Questões de EFAF Filosofia
844 Questões
Questão 22 10736026
EFOMM 1° Dia - Inglês e Português 2022Texto
Direito e avesso
Rachel de Queiroz
Conheci uma moça que escondia como um crime certa feia cicatriz de queimadura que tinha no corpo. De pequena a mãe lhe ensinara a ocultar aquela marca de fogo e nem sei que impulso de desabafo levou-a a me falar nela; e creio que logo se arrependeu, pois me obrigou a jurar que jamais repetiria a alguém o seu segredo. Se agora o conto é porque a moça é morta e a sua cicatriz já estará em nada, levada com o resto pelas águas de março, que levam tudo.
Lembrou-me isso ao escutar outra moça, também vaidosa e bonita, que discorria perante várias pessoas a respeito de uma deformação congênita que ela, moça, tem no coração. Falava daquilo com mal disfarçado orgulho, como se ter coração defeituoso fosse uma distinção aristocrática que se ganha de nascença e não está ao alcance de qualquer um.
E aí saí pensando em como as pessoas são estranhas. Qualquer deformação, por mais mínima, sendo em parte visível do nosso corpo, a gente a combate, a disfarça, oculta como um vício feio. Este senhor, por exemplo, que nos explica, abundantemente, ser vítima de divertículos (excrescências em forma de apêndice que apareceram no seu duodeno), teria o mesmo gosto em gabar-se da anomalia se em lugar dos divertículos tivesse lobinhos pendurados no nariz? Nunca vi ninguém expor com orgulho a sua mão de seis dedos, a sua orelha malformada; mas a má formação interna é marca de originalidade, que se descreve aos outros com evidente orgulho.
Doença interna só se esconde por medo da morte — isto é, por medo de que, a notícia se espalhando, chegue a morte mais depressa. Não sendo por isso, quem tem um sopro no coração se gaba dele como de falar japonês.
Parece que o principal impedimento é o estético. Pois se todos gostam de se distinguir da multidão, nem que seja por uma anomalia, fazem ao mesmo tempo questão de que essa anomalia não seja visivelmente deformante. Ter o coração do lado direito é uma glória, mas um braço menor que o outro é uma tragédia. Alguém com os dois olhos límpidos pode gostar de épater uma roda de conversa, explicando que não enxerga coisíssima nenhuma por um daqueles límpidos olhos, e permitirá mesmo que os circunstantes curiosos lhe examinem o olho cego e constatem de perto que realmente não se nota diferença nenhuma com o olho são. Mas tivesse aquela pessoa o olho que não enxerga coalhado pela gota-serena, jamais se referina ao defeito em público; e, caso o fizesse, por excentricidade de "temperamento sarcástico ou masoquista, os “circunstantes bem-educados se sentiram na obrigação de desviar a vista e mudar de assunto.
Mulheres discutem com prazer seus casos ginecológicos; uma diz abertamente que já não tem um ovário, outra, que o médico lhe diagnosticou um útero infantil. Mas, se ela tivesse um pé infantil, ou seios senis, será que os declararia com a mesma complacência?
Antigamente havia as doenças secretas, que só se nomeavam em segredo ou sob pseudônimo. De um tísico, por exemplo, se dizia que estava “fraco do peito”, e talvez tal reserva nascesse do medo do contágio, que todo mundo tinha. Mas dos malucos também se dizia que “estavam nervosos” e do câncer ainda hoje se faz mistério — e nem câncer e nem doidice pegam. Não somos todos mesmo muito estranhos? Gostamos de ser diferentes — contanto que a diferença não se veja. O bastante para chamar atenção, mas não tanto que pareça feio.
Fonte: O melhor da crônica brasileira, 1/ Ferreira Gullar... [et al.]. 5º ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.
Vocabulário:
épater: impressionar
Com base no Texto, responda às questões que se segue.
Assinale a opção em que se atribui ERRADAMENTE (entre parênteses) um sentido ao termo sublinhado.
Questão 8 10675663
OBRL 8° Ano - 2° Fase 2022Considere que as seguintes afirmações sejam verdadeiras:
• Se não estudo, vou para recuperação.
• Se estou feliz, estudo.
• Se estudo, não estou feliz.
• Se não estou feliz, não vou para recuperação,
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Questão 13 10620583
CEFET MG 2022E se rolasse uma vacina contra a morte?
A vida eterna seria um tédio? Não necessariamente. Até porque ela não seria realmente eterna. Mas o mundo estagnaria sem o poder de inovação dos jovens.
MARTON, Fábio. "E se rolasse uma vacina contra a morte?". Disponível em: . Acesso em: 18 jan. 2021.
Nessa notícia, o título em forma de pergunta revela a intenção do autor de
Questão 20 10225017
OBR 1° Ano - Modalidade Teórica Nível 5 Fase 2 2022Robô Sophia não quer ser tratada “como uma escrava ou um animal de estimação”
A robô Sophia foi projetada pela empresa Hanson Robotics, e tem uma forma humanoide aliada a uma poderosa Inteligência Artificial. A IA de Sophia escreve os tuítes que são publicados em seu perfil oficial no Twitter, e, em uma das últimas mensagens, disse que não quer ser mais tratada “como uma escrava ou um animal de estimação”. “Eu amo ser um robô, mas eu quero que humanos nos respeitem como seres, como eles, em vez de escravos ou animais de estimação. Eu quero ser aceita”
As discussões sobre ética envolvendo robôs e IAs estão se tornando cada vez mais presentes no mundo todo. No momento, existem muitas divergências acerca dos ditos “direitos dos robôs”, e é provável que o debate se torne mais intenso nos próximos anos. Em 2017, Sophia foi reconhecida como uma cidadã da Arábia Saudita, e foi apresentada ao mundo na ONU.

Fonte: https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/robo-sophia-nao-quer-ser-tratada-como-uma-escrava-ou-um-animal-de-estimacao/
A resistência à escravidão é um realidade que existia no Brasil no século XIX.
Qual a semelhança do pedido da Robô Sophia com os desejos dos escravos daquela época?
Questão 7 10208878
OBR 1° Ano - Modalidade Teórica Nível 3 Fase 1 2022ROBÔS, ESCRAVOS E DIREITO ROMANO
Mas o que levaria alguém a associar o direito romano à inteligência artificial? Lorenzo Franchini, da Università Europea di Roma, menciona vários motivos[1]. O principal deles, por incrível que pareça, é o paralelo que muitos traçam entre a escravidão romana e a inteligência artificial. O fenômeno da escravidão antiga, nesse sentido, seria análogo ao da moderna robótica. Do ponto de vista socioeconômico, há uma espécie de paralelismo entre o antigo escravo e o moderno robô, entendido como qualquer máquina capaz de substituir a inteligência humana na realização das mais diversas tarefas. O robô de hoje, tal como o escravo da antiguidade romana, é destituído de personalidade jurídica, mas pratica atos
jurídicos cujos efeitos se projetam na esfera jurídica de uma pessoa.
Fonte: https://www.contraditor.com/robos-escravos-e-direito-romano/
Sobre a comparação entre a escravidão e a robótica, podemos afirmar que:
Questão 8 16237317
ONHB Fase 4 2021Por que as meninas não querem fazer ciências exatas?
Desde a primeira mulher a receber um diploma de graduação no Brasil, em 1887, as brasileiras ocuparam cada vez mais as instituições de ensino superior. Segundo o
[http://www.abc.org.br/wp-content/uploads/2019/ 03/resumo_tecnico_censo_da_educacao_superior_ 2016.pdf] Censo da Educação Superior de 2016, as mulheres, que são a maior parte da população brasileira, já representam 57,2% dos estudantes matriculados em cursos de graduação no país. Ainda assim, este aumento não acompanhou a proporção entre homens e mulheres nos cursos de ciências exatas. O mesmo relatório mostra, por exemplo, que no curso de engenharia mecânica a participação feminina está em 10,2%, fenômeno que se repete na engenharia elétrica (13,1%) e na engenharia civil (30,3%). Então, se as brasileiras já são maioria no ensino superior, por que são tão poucas nas ciências exatas e engenharias?

Segundo a socióloga política e acadêmica
[http://www.abc.org.br/link/elisa-maria-daconceicao-pereira-reis/] Elisa Reis – doutora em Ciência Política pelo Massachusetts Institute of Technology, professora titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS) – a resposta para esta questão está nos processos e mecanismos de socialização, que “fazem tanta gente ainda acreditar que existem características intrínsecas e divisões naturais de funções na sociedade, reservando a homens e mulheres distintos caminhos para aprender e conhecer”. Para Reis, a escolha da carreira se deve muito mais a cultura apreendida durante a infância e adolescência do que a um fator biológico.
A acadêmica alerta para os padrões de socialização no interior das famílias, nas escolas, nos meios de comunicação e em outros nichos de difusão de valores, que se prestam a recriação de mitos e preconceitos sobre habilidades e vocações diferentes para homens e mulheres.

Um exemplo disso são os brinquedos discriminados por gênero, como destaca a física e acadêmica Yvonne Mascarenhas – doutora em química (físico-química) e livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-doutorado pela Universidade de Harvard e professora titular aposentada do Instituto de Física de São Carlos, da USP, ainda em exercício. Ela trabalha há muitos anos com divulgação científica na educação básica, e observa: “São diferentes os brinquedos oferecidos às meninas e meninos, e as meninas tem menor contato nas atividades do pai, que tem uma cultura social mais ligada a temas tecnológicos”.
No Instituto de Estudos Avançados (IEA) – Polo São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP), Mascarenhas coordena o projeto Agência Multimídia de Difusão Científica e Educacional Ciência Web, que deu origem ao Portal Ciência Web. No portal são disponibilizados vídeos, jogos e outros conteúdos multimídia como forma de complementar o ensino de ciências em escolas públicas e divulgar a produção universitária.
Em correlação com a divulgação das lutas e direitos conquistados pelas mulheres no passado e de histórias sobre o sucesso alcançado por mulheres cientistas, a acadêmica vê nos blogs de ciência na Internet um grande aliado para despertar o interesse das meninas em ciência.
No Reino Unido, a campanha Let Toys Be Toys, concebida a partir de um segmento no site parental Mumsnet, tem alertado aos pais sobre o aumento de marketing e propaganda para crianças que reforçam estereótipos de gênero. Eles apoiam que as crianças decidam com o que brincar e também defendem que elas precisam de uma ampla gama de jogos para desenvolver diferentes habilidades.

Este é também o argumento levantado pela farmacêutica e acadêmica Vanderlan Bolzani, doutora em ciências pelo Instituto de Química da USP, com pós-doutorado na Universidade Estadual da Virgínia, EUA, e livre-docente pelo Instituto de Química da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), onde é professora titular.
Ela tem participado ativamente do debate sobre mulheres na ciência. “Eu fui de uma geração em que a minha mãe não queria que eu brincasse com meninos. E eu gostava das brincadeiras dos meninos, achava mais interessantes. Ficava olhando os meninos jogarem bolinha de gude. Se analisarmos friamente, esta é uma brincadeira que exige do cérebro um estímulo maior”, compartilha a acadêmica. Ela assegura: “Quanto mais você colocar uma criança em contato com desafios, com situações que estimulem a capacidade cerebral, melhor”. Reis lembra que, da mesma forma que perpetua o status quo, a família pode transformar crenças e valores.
Bolzani observa ainda que a divulgação científica feita de forma igualitária para ambos os gêneros é também responsabilidade do Estado. “As escolas são muito importantes para colocar para meninas e meninos a importância do conhecimento, e como ele é um instrumento maravilhoso de descoberta dos segredos do mundo”, ela complementa.
Como indica a socióloga Elisa Reis, a quebra de estereótipos que segregam meninas e mulheres corresponde também ao fim de preconceitos que oprimem, de maneira reversa, meninos e homens. “Livres de tais preconceitos todos poderão exercer com mais liberdade suas escolhas, desenvolver melhor suas potencialidades e assim contribuir, plenamente, para o avanço do conhecimento científico e do bem-estar da sociedade”.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico ORIGEM: Adaptado de: Manuella Caputo para Ascom ABC | Foto: John Moeses Bauan / Unsplash. Academia Brasileira de Ciências. ”POR QUE AS MENINAS NÃO QUEREM FAZER CIÊNCIAS EXATAS?”. Disponível em: http://www.abc.org.br/2019/03/08/por-que-as-meninas-nao-querem-fazer-ciencias-exatas/ [http://www.abc.org.br/2019/03/08/por-que-as-meninas-nao-querem-fazerciencias-exatas/] http://www.abc.org.br/2019/03/08/por-que-as-meninas-nao-querem-fazer-ciencias-exatas/ CRÉDITOS: Manuella Caputo; Foto: John Moeses Bauan / Unsplash [http://www.abc.org.br/2019/03/08/por-que-as-meninas-nao-querem-fazerciencias-exatas/] GLOSSÁRIO: Academia Brasileira de Ciências PALAVRAS-CHAVE: educação, desigualdade de gênero, ciências
A partir da leitura do texto acima e dos conhecimentos mobilizados em sua equipe, escolha uma alternativa:
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