Questões de EFAF Filosofia - Temática
744 Questões
Questão 6 10168056
CMM 1º Prova de Lingua Português 2017Leia os textos I e II para responder do item.
TEXTO I

Fonte: https://extra.globo.com
TEXTO II
SOBRE A “BALEIA AZUL” E AS TECNOLOGIAS DA MORTE
O suicídio entre os jovens não é um fenômeno novo, mas a discussão ganha impulso diante de um jogo que se desdobra nas malhas tecnológicas atuais. Jovens precisam desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos. Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias.
O fenômeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que vêm preocupando o mundo (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenômeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até o suicídio.[...]
No Brasil, algumas ocorrências assustam: uma menina de 16 anos morreu no Mato Grosso após se afogar em uma lagoa com cortes nos braços, indício de que participava do jogo da “Baleia Azul”. Em João Pessoa, estudantes participam de grupos de automutilação e morte. Em 2015, um garoto de 13 anos se enforcou na casa do pai, no litoral sul da capital paulista, em condições semelhantes às vítimas do jogo.
Inescapavelmente, esses acontecimentos nos fazem pensar sobre um fenômeno que certamente não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.
São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de resposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto às portas). [...]
Engorda o escopo das justificativas o argumento, segundo o qual, são eles (adolescentes e jovens) que passam mais tempo expostos à internet e às redes sociais, o que os torna alvos fáceis dos serial killers virtuais, denominação atribuída aos desafiantes.
Mas, pera! O que dizer dos desafios que nós adultos aceitamos, sem resistência, no tecnocosmos, ainda que a serviço do bem comum?
A propósito, em novembro de 2015, escrevi um artigo cujo fragmento se aplica a essa
questão: Não é mais novidade que a Internet, com as redes sociais na dianteira, tornou-se quase um habitat natural de campanhas e desafios que convocam temporariamente o engajamento das pessoas.
[...]
Adicionalmente, podemos dizer que não existem distâncias telescópicas entre o tempo dispensado por jovens e adultos na internet. Uma vez que a gestão da vida passa pelos espaços digitais, mergulhamos profunda e demoradamente no oceano da cibercultura.
Sem desconsiderar completamente esses dois fatores, a saber, que os adolescentes e jovens são influenciados mais facilmente e hoje passam mais tempo frente às telas, suponho ser necessário dar mais algumas voltas no parafuso para se chegar a um ponto em que podemos avistar algo de “novo” ou “específico” neste tipo de jogo.
[...]
Subversão da lógica dos desejos
Nessa atmosfera de excesso de positividade, as máquinas – normalmente um smartphone – devem oferecer tudo que queremos e desejamos.
Comentei em outro artigo, por ocasião da febre do Pokemon Go (curiosamente outro jogo), que os aparelhos nunca desligam porque precisam oferecer não somente o que desejamos, mas também precisam dizer o que desejamos, demonstrando possuir um saber sobre o nosso desejo.
Talvez resida aí, nesse esquadrinhamento dos desejos, umas das chaves explicativas para a adesão ao jogo da morte. Jovens precisam de desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos (...). Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias, recurso que sustenta o desejo, e um sujeito esvaziado de fantasia, ensina a psicanálise, é um sujeito débil para a produção de laço social. (...)
Sabe-se que as tecnologias (...) vêm alimentando uma plataforma de vida assaz pesada que limita, ou até mesmo interdita, os voos das asas da nossa imaginação para outros lugares não pontuados pelas regras do super-rendimento e da hiperprodutividade.
(...) É preciso desejar para além do que as máquinas nos oferecem (Netflix, Ifood, OpenRice, JustEat, Uber;...). Na impossibilidade de querermos algo para além do que as máquinas acreditam que queremos, só nos resta aceitar, ceder e executar, achando que temos o controle e somos empreendedores de nossa própria existência. “Sabe nada inocente”, já diria o “filósofo” compadre Washington!
Provavelmente, esses jovens estão se dando conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.
Infelizmente, a resposta que está sendo dada pelos jogadores do “Baleia Azul” sucumbe à voracidade da máquina, a grande sequestradora dos desejos nestes tempos bicudos.
Por Rosane Borges — publicado 27/04/2017, 14h36, última modificação 20/07/2017, 12h53.
Glossário:
Kafka: Franz Kafka foi um escritor de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.
Compadre Washington: Integrante do grupo de axé É o Tchan.
Serial killers: Tipos de criminosos de perfil psicopatológico que cometem crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um mesmo modo e, às vezes, deixando sua "assinatura".
Em II, sobre os fatores que influenciam o comportamento dos jovens, a autora diz “suponho ser necessário dar mais algumas voltas no parafuso...”.
A expressão em destaque, no 9º parágrafo, sugere que sobre os fatores influenciadores:
Questão 3 10168015
CMM 1º Prova de Lingua Português 2017Leia os textos I e II para responder do item.
TEXTO I

Fonte: https://extra.globo.com
TEXTO II
SOBRE A “BALEIA AZUL” E AS TECNOLOGIAS DA MORTE
O suicídio entre os jovens não é um fenômeno novo, mas a discussão ganha impulso diante de um jogo que se desdobra nas malhas tecnológicas atuais. Jovens precisam desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos. Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias.
O fenômeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que vêm preocupando o mundo (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenômeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até o suicídio.[...]
No Brasil, algumas ocorrências assustam: uma menina de 16 anos morreu no Mato Grosso após se afogar em uma lagoa com cortes nos braços, indício de que participava do jogo da “Baleia Azul”. Em João Pessoa, estudantes participam de grupos de automutilação e morte. Em 2015, um garoto de 13 anos se enforcou na casa do pai, no litoral sul da capital paulista, em condições semelhantes às vítimas do jogo.
Inescapavelmente, esses acontecimentos nos fazem pensar sobre um fenômeno que certamente não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.
São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de resposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto às portas). [...]
Engorda o escopo das justificativas o argumento, segundo o qual, são eles (adolescentes e jovens) que passam mais tempo expostos à internet e às redes sociais, o que os torna alvos fáceis dos serial killers virtuais, denominação atribuída aos desafiantes.
Mas, pera! O que dizer dos desafios que nós adultos aceitamos, sem resistência, no tecnocosmos, ainda que a serviço do bem comum?
A propósito, em novembro de 2015, escrevi um artigo cujo fragmento se aplica a essa
questão: Não é mais novidade que a Internet, com as redes sociais na dianteira, tornou-se quase um habitat natural de campanhas e desafios que convocam temporariamente o engajamento das pessoas.
[...]
Adicionalmente, podemos dizer que não existem distâncias telescópicas entre o tempo dispensado por jovens e adultos na internet. Uma vez que a gestão da vida passa pelos espaços digitais, mergulhamos profunda e demoradamente no oceano da cibercultura.
Sem desconsiderar completamente esses dois fatores, a saber, que os adolescentes e jovens são influenciados mais facilmente e hoje passam mais tempo frente às telas, suponho ser necessário dar mais algumas voltas no parafuso para se chegar a um ponto em que podemos avistar algo de “novo” ou “específico” neste tipo de jogo.
[...]
Subversão da lógica dos desejos
Nessa atmosfera de excesso de positividade, as máquinas – normalmente um smartphone – devem oferecer tudo que queremos e desejamos.
Comentei em outro artigo, por ocasião da febre do Pokemon Go (curiosamente outro jogo), que os aparelhos nunca desligam porque precisam oferecer não somente o que desejamos, mas também precisam dizer o que desejamos, demonstrando possuir um saber sobre o nosso desejo.
Talvez resida aí, nesse esquadrinhamento dos desejos, umas das chaves explicativas para a adesão ao jogo da morte. Jovens precisam de desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos (...). Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias, recurso que sustenta o desejo, e um sujeito esvaziado de fantasia, ensina a psicanálise, é um sujeito débil para a produção de laço social. (...)
Sabe-se que as tecnologias (...) vêm alimentando uma plataforma de vida assaz pesada que limita, ou até mesmo interdita, os voos das asas da nossa imaginação para outros lugares não pontuados pelas regras do super-rendimento e da hiperprodutividade.
(...) É preciso desejar para além do que as máquinas nos oferecem (Netflix, Ifood, OpenRice, JustEat, Uber;...). Na impossibilidade de querermos algo para além do que as máquinas acreditam que queremos, só nos resta aceitar, ceder e executar, achando que temos o controle e somos empreendedores de nossa própria existência. “Sabe nada inocente”, já diria o “filósofo” compadre Washington!
Provavelmente, esses jovens estão se dando conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.
Infelizmente, a resposta que está sendo dada pelos jogadores do “Baleia Azul” sucumbe à voracidade da máquina, a grande sequestradora dos desejos nestes tempos bicudos.
Por Rosane Borges — publicado 27/04/2017, 14h36, última modificação 20/07/2017, 12h53.
Glossário:
Kafka: Franz Kafka foi um escritor de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.
Compadre Washington: Integrante do grupo de axé É o Tchan.
Serial killers: Tipos de criminosos de perfil psicopatológico que cometem crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um mesmo modo e, às vezes, deixando sua "assinatura".
Sobre o texto II, seu tema central é:
Questão 2 10168008
CMM 1º Prova de Lingua Português 2017Leia os textos I e II para responder do item.
TEXTO I

Fonte: https://extra.globo.com
TEXTO II
SOBRE A “BALEIA AZUL” E AS TECNOLOGIAS DA MORTE
O suicídio entre os jovens não é um fenômeno novo, mas a discussão ganha impulso diante de um jogo que se desdobra nas malhas tecnológicas atuais. Jovens precisam desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos. Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias.
O fenômeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que vêm preocupando o mundo (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenômeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até o suicídio.[...]
No Brasil, algumas ocorrências assustam: uma menina de 16 anos morreu no Mato Grosso após se afogar em uma lagoa com cortes nos braços, indício de que participava do jogo da “Baleia Azul”. Em João Pessoa, estudantes participam de grupos de automutilação e morte. Em 2015, um garoto de 13 anos se enforcou na casa do pai, no litoral sul da capital paulista, em condições semelhantes às vítimas do jogo.
Inescapavelmente, esses acontecimentos nos fazem pensar sobre um fenômeno que certamente não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.
São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de resposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto às portas). [...]
Engorda o escopo das justificativas o argumento, segundo o qual, são eles (adolescentes e jovens) que passam mais tempo expostos à internet e às redes sociais, o que os torna alvos fáceis dos serial killers virtuais, denominação atribuída aos desafiantes.
Mas, pera! O que dizer dos desafios que nós adultos aceitamos, sem resistência, no tecnocosmos, ainda que a serviço do bem comum?
A propósito, em novembro de 2015, escrevi um artigo cujo fragmento se aplica a essa
questão: Não é mais novidade que a Internet, com as redes sociais na dianteira, tornou-se quase um habitat natural de campanhas e desafios que convocam temporariamente o engajamento das pessoas.
[...]
Adicionalmente, podemos dizer que não existem distâncias telescópicas entre o tempo dispensado por jovens e adultos na internet. Uma vez que a gestão da vida passa pelos espaços digitais, mergulhamos profunda e demoradamente no oceano da cibercultura.
Sem desconsiderar completamente esses dois fatores, a saber, que os adolescentes e jovens são influenciados mais facilmente e hoje passam mais tempo frente às telas, suponho ser necessário dar mais algumas voltas no parafuso para se chegar a um ponto em que podemos avistar algo de “novo” ou “específico” neste tipo de jogo.
[...]
Subversão da lógica dos desejos
Nessa atmosfera de excesso de positividade, as máquinas – normalmente um smartphone – devem oferecer tudo que queremos e desejamos.
Comentei em outro artigo, por ocasião da febre do Pokemon Go (curiosamente outro jogo), que os aparelhos nunca desligam porque precisam oferecer não somente o que desejamos, mas também precisam dizer o que desejamos, demonstrando possuir um saber sobre o nosso desejo.
Talvez resida aí, nesse esquadrinhamento dos desejos, umas das chaves explicativas para a adesão ao jogo da morte. Jovens precisam de desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos (...). Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias, recurso que sustenta o desejo, e um sujeito esvaziado de fantasia, ensina a psicanálise, é um sujeito débil para a produção de laço social. (...)
Sabe-se que as tecnologias (...) vêm alimentando uma plataforma de vida assaz pesada que limita, ou até mesmo interdita, os voos das asas da nossa imaginação para outros lugares não pontuados pelas regras do super-rendimento e da hiperprodutividade.
(...) É preciso desejar para além do que as máquinas nos oferecem (Netflix, Ifood, OpenRice, JustEat, Uber;...). Na impossibilidade de querermos algo para além do que as máquinas acreditam que queremos, só nos resta aceitar, ceder e executar, achando que temos o controle e somos empreendedores de nossa própria existência. “Sabe nada inocente”, já diria o “filósofo” compadre Washington!
Provavelmente, esses jovens estão se dando conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.
Infelizmente, a resposta que está sendo dada pelos jogadores do “Baleia Azul” sucumbe à voracidade da máquina, a grande sequestradora dos desejos nestes tempos bicudos.
Por Rosane Borges — publicado 27/04/2017, 14h36, última modificação 20/07/2017, 12h53.
Glossário:
Kafka: Franz Kafka foi um escritor de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.
Compadre Washington: Integrante do grupo de axé É o Tchan.
Serial killers: Tipos de criminosos de perfil psicopatológico que cometem crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um mesmo modo e, às vezes, deixando sua "assinatura".
Pode-se subentender que, em relação às ideias desenvolvidas sobre o “Baleia Azul” no texto II, o texto I:
Questão 1 10167851
CMM 1º Prova de Lingua Português 2017Leia os textos I e II para responder do item.
TEXTO I

Fonte: https://extra.globo.com
TEXTO II
SOBRE A “BALEIA AZUL” E AS TECNOLOGIAS DA MORTE
O suicídio entre os jovens não é um fenômeno novo, mas a discussão ganha impulso diante de um jogo que se desdobra nas malhas tecnológicas atuais. Jovens precisam desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos. Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias.
O fenômeno macabro “Baleia Azul” ganha destaque, com justificada razão, entre os assuntos que vêm preocupando o mundo (guerra na Síria, eleições na França, guerra nuclear da Coreia do Norte, as já conhecidas investidas de Donald Trump). O fenômeno é dinamizado pela execução gradativa de 50 desafios que vão desde a automutilação até o suicídio.[...]
No Brasil, algumas ocorrências assustam: uma menina de 16 anos morreu no Mato Grosso após se afogar em uma lagoa com cortes nos braços, indício de que participava do jogo da “Baleia Azul”. Em João Pessoa, estudantes participam de grupos de automutilação e morte. Em 2015, um garoto de 13 anos se enforcou na casa do pai, no litoral sul da capital paulista, em condições semelhantes às vítimas do jogo.
Inescapavelmente, esses acontecimentos nos fazem pensar sobre um fenômeno que certamente não é novo (suicídio entre a população jovem), mas que ganha impulso renovado com um jogo que se desdobra nas malhas da tecnologia.
São múltiplos os portões de acesso que nos levam a alguns endereços de resposta (como diria Kafka, as portas são inumeráveis, a saída é uma só, mas as possibilidades de saída são tão numerosas quanto às portas). [...]
Engorda o escopo das justificativas o argumento, segundo o qual, são eles (adolescentes e jovens) que passam mais tempo expostos à internet e às redes sociais, o que os torna alvos fáceis dos serial killers virtuais, denominação atribuída aos desafiantes.
Mas, pera! O que dizer dos desafios que nós adultos aceitamos, sem resistência, no tecnocosmos, ainda que a serviço do bem comum?
A propósito, em novembro de 2015, escrevi um artigo cujo fragmento se aplica a essa
questão: Não é mais novidade que a Internet, com as redes sociais na dianteira, tornou-se quase um habitat natural de campanhas e desafios que convocam temporariamente o engajamento das pessoas.
[...]
Adicionalmente, podemos dizer que não existem distâncias telescópicas entre o tempo dispensado por jovens e adultos na internet. Uma vez que a gestão da vida passa pelos espaços digitais, mergulhamos profunda e demoradamente no oceano da cibercultura.
Sem desconsiderar completamente esses dois fatores, a saber, que os adolescentes e jovens são influenciados mais facilmente e hoje passam mais tempo frente às telas, suponho ser necessário dar mais algumas voltas no parafuso para se chegar a um ponto em que podemos avistar algo de “novo” ou “específico” neste tipo de jogo.
[...]
Subversão da lógica dos desejos
Nessa atmosfera de excesso de positividade, as máquinas – normalmente um smartphone – devem oferecer tudo que queremos e desejamos.
Comentei em outro artigo, por ocasião da febre do Pokemon Go (curiosamente outro jogo), que os aparelhos nunca desligam porque precisam oferecer não somente o que desejamos, mas também precisam dizer o que desejamos, demonstrando possuir um saber sobre o nosso desejo.
Talvez resida aí, nesse esquadrinhamento dos desejos, umas das chaves explicativas para a adesão ao jogo da morte. Jovens precisam de desenhar utopicamente o horizonte dos seus desejos (...). Quando as máquinas exercem essa tarefa por nós, nos esvaziamos de fantasias, recurso que sustenta o desejo, e um sujeito esvaziado de fantasia, ensina a psicanálise, é um sujeito débil para a produção de laço social. (...)
Sabe-se que as tecnologias (...) vêm alimentando uma plataforma de vida assaz pesada que limita, ou até mesmo interdita, os voos das asas da nossa imaginação para outros lugares não pontuados pelas regras do super-rendimento e da hiperprodutividade.
(...) É preciso desejar para além do que as máquinas nos oferecem (Netflix, Ifood, OpenRice, JustEat, Uber;...). Na impossibilidade de querermos algo para além do que as máquinas acreditam que queremos, só nos resta aceitar, ceder e executar, achando que temos o controle e somos empreendedores de nossa própria existência. “Sabe nada inocente”, já diria o “filósofo” compadre Washington!
Provavelmente, esses jovens estão se dando conta dessas limitações e ousam responder a pergunta que habita as páginas do famoso livro A insustentável leveza do ser: “Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”.
Infelizmente, a resposta que está sendo dada pelos jogadores do “Baleia Azul” sucumbe à voracidade da máquina, a grande sequestradora dos desejos nestes tempos bicudos.
Por Rosane Borges — publicado 27/04/2017, 14h36, última modificação 20/07/2017, 12h53.
Glossário:
Kafka: Franz Kafka foi um escritor de língua alemã, autor de romances e contos, considerado pelos críticos como um dos escritores mais influentes do século XX.
Compadre Washington: Integrante do grupo de axé É o Tchan.
Serial killers: Tipos de criminosos de perfil psicopatológico que cometem crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um mesmo modo e, às vezes, deixando sua "assinatura".
Ao analisar os textos I e II, pode-se afirmar que:
Questão 15 10121807
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2017TEXTO
O celular que escraviza
Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?
Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não
conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,
acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por
enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de
[5] ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com o
mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos
o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos
estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número
de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito
[10] mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos
em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas
param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.
Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo
enquanto dirigem.
[15] “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David
Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na
cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades
constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,
claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós
[20] mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.
Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas
de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens
feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de
mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a
[25] uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com
o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para
alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.
Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18
anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah
[30] e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor
trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90
segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no
Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria
avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível
[35] não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da
distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety
Board.
No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que
trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de
[40] acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz
Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só
faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um
acidente.
(...)
[45] A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito
elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.
Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode
se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,
seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal
[50] é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser
altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não
conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.
Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro
porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um
[55] pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,
a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e
Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia
gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De
acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos
[60] Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)
Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html. Último acesso em 03 de outubro de 2017.
Há várias marcas de oralidade no texto.
Escolha a opção em que o termo destacado é devidamente substituído por vocábulo ou expressão formal, presente nas reescrituras entre colchetes, sem que haja mudança de sentido.
Questão 13 10121798
CMRJ 1° Ano - Prova de Português 2017TEXTO
O celular que escraviza
Eles roubam nosso tempo, atrapalham os relacionamentos e podem até causar acidentes de trânsito. Quando é a hora de desligar?
Estamos viciados. Em qualquer lugar, a qualquer momento do dia, não
conseguimos deixar de lado o objeto de nossa dependência. Dormimos ao lado dele,
acordamos com ele, o levamos para o banheiro e para o café da manhã – e, se, por
enorme azar, o esquecemos em casa ao sair, voltamos correndo. Somos incapazes de
[5] ficar mais de um minuto sem olhar para ele. É através dele que nos conectamos com o
mundo, com os amigos, com o trabalho. Sabemos da vida de todos e informamos a todos
o que acontece por meio dele. Os neurocientistas dizem que ele nos fornece pequenos
estímulos prazerosos dos quais nos tornamos dependentes. Somos 21 milhões – número
de brasileiros com mais de 15 anos que têm smartphones, os celulares que fazem muito
[10] mais que falar. Com eles, trocamos e-mails, usamos programas de GPS e navegamos
em redes sociais. O tempo todo. Observe a seu redor. Em qualquer situação, as pessoas
param, olham a tela do celular, dedilham uma mensagem. Enquanto conversam.
Enquanto namoram. Enquanto participam de uma reunião. E – pior de tudo – até mesmo
enquanto dirigem.
[15] “É uma dependência difícil de eliminar”, diz o psiquiatra americano David
Greenfield, diretor do Centro para Tratamento de Vício em Internet e Tecnologia, na
cidade de West Hartford. “Nosso cérebro se acostuma a receber essas novidades
constantemente e passa a procurar por elas a todo instante.” O pai de todos os vícios,
claro, é o Facebook, maior rede social do mundo, onde publicamos notícias sobre nós
[20] mesmos como se alimentássemos um grande jornal coletivo sobre a vida cotidiana.
Depois dele, novas redes foram criadas e apertaram o nó da dependência. Programas
de troca de fotos como o Instagram conectam milhões de pessoas por meio das imagens
feitas pelas câmeras cada vez mais potentes dos celulares. Os aplicativos de trocas de
mensagem, como o Whatsapp, promovem bate-papos escritos que se assemelham a
[25] uma conversa na mesa do bar. O final dessa história pode ser dramático. Interagir com
o aparelho – e com centenas de amigos escondidos sob a tela de cristal – tornou-se para
alguns uma compulsão tão violenta que pode colocar a própria vida em risco.
Parece exagero? Pense na história da garota americana Taylor Sauer, de 18
anos. Em janeiro, Taylor dirigia numa rodovia interestadual que liga os Estados de Utah
[30] e Idaho quando bateu a 130 quilômetros por hora na traseira de um caminhão. Taylor
trocava mensagens com um amigo sobre um time de futebol americano. Uma a cada 90
segundos. Seu último post foi: “Não posso discutir isso agora. Dirigir e escrever no
Facebook não é seguro! Haha”. Se não estivesse teclando, provavelmente Taylor teria
avistado o veículo à frente, que andava a meros 25 quilômetros por hora. O caso terrível
[35] não é uma aberração estatística. A cada ano, 3 mil americanos morrem por causa da
distração no celular, de acordo com a agência federal National Transportation Safety
Board.
No Brasil, não é diferente – pelo menos é a impressão dos profissionais que
trabalham na área. “Minha experiência sugere que essa é a quarta maior causa de
[40] acidentes, só atrás do excesso de velocidade, uso de álcool e drogas e cansaço”, diz
Dirceu Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. (...) O cérebro só
faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um
acidente.
(...)
[45] A sensação de estar por fora é consequência da hiperconectividade, um conceito
elaborado por dois pesquisadores canadenses, Anabel Quan-Haase e Barry Wellman.
Eles criaram uma teoria para explicar como vive o dono de um celular moderno. Ele pode
se comunicar a partir de qualquer lugar a qualquer instante. Não há fronteiras entre ele,
seus amigos e o restante do mundo – com exceção (maldição!) de locais em que o sinal
[50] é fraco ou (pesadelo!) não chega. Um dos efeitos colaterais da hiperconectividade é ser
altamente viciante. Daí a desconfiança de especialistas de que motoristas que não
conseguem largar o celular enquanto dirigem são, na verdade, dependentes.
Dispositivos eletrônicos como os celulares geram a sensação de prazer para o cérebro
porque ele se sente recompensado a cada novidade recebida. Uma mensagem é um
[55] pacotinho de prazer. A descarga de uma substância estimulante para nossos neurônios,
a dopamina, encarrega-se de gerar a sensação agradável. O Instituto de Informação e
Tecnologia de Helsinque, na Finlândia, fez um estudo para analisar quanto tempo do dia
gastamos com o hábito de verificar atualizações em busca desse barato cerebral. De
acesso em acesso, somamos duas horas e 40 minutos. É o mesmo tempo gasto nos
[60] Estados Unidos com televisão e dez vezes o que se gasta com leitura. (...)
Reportagem de Rafael Barifouse e Isabella Ayub, Revista Época,15/06/2012. Disponível em http://revistaepoca.globo.com/vida/noticia/2012/06/o-celular-que-escraviza.html. Último acesso em 03 de outubro de 2017.
No trecho “O cérebro só faz bem uma coisa ou outra. (...) Dirigir falando ao telefone duplica o risco de um acidente.” (l. 41-43), a oração reduzida de gerúndio pode ser desenvolvida sem mudança de sentido em
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