida. Como querem ter certeza absoluta, adolescentes prorrogam suas
escolhas – errar lhes parece a morte.
Adultos sabem que nunca terão certeza absoluta de nada, e sabem também
que só a morte física é definitiva. Já “morreram” diante de fracassos e
frustrações, e voltaram pra vida. Ao entender que é normal morrer várias vezes
[35] numa única existência, perdemos o medo – e finalmente crescemos.
Zero Hora – 25/09/2011. http:www.avarandablogspot.com . Acesso: 17/08/2015(com adaptações)
A respeito das relações de sentido indicadas pelas palavras ou expressões destacadas nos trechos do texto, marque o item em que se observa uma relação de causa e consequência entre as estruturas.
Questão 14 10151496
CMJF 1° Ano - Prova de Português 2015TEXTO I
O direito de ser diferente
Por Cidinei Bogo Chat
Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.
Charles Evans Hughes
Nenhum ser humano é igual ao seu semelhante. Cada pessoa tem sua própria
singularidade que a distingue como ser humano individual, em face de gosto, antipatia, talento,
sexo, cultura, língua, religião e nacionalidade. Entretanto, as diferenças sempre alimentaram
discórdias entre as pessoas e grupos sociais.
[5] Aliás, sob tal perspectiva, urge ressaltar que a humanidade tem presenciado ao longo de sua
história uma sequência de intolerância à diferença. Ser rotulado de diferente sempre foi visto como
sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo. Basta à pessoa ser considerada
diferente para os tidos padrões “normais” para que todos passem a desprezá-la, considerando-a
como um ser de outro mundo.
[10] Nesse sentido, um dos problemas que deve ser enfrentado por toda a humanidade é a
tendência existente de definir as pessoas diferentes em termos negativos, de ver essas pessoas e o
grupo ao qual pertencem como inferiores e não merecedores de respeito.
Isso se deve à prática de classificar as pessoas em grupos distintos e homogêneos, com
base em critérios de cor, língua, cultura, nacionalidade, preferência sexual e religião. Sob esse
[I5] “aspecto, os grupos são classificados em desejáveis ou indesejáveis, advindo daí o desrespeito ao
direito de ser diferente.
Historicamente, os diferentes sempre foram vítimas de perseguições injustificadas. Cite-se
como exemplo a perseguição aos judeus durante toda a história da humanidade e, mais
recentemente, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o ódio ao semelhante levou a
[20] atrocidades sem precedentes, fato que ficou mundialmente conhecido como Holocausto.
Se não bastasse, as mulheres têm menos direitos que os homens; as pessoas portadoras de
deficiência ainda enfrentam dificuldades em ver seus direitos efetivamente implantados e os
homossexuais ainda sofrem discriminação em face de suas preferências sexuais.
Atrocidades cometidas no Sudão e Ruanda demonstram até onde os seres humanos estão
[25] prontos a ir para negar aos outros seus direitos; tornamo-nos uma sociedade que não respeita o
direito de o ser humano ser diferente.
Diante desse quadro, a empreitada aqui proposta consiste em expor e defender a ideia de
que, na sociedade moderna e nos estados democráticos de direito, não existe mais espaço para a
discriminação, para a intolerância e o desrespeito ao próximo.
[30] Com efeito, não é permitido adotar qualquer tipo de distinção em razão de sexo, origem,
idade, cor, raça, estado civil, crença religiosa, convicção filosófica ou política, situação familiar,
condição e saúde física sensorial e mental ou orientação sexual.
A pretensão de eliminar por completo qualquer forma de discriminação certamente não é
uma tarefa fácil. Contudo, urge ressaltar que são atitudes positivas que levarão toda sociedade a
[35] respeitar o direito à diferença.
Em suma, impor atitudes de reconhecimento dos direitos das pessoas diferentes é promover
justiça e equidade. Numa sociedade dita “democrática”, há que prevalecer a diversidade natural e
cultural entre as pessoas.
Disponível em: http://deficienteciente.com.br/2011/12/0-direito-de-ser-diferente-parte-1.html Acesso em 22/09/2015.
Texto adaptado.
Vocabulário:
Advir: ocorrer, acontecer.
Empreitada: tarefa.
Equidade: disposição de reconhecer igualmente o direito de cada um.
Singularidade: particularidade, o que torna o ser único.
TEXTO II
De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo
Por Joel Gunther
Dias após a foto do corpo do menino Alan Kurdi, que tinha 3 anos, ter provocado reações
emocionadas em diversos países, a família revelou a cadeia de eventos que levou ao afogamento
na travessia da Turquia para a Grécia.
Alan deixou a cidade de Bodrum, na Turquia, rumo à ilha grega de Kos, na quarta-feira de .
[5] madrugada, ao lado do pai, Abdullah, da mãe, Rehanna, e do irmão Ghalib, dois anos mais velho.
O objetivo final da família Kurdi era Vancouver, no Canadá, onde a irmã de Abdullah, Tima,
trabalha como cabeleireira.
Com um pequeno grupo de refugiados, eles embarcaram em dois botes para cruzar os 20
quilômetros que separam Bodrum de Kos.
[10] Da praia, Abdullah enviou um SMS para Tima.
"Passei o recado para o nosso pai, na Síria, e para todos: 'Abdullah está partindo agora,
rezem por sua segurança”, disse Tima.
Mas as preces não foram ouvidas. As embarcações foram atingidas por ondas altas pouco
depois da partida. O capitão abandonou o navio.
[15] Em questão de minutos, Abdullah Kurdi se encontrou na água, tentando salvar a vida de
seus dois filhos. Dos 23 integrantes do grupo de refugiados, acredita-se que 14 tenham morrido,
incluindo a mulher de Abdullah e seus meninos.
Versão turca
O número não impressiona diante das mortes em massa registradas no Mediterrâneo nos
[20] últimos meses, mas as fotos do pequeno Alan de bruços na beira da praia transformaram o
episódio em um divisor de águas.
O nome dele chegou a ser grafado como "Aylan" por alguns meios de comunicação, entre
eles, a BBC. Mas a tia que vive no Canadá, Tima, esclareceu que aquela era a versão turca do
nome, dada às autoridades da Turquia. O nome original, curdo, era Alan.
[25] Como sírios de origem curda, as chances de conseguir asilo no Canadá diminuíram no
momento em que os Kurdi deixaram a Síria rumo à Turquia.
Durante anos, a Síria negou cidadania à sua população de origem curda. Os curdos eram
considerados apátridas pelas autoridades.
Em 2011, um decreto autorizou que alguns deles entrassem com pedidos de cidadania,
[30] mas outros permaneceram sem o direito. Muitos foram forçados a fugir do país antes mesmo que
pudessem dar entrada no processo.
Os Kurdi moravam em Damasco no início do conflito na Síria, no fim de 2011. Quando a
violência na cidade se agravou, a família se mudou para o seu vilarejo-natal, Makhari, a 25
quilômetros da cidade portuária de Kobane.
[35] No entanto, quando Kobane se tornou um foco de luta entre combatentes curdos e
militantes do chamado Estady Islâmico, no fim de 2014, a família voltou a fugir, desta vez para a
Turquia, ao lado de milhares de outros refugiados.
A Turquia lhes ofereceu abrigo, mas não lhes ofereceu cidadania.
'lrregulares'
[40] Entre os vizinhos da Síria, a Turquia foi o primeiro a reagir formalmente à crise dos
refugiados, declarando proteção temporária em outubro de 2011, garantindo que não iria repatriar
qualquer refugiado sírio.
A medida garante a portadores de passaportes sírios um visto de residência de um ano e
liberdade de movimentos no país. Mas aqueles que não apresentarem documentos são obrigados
[45] a se registrarem um campo de refugiados e lá permanecer. Caso contrário, são considerados
“irregulares”.
Essa era a situação dos Kurdi, que se encontravam em Istambul, mas estavam
desesperados para deixar a Turquia. No entanto, não podiam obter vistos de saída da Turquia,
porque não tinham passaportes, e não podiam pedir asilo em outros países, porque não tinham
[50] vistos de saída da Síria.
Tima Kurdi já estava "patrocinando" o processo de asilo da família de outro irmão dela,
Mohammad, mas dificuldades financeiras e a complexidade do processo a obrigaram a dar entrada
em um processo de cada vez. Mohammad foi escolhido primeiro, porque os filhos dele já estão em
idade escolar.
[55] No entanto, o pedido de asilo foi rejeitado pelo Canadá. O departamento de Imigração e
Cidadania disse à BBC que o processo estava “incompleto porque não reunia os requisitos
necessários para comprovar o reconhecimento da situação de refugiado”.
A razão para a rejeição foi simples, segundo Tima: os Kurdi não têm passaporte e nem
vistos de trabalho turcos, documentos que não podiam obter.
[60] Papelada
Quando o primeiro pedido de asilo foi rejeitado, em junho, “não havia esperanças de que
Abdullah e sua família obtivessem a papelada correta para um processo bem-sucedido”, afirmou
Tima. Por isso, eles embarcaram ilegalmente rumo à Grécia.
Os Kurdi já tinham tentado deixar a Turquia três vezes anteriormente. Todas sem sucesso.
[65] Na última e fatal, parentes contaram que eles conheceram pessoas em Izmir que prometeram levá-
los até a costa e de lá para Kos, de barco.
Acredita-se que eles tenham pagado o equivalente a R$ 16,5 mil pela travessia. Muito mais
do que custariam as passagens aéreas para toda a família chegar ao Canadá.
Ainda no escuro, o bote com a família foi empurrado mar adentro. Abdullah descreveu o
[70] momento em que a sua família se afogou em detalhes.
"Tentei segurar as crianças e a minha mulher, mas não adiantou. Um por um, eles
morreram. Tentei timonear o barco, mas veio outra onda grande e o virou”, afirmou. “Foi aí que o
pior aconteceu."
"As minhas crianças eram as mais bonitas do mundo. Será que existe alguém no mundo,
[75] — para quem os próprios filhos não sejam a coisa mais preciosa?”
"Eles eram incríveis. Me acordavam todos os dias para brincar.”
"Adoraria me sentar ao lado do túmulo da minha família agora e aliviar a minha dor.”
Ele afirmou que pretende levar os corpos de volta a Istambul e de lá para Kobane, onde
quer enterrá-los.
[80] "É tarde demais para salvar a família de Abdullah", disse Tima. "Por favor, vamos usar a
nossa voz coletiva para mudar e exigir que os líderes do mundo tomem decisões agora para
aprovar medidas de emergência para refugiados. Vamos pôr fim a esse sofrimento. Os nossos
corações estão partidos.”
Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150904 siria familia ebc
Acesso em 22/09/2015
Texto adaptado
Vocabulário:
Apátrida: indivíduo sem nacionalidade.
Timonear: dirigir embarcação.
Ser rotulado de diferente sempre foi visto como sinônimo de inferioridade, de indesejável, de separado do grupo” (linhas 6 e 7, texto I – O direito de ser diferente).
O trecho do texto II – De Damasco a Bodrum: a viagem fatal do menino sírio que chocou o mundo – que melhor exemplifica o fragmento acima é:
06
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