Questões de EFAF Filosofia
844 Questões
Questão 13 10727354
CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017TEXTO I
Ubuntu: a filosofia africana que nutre o conceito de humanidade em sua essência
24 de setembro de 2014 ]
Natália da Luz, Por dentro da África
Rio — Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência de ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria “humanidade para com os outros”. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que é afetada
[5] quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos.
— De ubuntu, as pessoas devem saber que o mundo não é uma ilha: “Eu sou porque nós somos”. Eu sou humano, e a natureza humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia — detalhou em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Dirk Louw, doutor em Filosofia Africana pela Universidade de Stellenbosch (África do Sul). (...)
[10] — No fundo, este fundamento tradicional africano articula um respeito básico pelos outros. Ele pode ser interpretado tanto como uma regra de conduta ou ética social. Ele descreve tanto o ser humano como “ser-com-os-outros” e prescreve que “ser-com-os-outros” deve ser tudo. (...)
Disponível em: htpp://www.pordentrodaafrica.com Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
pilares: bases
implica: dá a entender
prescreve: determina
TEXTO II
Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar
28 de abril de 2015
(...)
A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,
[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma
[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:
— Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,
[20] certo?
Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.
“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,
[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.
Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre
[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.
Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam
[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.
Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano
narcisismo: amor excessivo a si mesmo
detrimento: prejuízo
TEXTO III
Negrinho do pastoreio
Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.
[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
— 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:
— O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
— Onde está o cavalo?
— Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
— Mas o quê, garoto?
— Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
[30] senhor.
— Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.
[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
— Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de
[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
Tendo em vista os três textos, conclui-se que:
Questão 11 10727352
CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017TEXTO I
Ubuntu: a filosofia africana que nutre o conceito de humanidade em sua essência
24 de setembro de 2014 ]
Natália da Luz, Por dentro da África
Rio — Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência de ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria “humanidade para com os outros”. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que é afetada
[5] quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos.
— De ubuntu, as pessoas devem saber que o mundo não é uma ilha: “Eu sou porque nós somos”. Eu sou humano, e a natureza humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia — detalhou em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Dirk Louw, doutor em Filosofia Africana pela Universidade de Stellenbosch (África do Sul). (...)
[10] — No fundo, este fundamento tradicional africano articula um respeito básico pelos outros. Ele pode ser interpretado tanto como uma regra de conduta ou ética social. Ele descreve tanto o ser humano como “ser-com-os-outros” e prescreve que “ser-com-os-outros” deve ser tudo. (...)
Disponível em: htpp://www.pordentrodaafrica.com Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
pilares: bases
implica: dá a entender
prescreve: determina
TEXTO II
Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar
28 de abril de 2015
(...)
A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,
[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma
[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:
— Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,
[20] certo?
Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.
“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,
[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.
Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre
[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.
Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam
[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.
Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano
narcisismo: amor excessivo a si mesmo
detrimento: prejuízo
TEXTO III
Negrinho do pastoreio
Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.
[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
— 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:
— O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
— Onde está o cavalo?
— Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
— Mas o quê, garoto?
— Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
[30] senhor.
— Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.
[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
— Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de
[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
Em relação à linguagem, pode-se afirmar que:
Questão 9 10727347
CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017TEXTO I
Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar
28 de abril de 2015
(...)
A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,
[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma
[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:
— Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,
[20] certo?
Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.
“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,
[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.
Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre
[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.
Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam
[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.
Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano
narcisismo: amor excessivo a si mesmo
detrimento: prejuízo
TEXTO II
Negrinho do pastoreio
Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.
[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
— 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:
— O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
— Onde está o cavalo?
— Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
— Mas o quê, garoto?
— Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
[30] senhor.
— Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.
[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
— Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de
[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
Observe a pontuação dos textos I e II e assinale a opção correta:
Questão 8 10727346
CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017TEXTO I
Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar
28 de abril de 2015
(...)
A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,
[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma
[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:
— Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,
[20] certo?
Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.
“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,
[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.
Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre
[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.
Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam
[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.
Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano
narcisismo: amor excessivo a si mesmo
detrimento: prejuízo
TEXTO II
Negrinho do pastoreio
Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.
[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
— 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:
— O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
— Onde está o cavalo?
— Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
— Mas o quê, garoto?
— Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
[30] senhor.
— Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.
[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
— Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de
[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
Assinale a alternativa correta em relação à estrutura dos textos I, II e III.
Questão 4 10727342
CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017TEXTO I
Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar
28 de abril de 2015
(...)
A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,
[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.
Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.
[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.
O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma
[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:
— Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”
Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,
[20] certo?
Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.
“Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,
[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.
Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre
[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.
Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam
[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.
Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.
Vocabulário do texto
antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano
narcisismo: amor excessivo a si mesmo
detrimento: prejuízo
TEXTO II
Negrinho do pastoreio
Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.
Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta
[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.
O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.
[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:
— 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!
O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,
[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?
Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:
— O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!
[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.
Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi
[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.
— Onde está o cavalo?
— Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...
— Mas o quê, garoto?
— Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,
[30] senhor.
— Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.
[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.
Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
— Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos
[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.
Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.
Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.
[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.
E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de
[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.
SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.
Vocabulário do texto
baio: castanho, que tem a cor do ouro
estancieiro: proprietário de fazenda
Nos textos I e II, no que diz respeito ao espaço geográfico, ou seja, ao local onde se passa a narrativa, pode-se dizer que:
Questão 16 10726129
CMSM 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa 2017Leia o poema "Deveres e direitos de todos" e a letra de música "Cidadania então" para responder no item.
TEXTO 1
DEVERES E DIREITOS DE TODOS
Direitos e deveres
Estão escritos na Constituição,
Mas como devo agir
Em meu papel de cidadão?
Nos direitos, quero respeito.
Que sejam cumpridos um a um,
Nos deveres, vem minha parte,
De não esquecer nenhum.
Dizer não à violência,
Ao descaso, à corrupção,
Faz parte dos deveres
De toda população.
Buscar terra e moradia,
Justiça e educação,
Acabar com o desemprego
E com a discriminação.
Se os direitos são cumpridos
Pelo governo e pela sociedade,
Garantem a todos nós
Viver com dignidade.
[...]
Fonte: http://deytriindade.blogspot.com.br/2012/03/texto-poemas-deveres-e-direitos-de.html. Acesso em: 13 ago. 2017. Adaptado.
TEXTO 2
CIDADANIA ENTÃO
Às vezes finjo não saber, para aprender de novo
Se acaso não conhecer meu poder da busca
Preciso buscar o entendimento, preciso exercer a
cidadania
Quero ir à escola todos os dias, quero aprender
Quero concordar ou discordar, cumprir meu dever
Quero acreditar na legislação, sem ter que rasgar a
constituição
De dentro do meu coração
Quero trabalhar, me alimentar, quero andar, sentir-
me seguro
Quero morar, quero contribuir para uma nova
sociedade
Entendida, ilimitada, determinada
[...]
Fonte: https://www.vagalume.com.br/banda-enigmas/cidadania-entao.html. Acesso em: 13 ago. 2017. Adaptado
Com relação aos Textos 1 e 2 é incorreto afirmar que:
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